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sexta-feira, 20 de março de 2026

Divagações 215

 

Eu creio que qualquer país, que se preze, tem sempre actualizada e acessível uma seleção de obras e autores clássicos da sua literatura. Por iniciativa privada (Rolland, Bibliotheca de  Clássicos Portuguezes [Mello d'Azevedo]), no nosso caso, ou institucional (IN-CM), sobretudo no consulado de V. da Graça Moura (1942-2014), esse cânone deve poder ser adquirido, facilmente, por quem queira acompanhar a sua história e cultura.
Julgo, por exemplar, dever destacar o meritório trabalho, no passado, da Colecção de Clássicos Sá da Costa.

sábado, 13 de setembro de 2025

Recomendado : cento e oito

 

É uma obra de luxo, pela alta qualidade dos componentes e colaboradores. De Júlio Pomar (1926-2018) já o sabíamos talentoso retratista, depois do retrato que fez de Mário Soares, para a Presidência da República.
Nesta  obra eu gostaria de destacar os desenhos retratando Alberto Lacerda, Graça Lobo, José Cardoso Pires e Manuel de Brito, entre outros. Também os textos de Fernando Gil são inspirados e originais.
Sendo o livro de 1987, e patrocinado pela CGD, não sei se ainda estará à venda na IN-CM, e não esgotado. Chegou-me às mãos um exemplar, em oferta gentil de um bom Amigo (Obrigado, H. N.).
Quanto à aquisição, fica o meu recomendado.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Memória 153

 

Desta última exposição de Pedro Chorão (1945), na galeria Sá da Costa, em Maio de 2025, ficou-nos este magnífico catálogo ilustrado, com o título homónimo da mostra - Diálogos Sensíveis.
Pena que o original acervo fotográfico sobre o Alentejo, nas mãos do Pintor, que esteve para ser publicado pela IN-CM, não o tenha sido por vicissitudes várias, alheias ao artista.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Últimas aquisições (40)



O livro já tinha saído em 2017, mas eu não dera por ele, senão agora na livraria, exposto na bancada. O trabalho sobre Vergílio Ferreira (1916-1996) é de Helder Godinho, um especialista da sua obra.
Ao lado, HMJ lembra-me que o Autor já terá sido excluído, em tempos recentes, dos programas escolares. No século XX, Pessoa em poesia, e Saramago na prosa, como bons eucaliptos, secaram tudo à volta...
Será Vergílio Ferreira mais um dos próximos grandes esquecidos do futuro?
Consolêmo-nos entretanto com a leitura deste livrinho de fino gosto e módico preço (6/ 5,40 euros).

terça-feira, 5 de março de 2019

Ainda as capas, o sentido estético e o deixar andar, ou as memórias de um poeta bissexto


Tenho por certeza que a maioria das editoras, com raríssimas excepções, não se preocupa, hoje em dia, minimamente com a qualidade gráfica e estética das capas dos seus livros. Mas alguns autores também pouco se incomodam com a embalagem visual que os apresenta. Ou, então, ambos têm mau gosto...
Não me considero um árbitro de gosto, muito menos possuído de infalibilidade estética. Mas tenho critérios para separar o trigo do joio, permitindo-me ao luxo do duvidoso, como terceira categoria, nas minhas avaliações pessoais. Às vezes, não tenho a certeza e acolho-me, humildemente, ao avisado parecer de quem sabe. Agradecendo.


Quando estava para publicar o meu primeiro livro de poemas, Escrito para a Noite (1984), na IN-CM, pensei inicialmente reproduzir na capa um desenho de Augusto Gomes (1910-1976), que tenho em casa e de que gostava, e gosto, muito.


Falei nisso ao meu amigo pintor Pedro Chorão (1945) e ele, com a delicadeza que lhe é própria, demonstrou-me que aquela linda campesina jovem, com o seu quê boticeliano mas brejeiro, era excessivamente neo-realista e datada. Mas prometeu ajudar-me. Foi assim que um seu quadro veio enobrecer a capa do meu primeiro livro.


Em 1988, numa noite primaveril, Henrique Cayatte perdeu comigo, ao telefone, mais de uma hora para sintonizar, no seu labor exemplar, uma capa coerente com os meus versos, que a Caminho iria editar em Maio. Ainda hoje lhe estou grato por esse seu respeito intelectual. Pedro Chorão, mais uma vez, ajudou, com um desenho seu, feito de propósito. Assim se publicou, na Caminho, Equilíbrio, o meu segundo livro de poemas.




