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sábado, 15 de novembro de 2025

Adenda ao poste anterior


"... Pois as lendas atraem a elite como as ideologias atraem os homens comuns, e como as descrições de «terríveis» forças ocultas atraerm a ralé e a escória."

Hannah Arendt, Idem (pg. 123).

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Últimas aquisições (62)



Acabados de chegat do Porto (Livraria Lumière), estes dois livros de temas políticos, que prometem, terão de esperar a sua vez, pelos que se encontram a meio da leitura. E que não são poucos...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Citações CDLVIII



Todos os desgostos podem ser ultrapassados se os transformarmos em história ou se contarmos uma história a seu propósito.

Hannah Arendt (1906-1975), in Condition de l'homme moderne (1958). 

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Osmose 99


O mal é, normalmente, absolvido pelo tempo, mas o bem nem sempre é compreendido. E não será preciso, em abono desta afirmação, referir Fidel ou citar Hannah Arendt: a História confirma-o, quase sempre.
Uma revolução tem, na minha opinião, qualquer coisa de ingénuo e qualquer coisa de cruel. Aspectos que, na sua evolução, criam à maioria das pessoas algum incómodo interior. E que, consoante a sua capacidade de manobra ou de poder, tentam modificar a seu gosto ou mesmo neutralizar. Para conservar a sua rotina tranquila de viver, ainda que banal. As necessidades são sempre básicas, os ideais, difíceis de descrever ou concretizar e o cepticismo nem sempre se compadece com o sonho.
A alegria adulta, porém, passa quase sempre pelo sobressalto, pela medida das coisas impossíveis ou improváveis. No fundo, por viver de outra maneira.

para AVP, com um piscar de olhos...

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Mote e glosa (13)


Heidegger não pensa "sobre algo", mas pensa algo.
...
... a capacidade de nos surpreendermos perante o que é simples (...) e tomar como ponto de partida este sobressalto.

Hanna Arendt (1906-1975), in Revista de Occidente (nº 84, 1970).

................

O tempo desocupado por inteiro pode, nalguns casos e após um período neutro de transição (as férias não são o suficiente...), levar-nos a questionar as coisas mais simples, os factos dados como encerrados, os saberes adquiridos, as frases feitas. O tempo, dito, de reforma ou de aposentação pode, por isso, ser portador de novas curiosidades e descobertas. Criando assim um espaço de reflexão inesperado, natural.
Se a idade, necessariamente, nos faz desaprender, até pelos saberes que fomos esquecendo com o tempo, devido a não os usarmos, esse novo espaço livre pode vir a ser uma fonte fresca e seara de conhecimento, desde que o tomemos como ponto de partida para esse sobressalto.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Mary McCarthy (1912-1989)


À excepção de John Updike, dos autores norte-americanos, é talvez Mary McCarthy a escritora mais representada na minha biblioteca. Acontece que, em finais dos anos 60, estive para fazer um trabalho universitário sobre a sua obra e só à última da hora optei antes por Updike.
Numa das suas últimas entrevistas, Mary McCarthy, perguntada se posta perante uma escolha de voltar a re-viver, faria tudo na mesma, terá respondido que escreveria mais, mas leria menos.



Mulher de fortes convicções, a escritora teve uma polémica intensa com Simone de Beauvoir, figura que detestava, aliás. A emulação entre as duas é atestada por dois livros que, com diferença de apenas um ano, publicaram. Em 1957, McCarthy editou Memories of a Catholic Girlhood e Beauvoir, no ano seguinte (1958), fez editar Mémoires d'une Fille Rangée. Por outro lado, a norte-americana cultivou, com grande fidelidade, uma forte amizade com a filósofa Hannah Arendt, cuja evidência é testemunhada pela volumosa correspondência, recentemente publicada.
Os direitos cívicos e a guerra do Vietname foram duas das grandes causas em que também se empenhou intensamente.



Depois de alguns anos de relativo apagamento, a obra de Mary McCarthy parece suscitar um renovado interesse revelado pela publicação da sua obra completa (The complete fiction), em dois volumes, pela Library of America. O que não deixa de ser uma boa notícia.


domingo, 23 de agosto de 2015

Educar / Aprender


Há pouco, ouvi numa entrevista de Hannah Arendt (1906-1975), ela explicar dois conceitos de base, que lhe foram transmitidos pela mãe (o pai morreu, era ela muito jovem). Sendo judia, Hannah frequentava a Escola, quando o nazismo começou a ganhar espaço, politicamente.
As orientações eram simples: se algum professor fizesse, nas aulas, algum comentário injurioso sobre os judeus, a jovem deveria levantar-se e abandonar a sala. Em casa, teria de fazer a narração detalhada dos factos, para que a mãe escrevesse uma carta à direcção da Escola.
A segunda regra dizia respeito aos colegas do estabelecimento de ensino. Se eles fossem incorrectos e, eventualmente, lhe chamassem nomes, deveria ser ela própria, Hannah, a resolver o assunto.
Simples e claro: a hierarquização das competências - a cada um(a) a sua responsabilidade. 

domingo, 27 de outubro de 2013

Críptica (ou só entendível para os muito próximos)


Sempre tive muita dificuldade em pronunciar ou escrever o verbo adorar.
E há situações limite a que devemos resistir com todas as forças da razão, sob o perigo de exagerarmos, de sermos levianos ou mesmo, despudoradamente, ridículos. É um facto que, hoje em dia, a impropriedade no uso da língua portuguesa é abundante, mesmo em pessoas com credenciais académicas, responsabilidades públicas e obrigações éticas ou políticas. O exagero acabou por banalizar-se, da mesma forma que Hannah Arendt falava da banalização do mal.
Lembro-me do cuidado e do tempo que Costa Gomes demorou para decidir-se a  declarar o estado de sítio, em Portugal, numa altura convulsa do PREC.
É por isso que se deve aplicar, com usura e muita parcimónia, a caracterização de mais dois casos de situações limite:
- o estado interessante
- o estado de choque.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sobre "Crise", palavra e sentido

Só muito recentemente o nome de Myriam Revault d'Allonnes começou a ter sentido, para mim, embora não tivesse sequer conseguido saber o ano do seu nascimento. Creio que será sexagenária. Filósofa francesa, especialista e tradutora da obra de Hannah Arendt (1906-1975), Myriam aborda, com maior incidência, as relações do Poder, a Política e, mais recentemente, a Crise, no seu sentido mais lato e abstracto, não desprezando, porém, as suas razões concretas. Coligi e traduzi, do francês, algumas respostas dela, em entrevistas, a que junto um vídeo em que Myriam R. d'Allonnes fala da crise que atravessamos, a propósito do seu último livro, intitulado "La crise sans fin". Como se segue:

Crise e Crítica têm, em grego, a mesma origem etimológica: critica-se para tentar chegar àquilo que deve ser e para tomar uma decisão.
...
Eu creio que a autoridade consiste em dar aos vindouros, aos que vierem depois de nós, a oportunidade de começar alguma coisa.
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Chegaremos quase a preferir um futuro sombrio a um futuro incerto.
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Em vez de antecipar a catástrofe como uma certeza, afrontemos a incerteza. Uma incerteza criadora: sim, o futuro não será forçosamente o melhor, mas nós temos possibilidade de agir.
...
No campo político, novas práticas emergem (petições, fóruns de cidadãos, lutas colectivas) que, mesmo que nem sempre sejam bem sucedidas, deixam rasto. A mobilização dos "Indignados" não resultou na instauração de contra-poderes ou mecanismos institucionais mas, em si, não é um fenómeno insignificante.