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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Últimas aquisições (7)


Tenho paciência bastante para, tranquilamente, esperar que, de autores recentes e modernos, as suas obras venham a aparecer nos alfarrabistas, embora usadas. Do processo, excluo por impaciência pessoal, apenas Steiner, Sebald, Magris e Manguel - e é tudo, creio. Que gosto de ler, mal sejam editados, em Portugal.
O resto, é uma questão de tempo e o preço, normalmente, compensa bem a espera. Tirando Los Sueños (Espasa-Calpe, 1952), de Quevedo, que aposentado na "salgadeira" (H. N. dixit), me custou apenas 1 euro, dei pelos outros 4 livros, que comprei ontem, aquilo que daria, pouco mais ou menos, por um deles, novo.


Vou assim também averiguar das excelências da escrita de Philip Roth (1933-2018), que muita gente incensa, e de quem nunca li nada.
Um único problema subsiste: em que lugar irei eu arrumar estes 4 livros, depois de lidos, quando a casa já está superpovoada e pejada deles?

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Boinas


Se "chapéus há muitos", como dizia Vasco Santana no filme, boinas - ao que me parece - há cada vez menos. Muito embora a boina, a partir da segunda metade do século XX, se tenha difundido muito nos fardamentos militares. Na infância, não gostando delas, usei-as um pouco por imposição materna e, quando pensava ter-me libertado para sempre, eis que fui obrigado a usar uma castanha, na tropa, em finais dos anos 60.
Quando, hoje, lancei o poste "Politicamente incorrecto" fiquei a olhar demoradamente para a foto de Jorge de Sena, na Ilha de Moçambique, onde usava também  boina. E recordei-me de Raul Rêgo, bem como de Heinrich Böll, que também as usavam. E, onde, haveria, pelo seu uso um sinal de pertença. Originárias do país basco, e usadas sobretudo por pescadores e camponeses, elas foram como que um distintivo, na Guerra Civil de Espanha.
Só depois é que aparece a boina de Che Guevara...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Os diálogos possíveis


As citações colhi-as no TLS (nº 5722), e são referidas na recensão a The 1.000 Wisest Things, de David Pratt (Robson, 2012), todas elas de homens célebres nobelizados. Em confronto imaginário, seriam:
1. Sartre diz para Camus - "Um caso de amor, uma carreira, uma revolução: estas aventuras em que embarcamos sem saber como vamos sair delas"; e Camus poderia contrapor: "Todas as revoluções modernas acabaram num reforço do poder do estado".
2. Ytzak Rabin para Arafat (prémios Nobel da Paz, em 1994): "Hoje vim trazendo um ramo de oliveira e uma arma. Não deixes o ramo de oliveira cair da minha mão"; e Arafat poderia ter respondido: "Tu não podes fazer a Paz com os teus amigos. Podes, no entanto, fazê-la com os teus mais desagradáveis inimigos".
3. Juan Ramón Jimenez disse: "Esquecer é uma virtude, a memória, um vício"; e Heinrich Böll poderia responder: "Uma sociedade sem memória, é uma sociedade doente".
Mas, para além destas diatribes de contraposição provocada, há, nesta recensão do TLS, alguns ditos de espírito bem interessantes, de que vou referir dois:
de Saul Bellow: "Um estrangeiro é sempre mais estrangeiro, em França.
François de Mauriac: "Eu só posso gostar e compreender o Inglês depois de ele ter morrido."

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

H. B., post-scriptum



"Eu nada tenho contra os animais. Pelo contrário, gosto deles e agrada-me acariciar, à noite, a pele do nosso cão, enquanto o gato se vem sentar no meu regaço. Dá-me prazer ver os meus filhos a alimentar a tartaruga ao canto da sala de estar. Até mesmo o hipopotamozinho, que temos na banheira, conquistou um lugar no meu coração e os coelhos, que correm livremente pela casa, há muito que não me enervam. De resto, estou habituado a encontrar, à noite, visitas inesperadas: um pintainho pipilante ou um cão vadio que minha mulher quis recolher. É que minha mulher é uma boa alma, não escorraça ninguém da porta, homem ou animal, e há muito que à oração da noite dos nossos filhos se juntou esta flor de retórica: «Senhor, envia-nos mendigos e animais»..."

Heinrich Böll (1917-1985), (início de) Os Hóspedes Inesperados (Arcádia, 1960).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Convite a uma releitura


Relembrar Heinrich Böll, no Arpose, surgiu a propósito da conclusão da edição da sua obra, em 27 volumes, pela editora Kiepenheuer & Witsch de Colónia. O artigo do DIE ZEIT, numa homenagem louvável, aproveita a publicação para falar da obra de Heinrich Böll. Contrariando algumas vozes que consideram certas temáticas da obra de H.B. factualmente ultrapassadas, o artigo endereça um convite convincente a uma releitura dos seus romances. Dos apelos dirigidos ao leitor, acolhemos alguns, a saber:
- a literatura não convence quando baseada na factualidade, a não ser que os factos se elevem a um outra verdade superior;
- a mentalidade autocrática não morreu com o fim da 2ª Guerra Mundial, ela permanece;
- olhando para muitos escritos actuais, conclui-se que a literatura perdeu o seu poder e impacto;
- tendo havido, no passado, obras que não se enquadram na grande literatura, elas eram, no entanto, referências de uma literatura com um enorme efeito junto dos leitores.
Assim, o que levou a retirar, de novo, da estante o livro reproduzido na imagem: O Pão dos Verdes Anos, foi esse impacto que sempre emanou da obra de Heinrich Böll. O que permanece é, afinal, o seu postulado do literário como exercício de uma ética associada a uma estética, elevando o seu conceito de com+paixão ao ponto de provocar a ira e a indignação.


Post de HMJ