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quinta-feira, 30 de maio de 2019

O ar do tempo


Entre esta famosa edição incunabular da Crónica de Nuremberga (1500), de Schedel, uma das primeiras em língua alemã (a original era em latim) e este Potter da Pedra Filosofal, de J. K. Rowling, vai quase um intervalo de 5 séculos.
Por ironia do tempo e do destino, a base de licitação deste último livro é o dobro (20.000/30.000 libras) do valor estimado do célebre incunábulo alemão (10.000/15.000 libras). 
Assim vão os tempos ligeiros, que correm.
Os dois lotes pertencem ao leilão da Forum Auctions, que decorre hoje, em Londres.

Em tempo:
terminado o leilão, posso informar que Das Buch der Croniken und Geschichten foi retirado de praça. Enquanto a primeira edição (1997) de Harry Potter and the Philosopher's Stone foi arrematada por 28.000 libras.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Os neo-realismos


Um artigo do TLS (nº 6044) sobre a edição, em meados dos anos 40/50 do século XX, de livros destinados à classe trabalhadora inglesa (que se aglomerava sobretudo em zonas de maior incidência industrial: Sheffield, Leeds, Liverpool...), fez-me duvidar da ideia pessoal, que tinha, de que o neo-realismo (literário e cinematográfico, pelo menos) se tinha limitado e proliferado, sobretudo, nos países latinos europeus, da América latina e dos Estados Unidos depois da Depressão de 1929. Uma coisa é certa porém: este tipo de literatura, hoje, dificilmente teria leitores, mesmo que os motivos fossem actualizados. A consciência de classe, do chamado proletariado, é presentemente muito branda e, com excepção minoritária, despolitizada e ideologimente neutra ou ignorante, do ponto de vista teórico. Isto faz com que possa ser capturada, facilmente, por qualquer tipo de populismos: em França, isto tem vindo a ser notório. Mas não só.
Na Inglaterra, e segundo o artigo do TLS, o interesse por esses livros começou a diminuir a partir do momento em que as classes trabalhadoras, tradicionalmente de homens brancos, começaram a ser invadidas por minorias: mulheres, negros, emigrantes. Para o articulista do TLS, esta teria sido uma das razões principais. Tenho grandes dúvidas sobre o facto.
Pessoalmente, considero datas mais marcantes, em Inglaterra, o ano de 1984, com a greve dos mineiros e o ano de 1989, do ponto de vista europeu, com a queda do muro de Berlim. Foi a partir daí que o neo-liberalismo e o capitalismo tomaram freio nos dentes, na minha perspectiva. E o proletariado se começou a descaracterizar como classe, talvez achando possível aceder a outros patamares, em que o consumismo, as revistas róseas e as raspadinhas eram alguns dos novos ópios do povo. Mais recentemente, a vacuidade das redes sociais com os seus temas rasteiros de lana caprina e a banalização paroquial uniformizada da comunicação social, fizeram outro tanto. O menino que cai ao poço, lá longe, ou a menina que desaparece, misteriosamente, são o entretém e as novas telenovelas.
Quem os vai trocar por Steinbeck ou pela leitura de Redol?
E não será decerto Jeremy Corbyn (1949) que conseguirá encarnar num novo angry young man, ainda que actualizado. Muito menos, a senhora May poderá assumir a assombração e o fantasma descarnado de Margaret Thatcher (1925-2013).
Como diria Manuel Bandeira (1886-1968): ..."Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino." Ou então, convocar Paulo Coelho, com a ajuda das artes mágicas de Harry Potter.