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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Do que fui lendo por aí... 47



Para ser verdadeiramente rigoroso, eu deveria ter escrito no título do poste: Do que fui relendo por aí...
Estas monografias que têm, por trás, um trabalho insano de investigação, lêem-se com imenso agrado, por amor à terra e, provavelmente, terá sido pelo mesmo sentimento acendrado que foram feitas. Inicialmente publicadas no Boletim dos Trabalhos Históricos e, depois, em separatas individuais, vieram a ser editadas em 2 grandes e belos volumes, por Maria Adelaide Pereira de Moraes (1930), com o patrocínio da Câmara de Guimarães, em 2001. Por lá se vão desfiando as gestas dos Margarides, dos Costeados, das gentes da Casa de Sezim (que Fonseca e Costa usou para cenário de um dos seus filmes), dos Amarais da Casa da Aveleira...
São estes dois volumes que eu estou a reler, para matar saudades da terra, como diria Gaspar Frutuoso.



terça-feira, 18 de junho de 2013

Simbologia, cartas de jogar e heráldica (pela rama)


Antes de mais convém dizer, em abono da verdade, que nada percebo de heráldica (penitencio-me antecipadamente de alguma incorrecção), mas sempre gostei de jogar cartas - a Sueca, o King e o Poker eram os meus favoritos. Por outro lado, a simbologia sempre me interessou e, sobretudo, a sua evolução através dos tempos, na personificação actualizada dos próprios símbolos e no seu alargamento de espaço e significado, maleável e adaptado.
Do folhear de um livro, tese de licenciatura de Francisco de Simas Alves de Azevedo (Uma Interpretação Histórico-Cultural do Livro do Armeiro-Mor, 1966, Lisboa), rico em informações, veio-me o saber que os armoriais, normalmente, se iniciavam pela iconografia dos chamados "Nove da Fama" (Josué, o rei David, Judas Macabeu, Alexandre Magno, Heitor, Júlio César, o rei Artur, o imperador Carlos Magno e Godofredo de Bulhões), com os seus respectivos atributos (brasões, bandeiras e outros símbolos identificativos). No final do séc. XIV, juntou-se-lhes Bertrand du Guesclin, passando a ser os "Dez da Fama".
Desta simbologia religiosa e aristocrática, em Portugal, veio a seguir-se uma heráldica das corporações e ofícios de que, talvez um dos mais curiosos exemplos, seja o das siglas das famílias, nos barcos dos pescadores da Póvoa de Varzim, que A. Santos Graça abordou no seu estudo "O Poveiro". Mas não foi só por aqui, pelas corporações, que as personagens "da Fama" tiveram influência e continuidade. Também nas cartas de jogar, os Reis e os Valetes (embora só 8) são inspirados neles.
E como a simbologia se move, alarga e adapta, deixo em imagens, essa representação de reis e valetes de um baralho de cartas de jogar, da segunda metade do séc. XX. Aqui, os homens "da Fama" são ruanos e proletários, laicos tipos regionais das províncias portuguesas. Um longo caminho percorrido, sem dúvida.