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domingo, 31 de dezembro de 2017

O que fica do que foi


Ao passear a vista pelos desaparecidos em 2017, no jornal de hoje, fiquei surpreendido por algumas figuras que pareciam ter morrido há muito mais tempo. Se o falecimento de Johnny Hallyday ainda me estava presente, na memória, por recente, a morte de Helmut Kohl (em Junho de 2017) parecia-me ter ocorrido há muito, num passado distante já muito obscurecido.
Nem tudo se pode arrumar na cave, fechando o saco, ou no poräo, se preferirmos a metáfora marítima. E, por outro lado, ninguém adivinha quem vai subsistir, verdadeiramente, por influencia, memória e imagem tutelar, nas nossas vidas, daqueles que väo desaparecendo. Como dizia Marguerite Yourcenar, só "o tempo, esse grande escultor" ditará os nomes que nos väo acompanhar, até um dia...

sábado, 2 de janeiro de 2016

Recomendado : sessenta - dossiê Mittérrand


Não se peça a um político que seja ingénuo, ferreamente coerente, bondoso. Inteligência, visão de futuro, algum cinismo, o pragmatismo da frieza na res publica, alguma fidelidade, se não à coerência, pelo menos a alguns princípios - são imprescindíveis ou necessários.
Por isso, recomendo este fora-de-série da revista francesa L'Histoire, saído recentemente e dedicado a François Mittérrand (1916-1996). Vinte anos dão para fazer uma avaliação isenta e desapiedada. Se não fosse por mais, e em benefício de inventário do grande estadista francês, teremos de lhe reconhecer uma nítida e ampla visão da Europa. E a abolição da pena de morte, em França. Não serão coisa pouca...


sábado, 8 de janeiro de 2011

François Mittérrand, há 15 anos


Esta fotografia que encima o poste é, para mim, emblemática. Helmut Kohl e François Mittérrand, de mãos dadas, em Verdun, no ano de 1984. Era no tempo em que a Europa se unia e se ia construindo, sob a chefia de estadistas de craveira superior; não a Europa de hoje, com chefes de estado medíocres, mesquinhos, a fazer contas de merceeiro e a defender a sua "vidinha " pequenina e nacional...
François Mittérrand (1916-1996) morreu, precisamente, há 15 anos, poucos dias depois de visitar, civilmente, o Egipto. Como Charles de Gaulle, também, tinha visitado a Irlanda, como simples cidadão, pouco antes de morrer. Eram pequenos gestos, talvez simbólicos ou de gosto, que marcavam percursos de vida. Mas que espelhavam, ao mesmo tempo, a universalidade do seu espírito.
Mesmo na intimidade (e li, muito recentemente, um livro de Michel Charasse, um íntimo de F. M., em que o autor nos dá, em pinceladas impressivas, um pouco do seu retrato de proximidade - 55 faubourg Saint-Honoré, Ed. Grasset), François Mittérrand é um dos últimos estadistas europeus com dignidade humana e horizontes universais, exemplares.

P.S.: para MR, que lembrou F. M., previamente, no Prosimetron.