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domingo, 19 de janeiro de 2025

3 fragmentos, algo irónicos ou surrealistas,, de Karl Kraus (1874-1936)



1. Tive uma visão horripilante: vi uma enciclopédia aproximar-se de um sabe-tudo e abri-lo.

2. O filósofo pensa da eternidade para o dia, o poeta, do dia para a eternidade.

3. Não ter um pensamento e saber exprimi-lo - é isso que faz o jornalista.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

3 aforismos (irónicos) de Karl Kraus

 

1. As conversações de barbeiro são a prova irrefutável que as cabeças existem por causa dos cabelos. (pg. 58)

2. A vida familiar é uma intromissão na vida privada. (pg. 60)

3. O uso de palavras pouco usuais é um vício literário. Só se deve atrapalhar o público com dificuldades intelectuais. (pg. 107)


Karl Kraus (1874-1936), in Aforismos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Uma máxima pragmática



Respeite-se o campo e ame-se a paisagem. É esta a atitude mais nutritiva.

Karl Kraus (1874-1936), in Aphorismen.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Últimas aquisições (50)

 

Foram os dois últimos livros comprados em 2023, escolhidos por mim, mas que me foram oferecidos depois (obrigado, HMJ!). De dois escritores consagrados e reconhecidos - Karl Kraus (1874-1936) e Albert Camus (1913-1960). Que eu já não tenho grande curiosidade nem muito tempo para ler escritores  desconhecidos, ainda que muito publicitados pelas costureiras influencers dos blogues pagos e municiados pelas editoras manhosas.


Para que conste e fique registado, o último livro que acabei de ler, em 2023, foi um policial (Vampiro, nº 619). De Nicolas Freeling (1927-2003), escritor inglês, de escrita quase sempre bastante desarrumada e frágil trama policial, mas cujas obras são de leitura rica em sugestões culturais e quase sempre animada e agradável. Ligeira, embora.









terça-feira, 22 de outubro de 2019

Divagações 154


Há autores com que nos cruzámos por um feliz acaso (Karl Kraus), escritores que, amigavelmente, nos indicaram (Guimarães Rosa), certeiros, outros ainda que vieram ter connosco, como se fossem de família, emigrantes de longes terras (W. G. Sebald).
Nem será pelo estilo, sardónico demais em Kraus, trabalhoso de descodificar, muitas vezes, em Rosa, plácido de territórios nas páginas calmas de Sebald, mas alguma coisa, em todos eles, me aproxima e atrai, intimamente. A começar, pelo modo de sentir ou de reflectir.
Que na leitura acompanho, paralelamente.

Nota pessoal: considero A Descrição da Infelicidade como o mais ambicioso e difícil de leitura, dos 7 livros que já li de W. G. Sebald. Aqui fica a nota preventiva...

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Karl Kraus, arte e linguagem


A arte é o mistério do nascimento da palavra antiga. O imitador está ao corrente, e é por essa razão que ele não sabe que há nisso um mistério.

Karl Kraus (1874-1936), in Pro domo et mundo.

sábado, 23 de maio de 2015

Citações CCXXXVII


A cultura é aquilo que a maior parte recebe; que muitos transmitem; e que poucos possuem.

Karl Kraus (1874-1936), in Pro domo et mundo.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Para o momentoso caso nacional, indirectamente, um fragmento de K. K.


Os psicólogos modernos, que deslocam os limites da irresponsabilidade, têm aí amplamente o seu lugar.

Karl Kraus (1874-1936), in Pro domo et mundo.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Considerações de K. Kraus, (provavelmente) a propósito de um seu retrato por O. Kokoschka


Kokoschka fez-me um retrato. É bem possível que não me reconheçam, aqueles que me conhecem. Mas, certamente, hão-de reconhecer-me os que não me conhecem.
...
O verdadeiro retratista serve-se do seu modelo, um pouco como o mau retratista se serve da fotografia do seu modelo.
...
Ele pinta sem parecenças. Não reconheceram nenhum dos retratados, mas reconheceram-nos todos como originais dele.
...
Num verdadeiro retrato, deve-se reconhecer qual o pintor que o fez.


