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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Citações DXXI

 

A especulação é um luxo, enquanto a acção é uma necessidade.

Henri Bergson (1859-1941), in L'Énergie spirituelle (1919).

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Rir



Assim começa Le Rire, de Bergson (1859-1941), pela minha despreocupada tradução:



Que significa rir? Que há na base do risível? O que é que se pode encontrar de comum entre a careta de um palhaço, um jogo de palavras, um quiproquo de revista ligeira, uma cena de fina comédia? Que resultado nos dará a destilação da essência, sempre a mesma, à qual tantos produtos diversos emprestam ou o seu indiscreto odor ou o seu perfume delicado? Os maiores pensadores, desde Aristóteles, enfrentaram este pequeno problema, que se desnuda sob esse esforço, desliza e se escapa, volta a encobrir-se, impertinente desafio ousando a especulação filosófica. (...)

Nota pessoal: não sou muito dado a filosofias, mas esta é a minha obra predilecta de um dos meus pensadores de referência. Mesmo em coisas simples, Bergson faz pensar.

 

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Citações CCCLXXXVIII


O presente contém apenas o passado, e aquilo que é encontrado no efeito já existia na sua causa.

Henri Bergson (1859-1941), in L'Évolution créatice (1907).

segunda-feira, 9 de março de 2015

Comic Relief (104)

Quem nunca foi vítima de um ataque de riso incontinente, em momento(s) impróprio(s), que atire a primeira pedra. Que, muitas vezes, pela ausência de motivo suficiente acaba por ser extremamente contagioso.
E creio que nem Bergson, que abordou o riso de forma filosófica e ampla, terá conseguido explicar essa inconveniência humana da situação.
Erupção espontânea, o facto atesta não só a independência da emoção, como também a transgressora tentação do politicamente incorrecto - é esse, pelo menos, o meu entendimento pessoal.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Citações CCV


A inteligência é caracterizada por uma incompreensão natural da vida.

Henri Bergson (1859-1941), in L'Evolution créatrice.

sábado, 16 de junho de 2012

Hegel, Bergson, o suicídio e George Steiner


"Hegel, que podia ser muito mau, como todos os grandes pensadores, tinha a seguinte piada: «Porque é que o judeu nunca se mata? Porque quer ler o jornal do dia seguinte.» No fundo, isto é muito profundo. Já passei por momentos, como todo o ser humano, de terrível depressão: o sentido da mediocridade, a grande decepção - queria ter sido como você, escritor, e não um crítico, não um professor. Vivi momentos muito negros, mas, de facto, sempre quis ler o jornal do dia. Sou um apaixonado pela realidade, pelo movimento da realidade, pelo élan, como dizia Bergson, o élan da duração. Ora matar-se significa nunca mais ler o jornal. E isso é muito..."
George Steiner em conversa com Lobo Antunes, in Revista Ler (nº 107, Novembro 2011).

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O cómico


Ser cómico é uma arte difícil. Entre os esgares de um Jerry Lewis e a imota expressão melancólica de Buster Keaton, há uma diferença de tomo, embora ambos consigam arrancar gargalhadas ao ser humano mais sorumbático - desde que tenha sentido de humor. Bergson, em "Le Rire", disse-o, para sempre, de modo filosófico e profundo.
Porque não é fácil ser cómico. Daí a frase popular: "este quer fazer-se engraçadinho..." Normalmente, dita em tom sério e depreciativo. Porque, primeiro, é preciso estudar o tema, ensaiar o tom, definir prioridades num discurso crescendo de relaxe, mas também de expectativa, para com o ouvinte ou espectador. E, sobretudo, programar ao milímetro, dissimulada e minuciosamente, a mímica facial.
Mas há também um humor naïf, não preparado, que decorre da ignorância ou da palermice. Humana, para usar um adjectivo e clarificar melhor. Que colhe, da desarrumação mental, da pura irracionalidade, uma gargalhada sonora. No ciberespaço, abunda entre as search words mentecaptas de alguns "usuários" e as respostas ou traduções rurais do motor de busca Google americano. Venha o diabo e escolha, qual o mais hilariante!...
Saia a última! Diz o visitante: "fotos de ingrid andrade, via vitoria mesquita somic ali!"; responde o Google, do alto da sua ignorância cósmica e iliteracia primária e disléxica: Arpose - "Comic Relief (1) - uma intermediação de Vicky Pollard".
E "riase la gente", como dizia Gongora... 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Da Filosofia, Bergson em particular



