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sexta-feira, 12 de abril de 2024

Apontamento 164: Engano de alma + Hipocrisia

Quando li, há pouco tempo, que as embalagens dos medicamentos iriam deixar de ter a indicação do preço, achei um péssimo sinal. O cliente ficava sem nenhuma base para a comparação dos preços praticados pelas farmácias, perante a evidência que essa manipulação do preço existe.

Bem basta a recordação, de há décadas, de uma reunião conspirativa dos cabeças da Associação Nacional das Farmácias, com nomes sonantes, na área de partida do aeroporto de Lisboa, para não acreditar na inocência da medida.

Ora, então, hoje tive a confirmação. Encontrei um medicamento com o preço tapado, com fita, que felizmente consegui retirar sem estragar o registo original. Ficam as imagens entre o antes e depois da medida:



Por outro lado, desde a semana passada, por razão do novo governo, passei a ter umas indicações completamente hipócritas. Primeira medida de compaixão ?

 

No entanto, completamente hipócrita como se pode observar pelo confronto dos valores pagos !

Um aviso à navegação pelo quotidiano enviesado que nos espera, sem dúvida ! Para já fica o alerta !

Post de HMJ

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Mais um episódio da telenovela "justiça à portuguesa"


Com o habitual aparato mediático para épater le bourgeois, os agentes cómicos da justiça à portuguesa anunciaram a acusação de 73 pessoas e empresas no caso Tempestade Perfeita (Lá títulos sabem eles arranjar... Devem ter por lá um poeta desempregado.)
Já sabemos como tudo isto vai acabar. Como a montanha que pariu um rato - lá diz o ditado nacional.
A notícia só pode deslumbrar os ingénuos, os crentes e os parvos distraídos...

domingo, 16 de agosto de 2020

Apontamento 138: Hipocrisia






A hipocrisia, o fingimento e a dissimulação são, na sua essência, vícios humanos que revelam, sobretudo, falta de carácter e, quiçá, capacidade de discernimento.

O cenário hipócrita de alguns partidos políticos, apoiados, claro está, pelo Bastonário da Ordem dos Médicos e outros quejandos, não engana, nem deixa sossegado o cidadão,  profundo conhecedor da assistência à velhice, tanto a nível europeu como nacional, e indignado com o aproveitamento perverso da situação em lares espalhados pelo país.

Diga-se: basta de tanto aproveitamento e de tanta impunidade perante estes HIPÓCRITAS.

Não foi no tempo dos “pafunços” que se propagou a ideia, com justificação da  “troika”, como anteriormente o fez um Senhor Cavaco, que os velhos estavam a mais ? Houve algum registo de tantos lares ilegais espalhados pelos país, em vivendas sem nenhuma indicação por fora, disfarçando os antros de morte ?

Se o Senhor Bastonário dos Médicos desconhece o universo dos lares ilegais, devia estar calado em vez de fazer afirmações tolas como tem sido a sua postura. Pergunta-se, então, quem passa as certidões de óbito, frequentes, ocorridos nesses espaços inqualificáveis ? A certidão não terá a assinatura de uma pessoa com formação em medicina, havendo  a obrigatoriedade de reportar cenas e instalações inqualificáveis ? Quartos de dormir, de 16 m2, com camas ocupadas por mulheres e homens? É agora que o Senhor Bastonário dos Médicos e a dos Enfermeiros acordam para uma realidade há muito conhecida ?

E os partidos políticos -  CDS e PSD – ora muito incomodados, o que fizeram no tempo dos governos de Cavacos e Pafunços ? Andaram pelos subúrbios de Lisboa – e do Porto e pelo país fora – a identificar e registar os lares ilegais para terem agora alguma legitimidade para falar?

Aliás, já naquela altura era só começar a dar uma volta pelo país e, como último recurso, perguntar às pessoas da “terra”. Toda a gente sabe onde estão os chamados “lares baratos”, escondendo autênticas casas da morte.

No entanto, e com a autoridade de falar em causa própria, conhecendo uma boa e uma péssima assistência na velhice, é preciso desfazer a maior hipocrisia, a saber, a das famílias que, em primeiro lugar, são as principais responsáveis pelos cuidados escolhidos na fase final da vida do idoso. Parece que estão calados nem ratos !

Não vale a pena a pessoa enganar-se. A opção por uma boa assistência ao familiar idoso implica, em muitos casos, o desfazer da fortuna – móvel ou imóvel – acumulada pelo próprio ao longo da sua vida. A opção humanamente responsável é, de facto, que ela seja usada em seu benefício quando o idoso mais precisa de cuidados e que a família já não lhe pode proporcionar.

A hipocrisia é, sobretudo, de não falar dos familiares, como os primeiros responsáveis pela escolha e verificação das condições de assistência aos idosos.

Com todo este discurso perverso, digo que já não aguento tanta hipocrisia !

 Post de HMJ

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Quando a Meo nos deseja as Boas-Festas, inopinadamente, a...


...quem devemos agradecer e retribuir?
Ao CEO, da Altice, pimba e foleiro, com a sua cruz ao peito, e excesso de gel na tola? A algum acrisolado proletário, a recibo verde? A um computador perito em algoritmos?
Ou apenas à hipocrisia humana que, pelo Natal, normalmente se excede em caridade e requinte?

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Descartáveis


Sabe-se que o amor não é eterno, sobretudo na vida real. E os impulsos ou paixões fulgurantes, ainda menos. O que amamos na infância ou na juventude raramente nos desperta o mesmo sentimento, na idade adulta. É natural e humano, que assim seja. Mas há algumas coisas, neste capítulo, que tenho dificuldade em aceitar e, muito menos, compreender.
É sabido, embora sibilino pelo menos para o PAN que é um partido particular e ruralmente correcto, que, pelo início das férias, algumas boas almas simples, por entre lágrimas insofridas, costumam libertar para a rua um ou outro animal de estimação, para poderem usufruir, mais tranquilamente, os seus tempos livres... É assim que, aqui, na zona outrabandista, vagueiam em liberdade e matilha 4 canídeos, um dos quais ainda ostenta  uma afectiva coleira de amor passado. Quanto a gatos, esses donos caritativos já abandonaram dois às delícias da liberdade. Quando os vejo, lembro-me sempre de Nicolau Tolentino e do seu exemplar soneto Deitando um cavalo à margem

No que a livros diz respeito, nunca pensei, porém, que na sua imobilidade discreta pudesse estorvar ou incomodar o espaço dos seus proprietários. Hoje, fiquei na dúvida. Talvez estorvem o espaço de alguma gentinha pragmática com ligeiras intenções do sempre em festa - e devem incomodar. Porque encontrei, matinalmente, junto aos contentores do lixo outrabandista, uma pequena e desorganizada biblioteca juvenil. Composta por 5 ou seis livros escolares, ainda impecáveis, e cerca de uma dezena  de álbuns de BD, abandonados.
Deixo, em imagem, dois testemunhos. E devo confessar que fiquei siderado. Foi o meu momento zen, do dia, talvez da semana de início da sempre beatífica e libertadora silly season!...