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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Em jeito críptico de metáfora


As arquitecturas frágeis ressentem-se e sofrem com a humidade, que lhes deixa manchas pardas, indeléveis, na porosidade das paredes, por onde há-de alastrar o bolor, esfarelando, pouco a pouco, o interior. No entanto, o seu prumo vertical permanece, embora uma atenção viva possa detectar uma ligeira curvatura ou inclinação.
No "Eclipse", de Antonioni, o homem que perdeu tudo na Bolsa, parece inexpressivo e indiferente ao desastre pessoal. Sai do edifício, e dirige-se para a esplanada, onde se senta. Pede um café e um copo de água, e toma uma pastilha (aspirina?). Escreve qualquer coisa num pequeno papel e, pouco depois, abandona a mesa, dirigindo-se, a passos lentos, em determinada direcção - continua a viver.
Monica Vitti, que tudo observou, curiosa, vai até à mesa, e pega no papel que o homem lá deixou. Encontra apenas os traços pueris de umas pequenas flores que o homem desenhou, e abandonou. Tudo a preto e branco.