Creio ser consensual dizer que Portugal não é um país de filósofos. Só com manifesta generosidade e complacência conseguiremos alinhar alguns, poucos, nomes sob a chancela de uma dita Filosofia Portuguesa.
Eu próprio não me considero grande apreciador e leitor de Filosofia, em geral. Se excluir Berkeley, Kierkegaard, Schopenauer e Nietzsche, o que li, li-o mais por obrigação do que prazer. E foram, normalmente, leituras demoradas e penosas, na maior parte dos casos. Nem a "Ética" de Espinosa, judeu de origem portuguesa, consegui levar até ao fim, muito embora o tentasse por várias vezes.
Tenho, no entanto, um exemplo e caso de leitura agradabilíssima de uma obra filosófica - "Le Rire" de Henri Bergson (1859-1941). É um livro que recomendo a quem não gostar, particularmente, de Filosofia. E, por isso, aqui estou a lembrar Bergson, hoje, dia em que passa mais um aniversário da sua morte, ocorrida a 4 de Janeiro de 1941.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bergson, a propósito do humor e do riso


Da obra de Henri Bergson (1859-1941), Le Rire:

"Numa sociedade de inteligências puras não se choraria, provavelmente, nunca mais, mas rir-se-ia, talvez, ainda;"

"Não será um raciocínio análogo ao de Giboyer em «Effrontés»? Fala-se de uma noiva de quarenta anos que leva flores de laranjeira nos seus cabelos de núpcias: «Ela teria direito a laranjas» diz Giboyer."

"Théophile Gautier disse do cómico extravagante que é a lógica do absurdo."

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O humor, segundo Daninos


A leitura recente, que tenho feito, de um livro de Pierre Daninos (1913-2005), Le Tour du Monde du Rire (Hachette, 1956), que é uma espécie de antologia abordando o tipo de humor de vários países, feita por diversos autores, tem-me feito reflectir sobre o riso e o sorriso. É um tema que sempre me interessou, desde que li o livro de Henri Bergson, sobre o assunto.
Sei, por conhecimento próprio que, um dos tipos de humor que mais aprecio, é o britânico. Com a sua carga de "non-sense", o seu lado negro, por vezes, cruel. Neste livro que ando a ler, André Maurois (bom conhecedor da cultura inglesa) cita uma história sintomática e típica do humor britânico: um cidadão londrino, perante uma forte tempestade no Canal da Mancha, que interrompe as comunicações marítimas, diz apenas: " o continente europeu está isolado!"
Mas também é um facto que, cada país, escolhe um bode expiatório de estimação para a troça que faz, rindo dele. O inglês privilegia o escocês, sobretudo, com temas sobre a avareza. O belga escolhe a Holanda. Portugal opta, algumas vezes, pela Espanha, quando se esquece dos alentejanos. O Brasil troça, normalmente, do português emigrante (nós, ainda não começamos a retribuir...). Parece que a França goza, às vezes, com a lentidão dos suiços. Os alemães centram algumas das suas melhores anedotas sobre os polacos. E assim por diante...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Favoritos VIII : a elegância de Bergson



Não tenho ouvido, ultimamente, falar de Henri Bergson (1859-1941). A sua obra mais conhecida, "Le Rire", foi para mim, um livro muito gratificante. Pela finura do seu pensamento, pela elegância da sua escrita. Vou relembrar o seu início:

"Que significa o riso? O que é que existe no interior do risível? O que é que podemos encontrar, de comum, entre o esgar de um palhaço, um jogo de palavras, um "quiproquo" de revista, uma cena subtil de comédia? Que destilação nos dará a essência, sempre a mesma, a que tantos produtos diversos nos levam, pelo seu discreto aroma ou através do seu delicado perfume? Os maiores pensadores, depois de Aristóteles, abordaram este pequeno problema que sempre se desvanece perante o esforço, desliza, escapa-se, volta a surgir, como um impertinente desafio lançado à especulação filosófica..."