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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Pinacoteca Pessoal 163


Sempre tive a tentação de considerar da mesma família artística os pintores Graham Sutherland (1903-1980), Lucian Freud (1922-2011) e Paula Rego (1935), muito embora entre o nascimento do primeiro e o da última medeiem mais de 30 anos. Ter-se-iam mutuamente influenciado? Não sei responder, com rigor.
Pelo menos, as suas obras têm alguma afinidade estilística, sobretudo a nível de retratos e representação de figuras humanas. Com uma forte e impressiva pincelada que sugere alguma agressividade subjacente.


Dos três, é Sutherland quem se dispersa por mais aspectos artísticos: gravura, vidro, tecido e pintura naturalmente, e em que o retrato tem um papel preponderante. São conhecidos os magníficos retratos do escritor Somerset Maugham (aqui representado por um desenho preparatório) e do crítico de arte Kenneth Clark. De grande qualidade era também o seu trabalho sobre W. Churchill, encomenda de um grupo de personalidades, e que o político - de gosto artístico excessivamente conservador - por não ter gostado, terá consentido que viesse a ser destruído pela Esposa (este facto foi registado em poste do Arpose, a 28/1/2018: Curiosidades 68).


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Pinacoteca Pessoal 154


Creio que terá sido o historiador de arte britânico Kenneth Clark (1903-1983) quem, em 1936, a propósito de uma exposição de pintura surrealista, designou para essa escola alguns precursores. Referindo, para o efeito, entre outros, os nomes de Bosch, Giovanni di Paolo e Agostino Veneziano. Bem como de Goya.


Se Agostino Veneziano (c. 1490-c. 1540) é conhecido sobretudo pela sua extensa obra de gravador, provavelmente, foi pela sua gravura Lo Stregozzo, ou The Carcass como a nomearam os ingleses, pertencente ao acervo do British Museum, que Clark se inspirou e fundamentou para a sua tese.


Quanto a Giovanni di Paolo (1403-1482), pintor italiano, quero crer que o Salvamento de um náufrago por S. Nicolau de Tolentino poderia ter sido um dos quadros que Kenneth Clark tinha em mente para fazer a sua polémica afirmação.
No domínio da Arte, tudo são meras hipóteses e nenhum artista está isento de dívidas. Quero eu dizer: de influências.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Pinacoteca Pessoal 149


Eu creio que o trabalho de ilustrador de livros terá que ser, maioritariamente, de pendor figurativo. Mais ainda se os desenhos se destinarem a um público infantil. Fatalmente, esses artistas não ocuparão uma primeira linha, na arte da Pintura e, muitas vezes, serão desvalorizados pelos estudiosos de Arte.
O conhecido e respeitado especialista de arte Kenneth Clark, por exemplo, subvalorizava a obra de gravador e ilustrador de  William Blake pelas pequenas dimensões das suas gravuras, para as obras de poesia que editou...
A menos que essa actividade de ilustração tenha sido secundária e uma pequena parte, acessória, da obra do artista - estou a lembrar-me de Botticelli e do seu trabalho para A Divina Comédia, de Dante.



O pintor e ilustrador norte-americano N. C. Wyeth (1882-1945) tinha isso em conta, quando disse: Painting and illustration cannot be mixed - one cannot merge from one into the other.
Isso, no entanto, não obstou, excepcionalmente, a que a sua obra não tenha vindo a integrar, com o tempo, alguns museus americanos e seja considerada, hoje, de grande qualidade, a par dos trabalhos do seu confrade e contemporâneo Norman Rockwell (1894-1978), que também ilustrou muitas obras literárias.


Wyeth colaborou na ilustração de mais de uma centena de livros, muitos deles sobre o Oeste americano como, por exemplo, O último dos moicanos, de James Fenimore Cooper. E eu gosto particularmente do poster Ore Wagon (1907), com um pormenor do condutor da diligência. Ou desta serena paisagem que, em 1934, N. C. Wyeth pintou sobre a zona marítima da Costa do Maine.
Ainda que conservador na execução dos seus trabalhos e pouco inovador, os seus quadros não deixam de ter um estilo e uma qualidade muito própria.