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sábado, 1 de agosto de 2020

Joaquim Veríssimo Serrão


Escalabitano ilustre, o historiador Joaquim Veríssimo Serrão (1925-2020) faleceu ontem, com 95 anos, completados há pouco. Fui-lhe comprando a sua História de Portugal que, a partir de 1977, ele foi publicando através da Verbo.  A obra tem-nos sido muito útil, cá por casa - é o mínimo que posso dizer.
E, embora não comungando da sua visão ideológica, politicamente, e sendo eu  um mero amador sempre interessado pela história portuguesa, desde longe o considerei um homem probo e de firmes convicções, que não cedia às conveniências do tempo e da fortuna.
Venho entretanto lembrar um pequeno episódio epistolar (ver carta acima, em imagem), por mim iniciado, que se passou em 1988. Tendo eu acabado de ler o volume X da sua História de Portugal (1890-1910) encontrei um lapso na data do nascimento de D. Mauel II, de que me fiz eco em carta para a Editorial Verbo.
Pois Veríssimo Serrão teve a amabilidade de me responder pessoalmente, e com simplicidade. Coisa que, por certo, muitos não fariam...

sábado, 23 de março de 2019

A evitar, absolutamente (4)


Se há coisa de que eu gosto, desde que me conheço, é de História. E da de Portugal, em particular.
Diz-se, e eu acreditava, que o Expresso era um jornal de referência. No meio de tantos pasquins que se publicam, em Portugal, não seria difícil dar crédito a tal afirmação que implica seriedade, primeiro, algum rigor, e solidez naquilo que se publica. A ilusão mirífica apagou-se-me, há dias.
Acontece que, na minha banca de jornais, o dono do quiosque tinha, sobrante e vendável, a colecção completa dos volumes de O Essencial dos Reis de Portugal, publicada em anexo-bónus ao Expresso, ao longo de várias semanas anteriores. Comprei, assim, a colecção das 8 pequenas obras.
Cada um dos livrinhos, tinha um prefácio de Henrique Monteiro (1956), sujeito que já tinha sido, até Janeiro de 2011, director desse hebdomadário e escreve (ou preenche), recentemente, a penúltima página do jornal. Sempre o achei um cómico bem disposto, não estava era à espera, logo no primeiro prefácio (pg. 5), de um erro dele clamoroso e desta natureza (ver sublinhado a lápis):


Agora, pela amostra, imaginem-se os dislates que não irão ocorrer ao longo dos restantes sete prefácios do sr. Monteiro!...
Eu, pelo menos, irei continuar a considerar o rei D. Sebastião (1524-1578) como filho do infante D. João Manuel, este sim, filho de D. João III. E aconselho os colaboradores do jornal a frequentarem, rapidamente, um curso intensivo de História portuguesa. Porque isto pode ser contagioso.
Assim, esta excrescência que apareceu com o jornal Expresso deve ser de evitar, absolutamente!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Uma louvável iniciativa (12)


É minha convicção profunda que, só conhecendo o passado, poderemos perceber e ter objectivos de futuro. Ou eleger princípios essenciais para a nossa conduta pessoal, até mesmo para o país que nos viu nascer. Não se trata de romantismo e nacionalismo serôdios, mas de cultura essencial e básica.
É notório o desconhecimento histórico das últimas gerações de portugueses, com ignorâncias clamorosas, embora com algumas, raras, surpreendentes excepções, nos mais jovens. E, estas, mais por esforço próprio, por curiosidade cultural ou por pedagogia familiar. Que os programas escolares são, de há vários anos a esta parte, de uma indigência clamorosa, a nível da História de Portugal. As criancinhas são induzidas, preferencialmente, a conhecer a Revolução industrial Inglesa mas, ao mesmo tempo, desconhecem, por exemplo, o que se passou, por cá, entre 1383/85. Daí que grande parte dos nossos governantes pareçam apátridas - pelo menos, a falar e a vender o que temos... Em suma, o analfabetismo histórico grassa e faz caminho.
Daí que eu considere muitíssimo louvável, e para destacar, esta iniciativa do jornal Público, de pôr à disposição dos seus leitores, pelo preço imbatível de 1,50 euros, cada uma das dezasseis brochuras, com agradável grafismo e iconografia interior, sobre "Guerras & Campanhas Militares" da História de Portugal. O motivo foi o aniversário da Batalha de Aljubarrota, mas os temas são muito diversificados, e vão desde "As Guerras no tempo da Reconquista" até à "Restauração", etc..
Será, por isso, uma boa oportunidade e a bom preço, de lembrar (os que já souberem) e conhecer (os que desconhecem) alguns momentos e períodos importantes da história portuguesa. Os pequenos livrinhos estarão à venda, nas bancas, nos dias 13 e 14 de Agosto. Oxalá tenham a procura que merecem! 

