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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Fraquezas líquidas


Com o bicentenário da morte de Jane Austen (1775-1817), os mínimos detalhes da sua vida têm sido estudados e devassados, pelos ingleses. Foi assim que se veio a saber que a bebida preferida da romancista era a Porter, um tipo de cerveja preta muito popular no século XVIII e XIX. Que ainda hoje se fabrica na Grã-Bretanha. O nome por que é conhecida essa cerveja é uma espécie de homenagem aos trabalhadores portuários ingleses.
Dos beberrões ingleses, reza a história recente de Albufeira (Algarve), por lá terem provocado desacatos, por várias vezes, tendo sido necessário chamar a polícia para os conter e manter na ordem. Mas não só os britânicos e nem só as classes baixas. Até os políticos se entregam, por vezes, a excessos alcoólicos. Todos devemos estar lembrados das prestações televisivas deprimentes de Yeltsin, Aznar e Sarkozy. Para não falar de um ex-ministro português de Economia que, na Assembleia da República, começou a debitar, depois do almoço (provavelmente bem regado), parvoíces e banalidades infantis, para surpresa de todos...
Voltando à Inglaterra. Lembremo-nos que Winston Churchill não passava um dia sem consumir 5 ou 6 whiskies, mais uns 3 ou 4 brandies. Em dias especiais, não dispensava o seu favorito champanhe  francês Pol Roger, para comemorar. Terá consumido, ao longo da sua vida, milhares de garrafas.
Recentemente, o jornalista britânico Ben Wright publicou um livro (Order, Order: The rise and fall of political drinking), em que conta algumas cenas idílicas e edificantes sobre o tema. Refere, por exemplo, que o primeiro-ministro Harold Wilson (1916-1995) considerava Roy Jenkins (Finanças) um dos seus melhores ministros, mas só "até às 7 da tarde". Mais caricata, terá sido, no entanto, a prestação de um ministo do gabinete de Macmillan, numa visita oficial ao Peru. George Brown (1914-1985), após a refeição, insistiu em dançar com uma figura, elegantemente vestida de púrpura. Acontece que a orquestra tocava, na altura, o hino nacional peruano, e a personagem era, nada mais nada menos, que o arcebispo de Lima, capital do Peru...

quarta-feira, 17 de março de 2010

O leão, a águia, o galo de Barcelos, e a cabra (ou vaca de Míron)





Antes de mais, uma declaração de interesses: sempre fui mais anglófilo do que germanófilo, desde que comecei a pensar, politicamente. Em 1973, quando pela primeira vez fui a Inglaterra, um discurso de Harold Wilson, de cerca de 5/7 minutos, que vi e ouvi na BBC, convenceu-me de como em política se pode ser breve, lógico, verdadeiro e, racionalmente, conclusivo. Infelizmente, Blair com o seu virtuosismo "palhaciano" abalou-me, profundamente, nas minhas convicções pró-britânicas. Esperei muito de Brown, mas tem-me sido uma grande desilusão...
Por outro lado, Kohl ( aquela mão dada com Mittérrand, não me sai da memória!) e, agora, a Sra. Merkel, não sendo do meu quadrante político, têm-me convencido da sua "bondade" pragmática: realismo, solidariedade e razoabilidade de princípios.
Hoje, no "Público", Teresa de Sousa, jornalista que leio sempre com atenção e que, francamente, admiro a tratar as questões europeias, faz a pergunta : "O que quer a Alemanha da Europa?" No que escreve, estou em profundo desacordo, e acho que é a primeira vez em que tal acontece. Então a Alemanha é que tem de pagar os dislates, incontinência, gastos e consumo perdulários de alguns outros países europeus? Será que temos de ter sempre um "paizinho" protector e um guarda-chuva emergente e providencial para a nossa inconsciência e erros?