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sábado, 23 de agosto de 2025

Desabafo (100)

 
A contiguidade geográfica momentânea obriga-me a ouvir um daqueles ruídos martelados e sem imaginação, a que dão o nome de rap. E que é apreciado, ao que parece, por gentinha cujas células cinzentas, ao contrário das de Poirot, não mexem de todo e se contentam com as repetições contínuas. Consola-me porém pressentir que estas mediocres charangas de grunhos não irão durar muito mais do que durou aquela coisa desmiolada a que os franceses literatos deram o nome pomposo de estruturalismo.

domingo, 8 de novembro de 2020

Caracterização da personagem



Li algures, aqui há algum tempo, que o rei D. Dinis (1261-1325) não era alto e que teria cerca de 1m64 de altura. Não sei por onde o retratista teria chegado a essa tão minudente conclusão... Mas, entretanto, se formos ao Google e quisermos imaginar Hercule Poirot, talvez 90% dos traços físicos dos detectives aparecidos, identificam a figura afectada do canastrão David Suchet como tal personagem de Agatha Christie (1890-1976). Peter Ustinov, Albert Finney ou o recente John Malkovich, que também representaram o detective no cinema ou televisão, estão figurados de forma residual e envergonhada.



Mas não há nada como dar voz à sua criadora oficial, Agatha Christie, que em Crime na Mesopotâmia nos fornece alguns traços gerais de Poirot. Socorro-me do volume 35 da colecção XIS (Editorial Minerva), para citar: ... Poirot era um tipo estranho... Este homenzinho rechonchudo, com pouco mais de um metro e sessenta de altura, parecia muito velho, devido ao seu farfalhudo bigode e à sua cabeça redonda e lisa como um ovo. (pg. 78); mais curiosa, porém, achei eu esta afirmação do detective belga, na página 198: Tive uma longa conversa com o padre Lavigny. Sou católico praticante e conheço uma quantidade razoável de padres e...