sexta-feira, 2 de março de 2012

A insustentável leveza dos seres


É sazonal e cíclico, mas certo e constante. Mal começam as aulas, e com particular incidência na altura e época dos testes escolares ou das ilustremente chamadas "áreas-projecto-escola", começam a intensificar-se as visitas ao poste sobre Gomes Freire d'Andrade, onde se fala, de raspão, da peça de teatro "Felizmente há luar", de Luís Sttau Monteiro. É época, também, de numerosas visitas aos postes de Vergílio Ferreira, neste Blogue. Em vez de lerem as obras, os infantes vasculham na net. E, quando observo isto, dão-me uns ataques de nostalgia.
Mas há pior, ou imagino que o seja. Há dias, da mais prestigiada Universidade portuguesa, nos rankings internacionais, veio um(a) visitante consultar por largos minutos, no Blogue, um poste de cromos sobre a História de Portugal, colecção distribuída, nos anos 50, pela Agência Portuguesa de Revistas, e que teve grande êxito no final da infância e início da adolescência da minha geração. Não é para me gabar, mas quando entrei na Universidade, já levava lida a História de Portugal, de Alexandre Herculano, e bons excertos da, dita, Edição de Barcelos. Espero que essa visita, para sossego da minha alma, não tenha vindo do Departamento de História da tal Universidade, mas fosse de um modesto Segurança de serviço para se entreter, e que tinha um computador à mão. Mas também creio que já faltou mais para que alguns blogues, que andam no espaço, comecem a entrar, nas bibliografias universitárias, substituíndo livros e obras de referência. Como dizia Milan Kundera é "A Insustentável Leveza do Ser"...
Por outro lado, gostei imenso dumas "search words" que por aqui apareceram. Diziam assim, sem ponto de interrogação: "vespa morde ou ferra". Se eu tivesse podido entrar em diálogo com a visita, ter-lhe ia dito que a vespa deve ferrar, porque tem ferrão.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cromos 18 : História de Portugal


Produção, integralmente nacional, da Agência Portuguesa de Revistas, numa edição do Mundo de Aventuras, a colecção da História de Portugal era composta de 203 cromos e a caderneta custava Esc.4$00. O texto era de António Feio, com ilustrações de Carlos Alberto, e a colecção foi impressa na Fotogravura Nacional Lda..
Foi, seguramente, a colecção de cromos que mais impacto e sucesso teve entre os infantes e adolescentes da minha geração. E graficamente era também muito sedutora. É certo que o respeito e o amor à Pátria  nos eram incutidos na Escola e em casa. Nos actos públicos, nos rituais de efemérides e comemorações, e pela propaganda do Estado Novo - cada um tomava o que queria...
Em doses equilibradas, lamento que se tenha perdido esse respeito, e alguma admiração, pelo passado de Portugal. Mas, o que mais me perturba é a ignorância que grassa, em tanta gente, sobre a História de Portugal. Não a cega devoção pia sobre o passado, mas uma visão crítica, mas também orgulhosa sobre a Pátria e aqueles que contribuiram para a sua consolidação como País. É que só assim conseguiremos construir, com identidade própria, o nosso Futuro.