Escolhi, para cenário de fundo da leitura de um pequeno ensaio de Saul Bellow (1915), um vídeo-gravação do 4º Concerto para piano de Beethoven. Embora qualquer dos sentidos (olhar e audição) obrigue a uma concentrada atenção, desvio, de vez em quando, o olhar da leitura para o dirigir para a primorosa execução de Wilhelm Backhaus (1884-1969), que foi dirigido pelo maestro Karl Böhm (1894-1981), em 1967. O vídeo é excelente, quer em imagem, quer na sonoridade. A orquestra era a Sinfónica de Viena.
Fico surpreendido pela impassibilidade facial do pianista e do maestro. Apenas se nota, por vezes, uma ligeira contracção muscular na face de Backhaus, quando alguma passagem da partitura obriga a uma maior energia de execução. Menos ainda alterado, o porte e expressão do maestro Böhm.
E dou-me a pensar, por comparação, em interpretações de Alfred Brendel e Maria João Pires cujos jogos fisionómicos se expressam, variada e profundamente. Por entre o que parece ser dor, prazer, dramatismo...
Não sei o que hei-de concluir.