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domingo, 3 de setembro de 2017

Geometrias


Ao encaminhar-se, gradual mas persistentemente, do Crescente para Cheia, ao longo de sete dias, a Lua parece perseguir uma geometria perfeita. Ao olhar descuidado do homem primitivo, essa forma terá, provavelmente, originado o sentido mental da circunferência, nessas noites de escuridão absoluta e total. Como também, embora de forma nebulosa, a equidistância do centro. Quem sabe?, se da própria simetria.
Mas, depois, o novo caminho da Lua, ao longo de mais duas semanas, até à sua desaparição total (Lua Nova), poderá ter engendrado nesse nosso antepassado longínquo e primitivo, os rudimentos de uma noção de magia. Que o transcendia, de todo. Talvez tenha sido por aí que, na ausência de uma explicação empírica e linear, ele tenha sentido necessidade de criar a astrologia. E, numa fase mais avançada, imaginar a primeira crença. Depois, até à primeira religião, deve ter sido apenas um pequeno passo. Os rituais, é que vieram depois...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Do rifoneiro castelhano (11)


1. El hombre y el oso, cuanto más feo más hermoso.
( O homem e o osso, quanto mais feio mais formoso.)

2. Hombre amaricado, ni carne ni pescado.
( Homem efeminado, nem carne nem pescado.)

3. Hombre besador, poco empreñador.
( Homem beijoqueiro, pouco emprenhador.)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Constatações


Ainda hoje, embora cientificamente comprovado (Charles Darwin), me causa uma certa estranheza e desconforto, saber que o ser humano, por evolução qualitativa, descende dos macacos. É certo que, também por desvios genéticos ou estupidez natural, alguns dos nossos semelhantes, muitas vezes, nos parecem mais próximos dos chimpanzés, do que de seres humanos, já evoluídos.
Foi por isso que, com surpresa e agrado, li um texto em que se relata, em relação a chimpanzés, algumas vertentes do seu comportamento que os aproxima, indubitavelmente, dos seres humanos, através de algumas manifestações sensoriais. Se em cativeiro (Zoos, laboratórios de pesquisa...) eles perdem grande parte dessas reacções naturais e estejam condicionados, observados em liberdade, em muitos casos, eles têm reacções aproximadas às do Homem.
Assim o sentimento da vergonha, a indignação e, até, algum sentido moral existem neles. E as expressões faciais não andam muito longe das nossas, bem como os gestos que fazem, ao exprimi-los. Mas também a sua perspectiva em relação à morte de algum elemento da comunidade. O respeito em relação ao corpo já frio, que lhes merece, sempre, algum tempo de vigília, e que, antes de ser abandonado, é coberto por folhas das árvores da floresta.
E, mais curiosa ainda, é a atitude dos chimpanzés para com as crias, se ficam sem ambos os pais: acolhem-nas, adoptam-nas e tomam conta delas enquanto são pequenas, desveladamente, como se fossem seus próprios filhos. A solidariedade existe entre eles. O mesmo não se poderá dizer de muitos dos políticos que nos (des)governam, hoje em dia...