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domingo, 17 de agosto de 2014

Personagens - a nitidez e a medida


Na ausência de feições visíveis ou de uma caracterização física e psicológica bem impressiva, num romance com grande número de personagens, o pobre do leitor (e muitas vezes isto me acontece) corre sempre o risco de se perder no labirinto, não conseguindo seguir, com precisão no fio narrativo, os nomes e as acções de cada um dos vários intervenientes, associadamente. Tudo, porque o autor não teve, talvez, nem a noção do equilíbrio, nem piedade para com o Outro - ser humano que o viesse a ler.
A maior parte das vezes, embora pareça ter o cuidado e a preocupação de nunca se exceder no número de figuras dos seus romances, Georges Simenon consegue que o leitor, son semblable, son frére, quase nunca se perca no enredo das suas obras. É essa - parece-me - uma das marcas de água por onde é mais simples reconhecer a qualidade e solidez de um bom ficcionista. Ou seja, não perder a noção real do mundo exterior que o rodeia.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As ditaduras de algodão


De uma forma subtil e sofisticada, mas gradualmente persistente, tem vindo a propagar-se, no mundo, uma nova ordem quase monolítica de pensamento único e de métodos uniformes de Poder. Já não tem a aparência férrea e intimidatória das ditaduras do século XX, mas as maças do poder único, embora recobertas a algodão "suave", aparentemente macio, ao baterem, têm no seu interior, a dureza e a força do metal pesado.
O alibi mais usado e invocado são as razões de ordem económica, mas incidem sempre sobre o cidadão comum, sufocando-o, restringindo as suas liberdades e diminuindo os seus direitos. Mas o despudor vai tão longe que, por vezes, nem a decisão dos governos é justificada perante os nacionais. A abstenção de Portugal no Conselho de Segurança da ONU, aquando do voto sobre a aceitação da Palestina, é disso um bom exemplo. A Espanha e a Itália tiveram a hombridade e coragem de votar a favor. O sr. Portas não precisava de ser tão "americano".
Outro dos exemplos é a retirada das subvenções à Unesco, por parte dos Estados Unidos (do sr. Obama, imagine-se!, que se tem revelado um grande cómico...), em retaliação pelo organismo internacional ter aceite, no seu seio, a Palestina.
Mas o caso e exemplo mais flagrante destas novas ditaduras de algodão ocorre na Rússia. Quais Dupont e Dupond, de Hergé, os srs. Putin e Medvedev preparam-se para a terceira contra-dança, na troca de cadeiras do Poder, nas próximas eleições presidenciais, em Março de 2012. Putin candidatar-se-á, de novo, à Presidência e, uma vez eleito (como tudo indica), nomeará Medvedev para seu fiel Primeiro Ministro. Mais do mesmo, sob a capa inefável de algodão puríssimo. E como diz o anúncio: " o algodão não engana!"

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Efemérides


Georges Prosper Rémi (1907-1983), nascido na Bélgica, e mais conhecido pelo nome de Hergé, foi o criador duma das mais conhecidas figuras europeias da BD: Tim-Tim. O pequeno herói teve o seu nascimento, aos quadradinhos, em 10 de Janeiro de 1929. E longa vida, quase até à morte do seu inspirado criador.