O António, sempre fraterno e próximo, fez a sua entrada de surpresa e inesperadamente, em 2013. Eu tinha-lhe confiado um manuscrito, em 1971, com poesias juvenis, de que ele gostava e de que declamava algumas, em recitais. Nunca pensei publicá-lo. E ele resolveu oferecer-mo editado (Arquivo Mortal), em circuito restrito (20 exemplares, de tiragem). Aí, eu não meti nem prego nem estopa, quanto a capas ou estética. Mas foi quase como se eu tivesse escolhido as opções, que o gosto artístico, meu e dele, são semelhantes. E fez-se rodear, para o design excelente da edição, do engenho e arte da Mariana e do Miguel.


Posso porventura não estar excessivamente ufano de tudo aquilo que produzi, em verso, mas não deixei ao deus dará aquilo que publiquei. E preocupei-me, acompanhando, os trabalhos preparatórios da impressão, até os livros sairem, excepto no último caso - como, aliás, referi acima.
É por isso que responsabilizo e atribuo o mau gosto do que se publica por aí, não só às editoras, mas também ao desleixo estético dos autores dessas obras.


com agradecimentos a tutti quanti me ajudaram a fazer obra limpa.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Do que fui lendo por aí... (11)


Ritmo de escrita ágil, muito bem documentado, sério, não deixando de o ser pela narração de um ou outro pormenor pitoresco e irónico que João Bénard da Costa (1935-2009) intercala, com espírito bem humorado, nestas páginas sobre a história do cinema português, desde o seu início até 1990. O livro saíu em meados de 1991, para acompanhar a Europália, editado pela IN-CM.
Na capa, em vinheta ao fundo, a reprodução da tela Labirinto, de Pedro Chorão, pertença do C.AM. .
Só para aguçar o apetite de leitura, aqui deixo referida uma citação do cineasta Leitão de Barros (1896-1967), que Bénard da Costa reproduz, sobre as virtualidades do povo português. Assim: "...levava sobre outros povos uma vantagenzinha apreciável: conhecemo-nos uns aos outros, de gingeira, há oito séculos! E graças a Deus damo-nos mal" (pg. 51).

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Para passar o tempo


À falta de melhor, às 22h00, sintonizarei a Sic-Notícias, para ouvir algumas das nossas habituais sumidades discretearem sobre as virtudes e defeitos do Orçamento de Estado para 2015. Lá estarão, para o debate, João Salgueiro, Octávio Teixeira e outros. Só não percebi porque não convidaram também a alquebrada e sage economista Teodora Cardoso. Mistérios...
Suprema ironia: a troca de ideias terá lugar nas instalações da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, à rua da Escola Politécnica. Terá sido num assomo de Humanidades (não esquecer Sampaio: "há mais vida, para além do défice"), ou foi para ter o Diário da República mais à mão? Mais um mistério. Se calhar  foi o novel comissário europeu Tostões que sugeriu o local...

quarta-feira, 30 de março de 2011

A massificação e a preguiça


Nunca será demais lembrar Angelo de Sousa, e faço-o, uma vez mais com respeito e estima, reproduzindo, pela 2ª vez, uma obra sua. Vou explicar porquê.

De ontem a esta parte, cerca de 1/4 das visitas ao Arpose dirigiram-se a um poste de 16 de Fevereiro, intitulado "Esquerda e direita - a memória" que tinha, em imagem, uma obra de Angelo de Sousa, em cores vermelha e azul. Na minha intenção, o azul seria a direita, e o vermelho representaria a ideologia de esquerda. Estranhei tanta visita ao mesmo poste. Eles vinham de Lisboa, imensos do Porto, de Inglaterra, de França, de Espanha, até de Riga e da Alemanha. Pensei cá para comigo: há um súbito interesse (louvável, aliás) pela política portuguesa. Cedo me desenganei. Como Angelo de Sousa tinha falecido, grande parte das visitas vinha sugar a imagem de uma obra do Pintor, para usá-la, se calhar, noutros blogues. Que tristeza.

À guisa de alternativa e para variar esta massificação preguiçosa sugiro que, para ilustrar algum eventual epicédio, comprem ou consultem: da IN-CM, colecção arte e artistas, a monografia "Angelo de Sousa" feita por Bernardo Pinto de Almeida (1985), que não está esgotada. Mas há muito mais bibliografia sobre Angelo de Sousa. É preciso é trabalhar a procurá-la. Façam exercício, que faz bem ao corpo e à cabeça - a net não é tudo: é até muito pouco...