Karl Kraus, in Pro domo et mundo (pgs. 91/2).


sexta-feira, 27 de março de 2015

Mais outro aforismo de Karl Kraus


Um pensamento não é legítimo, senão quando nos surpreendemos em flagrante delito de plagiato de nós mesmos.

Karl Kraus (1874-1936), in Pro domo et mundo (pg. 72).

sexta-feira, 20 de março de 2015

Mais 1 aforismo de Karl Kraus


A filosofia não é, muitas vezes, senão a coragem de entrar num labirinto. Mas aquele que se esquece da porta de entrada pode facilmente aceder à reputação de um pensador autónomo.

Karl Kraus (1874-1936), in Pro domo et mundo (pg. 54).

terça-feira, 17 de março de 2015

2 aforismos (longos) de Karl Kraus (1874-1936)


Viena: o aristocrata come ostras, o povo olha. Berlim: o povo não olha, se o aristocrata come ostras. No entanto, para evitar ao aristocrata qualquer incomodidade e desviar a atenção do povo, ele come, na mesma, ostras. Eis a democracia em que me encontro.
...
Não é suficiente, a benefício da solidão, que nos sentemos sozinhos à mesa. É necessário que haja cadeiras vazias à volta. Se o empregado vem buscar alguma destas cadeiras vazias, eu sinto um vazio; e a minha natureza sociável desperta. Eu não consigo viver sem cadeiras vazias.

Karl Kraus, in Pro domo et mundo.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Citações CCXVIII


Os ratos prestam-se a boas metáforas.

Karl Kraus (1874-1936).

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Citações CXCII


O fraco duvida antes de tomar uma decisão. O forte, depois.

Karl Kraus (1874-1936), in Pro domo et mundo.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Aforismos (ou paradoxos?) de Karl Kraus (1874-1936)


- Em Berlim circulam tantas pessoas, que não se consegue encontrar ninguém. Em Viena, reencontramos tanta gente, que acabamos por não conseguir circular.
- Não ter de pensar e poder exprimi-lo - eis o que faz o jornalismo.
- O historiador, muitas vezes, não é senão um jornalista que se inclina para trás.
- Num verdadeiro retrato, deve-se reconhecer qual o pintor que ele representa.
- Parecer tem mais letras do que ser.
- A arte põe sempre a vida em desordem. E os poetas da humanidade reordenam sempre o caos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Citações LXXXV : Karl Kraus


1. A verdade é um criado desajeitado que parte os pratos quando os lava.
2. Um aforismo não precisa de ser verdadeiro, mas tem que sobrevoar a verdade. Deve ultrapassá-la um pouco.
Karl Kraus (1874-1936).

domingo, 27 de março de 2011

Citações LXII : 4 em 1


De uma entrevista, hoje, no jornal "Público", a Medeiros Ferreira (1942), político que não aprecio grandemente, retirei, no entanto, 4 citações que, particularmente, me agradam. Seguem:
1. de Karl Kraus (1874-1936)
- "Quanto mais vejo uma palavra de perto, mais ela me responde de longe."
2. do " Júlio César" de William Shakespeare (1546-1616)
- "Não temo (Marco) António porque ele é alegre, bon vivant, dorme bem e está satisfeito com ele próprio."
3. de Choderlos de Laclos (1741-1803)
- "Je suis mon ouvrage."
4. do próprio Medeiros Ferreira:
- "Não gostava muito do Saramago, nem como escritor nem como director do «Diário de Notícias», no entanto tive por ele uma grande admiração, pela capacidade de refazer um destino."

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Karl Kraus : 3 aforismos


De Karl Kraus (1874-1936), dramaturgo, ensaísta e poeta austríaco, encontrei, num capítulo (Danúbio Negro) do livro "George Steiner em The New Yorker", alguns aforismos, citados por Steiner que, rondando o paradoxo, me pareceram curiosos. Vou transcrever três deles:
1. As sátiras que o censor entende são justificadamente proibidas.
2. A psicanálise é essa doença mental da qual se considera ser a cura.
3. A ingratidão é muitas vezes desproporcionada perante o benefício recebido.