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sábado, 23 de janeiro de 2021

Bibliofilia 185



Publicaram-se 20 números, alguns duplos, da revista cultural luso-francesa Afinidades, entre 1942 e 1946. Hoje o conjunto completo vende-se, quando aparece nos alfarrabistas, entre 200 e 300 euros. Eu tenho apenas 6 volumes, um dos quais é duplo (7/8), mas dá para ver a sua qualidade, bem como o nível dos seus colaboradores, de várias nacionalidades: Paul Valéry, T. S. Eliot, Ribeiro Couto, Fidelino de Figueiredo, Éluard, Aragon, Saint-Exupéry... 



Presença constante é a de Lionel de Roulet (1910-1990), redactor,  ex-aluno de Sartre e diplomata, que viria a casar com a pintora Hélène de Beauvoir (1910-2001), irmã mais nova de Simone de Beauvoir. Hélène colaborou também com frequência na revista, escrevendo recensões a exposições de pintura e abordando pequenos estudos sobre arte moderna. A pintora francesa, além de dar aulas no Instituto Francês, publicou um curioso anúncio no número 5 de Afinidades, já em Lisboa. Onde viveu, creio, até 1946.



Como curiosidade julgo interessante referir que a Universidade de Aveiro possui um acervo de 84 telas de Hélène de Beauvoir, que lhe foram cedidas pela própria pintora francesa, em jeito de gratidão pelo convite que lhe fora feito pela instituição para lá fazer uma exposição. 



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pequena história (43)


Eu creio que as mulheres, de uma forma geral, são mais discretas sobre os casos e o seu passado amoroso; e os homens, mais gabarolas...
Ao ler A América dia a dia, de Simone de Beauvoir (1908-1986), fui verificando que as alusões directas a Nelson Algren (1909-1981) são mínimas e muito pouco explícitas. O escritor norte-americano, posteriormente ao caso que os reuniu, deu com a língua nos dentes, de forma algo desabrida e até desagradável. O amor, quando corre mal, transforma-se, por vezes, em ódio ou desencanto grosseiro.
Foi a irmã, Hélène (1910-2001), que deu a notícia, a Simone de Beauvoir, da morte de Algren. A escritora francesa não terá reagido, nem manifestou emoção alguma, aparentemente, na altura. Mas, ao que dizem, quando foi a sepultar levava ainda no dedo o anel que Nelson Algren lhe tinha oferecido, em 1949.