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segunda-feira, 18 de março de 2024

Apontamento 160. Quando a ignorância roça a indigência

 


Quando, há dias, li, no Jornal DIE ZEIT, uma notícia, confesso que não acreditava em
tanto atentado ao bom senso, ignorância e completo despudor perante os valores
universais de respeito pelo património material e espiritual.
Ao que parece, o ditador Putin, elegeu, como seu orientador espiritual, o filósofo
Immanuel Kant, pelo facto de ter nascido em Königsberg, actual enclave Kaliningrad,
ocupada pela potência russa.
Ora, a manipulação dos pobres espíritos que, cá e lá, vai fazendo a sua marcha lenta,
obriga-nos a levantarmo-nos em peso perante a humilhação, por completa ignorância e abuso
de poder, dos nossos pensadores e cidadãos do passado que, infelizmente, já não se podem
defender de tanta devassa.
Cá estou eu para repor a verdade dos factos.
Existe um texto, ESPLÊNDIDO, para os tempos que correm, acessível através do:
The Project Gutenberg EBook of Zum ewigen Frieden, by Immanuel Kant.
A contribuição, excelente, de Immanuel Kant: Zum Ewigen Frieden, 1795, logo pelo
prefácio, anula por completo, as pretensões de um labrego russo com pretensões de grande
senhor. Coitado, nem lhe devia servir para engraxar os sapatos !
E para os mais incautos, resta consultar um Atlas Histórico – já que os atlas costumam
ser vendidos a preço de saldo – para saber que a cidade onde nasceu Immanuel Kant se
chamava Königsberg, fazendo parte, na altura do seu nascimento, do território designado
Prússia de Leste e pertencente à Prússia.
Pena é que estes fanfarrões nem sequer passam da leitura do prefácio em que o filósofo
define bem os maus políticos pelo facto de “nunca se saciarem das guerras” !

Post de HMJ

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Apontamento 132: Máxima antiga - Não há duas sem três



Na Alemanha, no meu tempo de meninice existia uma máxima: “Wer A sagt muss auch B sagen” – a saber, quem “pronuncia A tem que dizer B”.

Ou seja, a questão fundamental é apenas de coerência.

Assim, não vale a pena a Chanceler – como nos idos da crise de 2008 – falar da solidariedade europeia e virar as costas quando se aproxima o passo seguinte – de A para B – a fase subsequente e determinante de abrir os cordões à bolsa.

Nisso, e é bem lembrá-lo, que estão os dois de acordo, Merkel e Schäuble. Como diria Vitorino: são “Farinha do mesmo Saco”.

Tenho muito pena, mas por cá ainda existem algumas boas almas encantadas com os discursos da Senhora Merkel, avaliação, aliás, que nunca partilhei. Sempre a achei profundamente provinciana, tal como o seu outro ideólogo, vivendo num mundo reduzido aos “cifrões”, universo particular do endinheirado germânico, promovendo a cultura de pacotilha. Bayreuth a quanto obrigas !

De facto, nesse mundo maravilhoso dos cifrões da Alemanha há dinheiro para muita coisa, até fortunas transformadas em fundações de apoio a bicharadas diversas, asnos e toda a parafernália de animais domésticos.

No entanto, o universo dos idosos, no limiar da pobreza, situa-se numa faixa de 25% da população. Haverá maior vergonha do que esta para um país considerado rico ? Quando se fala, contudo, de aprovar, com o apoio da CDU da Senhora Merkel, um pacote de Reforma Base Universal para os pensionistas, vamos a passos.

Convém, no meio disto, ler artigo de 6.4.2020, publicado pelo Público, do Ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz (SPD) e Heiko Maas (SPD), numa iniciativa conjunta saída em vários jornais da Comunidade Europeia. Tardiamente, depois do discurso indispensável, oportuno e urgente de António Costa.

Com particular necessidade da renovação do sentido último do “Imperativo Categórico” de KANT, nesta circunstância em que o mundo financeiro e global se afundou, espero que a Alemanha não se esqueça, mais uma vez, do profundo sentimento de humanidade de uma parte considerável da sua população que continua a estimar os valores essenciais. São eles que merecem o nosso apoio como povo do centro da Europa, abertos ao Mundo, humanos e solidários.

Infelizmente, são os menos esclarecidos que a imprensa coteja, designadamente toda a cáfila de forças de direita que se aproveitam da profunda ignorância que se instalou. Sinais do tempo.

Por último, e por razões substanciais, tenho muitas dúvidas sobre a excelência do sistema de saúde alemão quando comparado com o SNS, até por experiências desagradáveis recentes.

Por fim, continuo a batalhar pelo universo em que cresci, da União Europeia, de encontros culturais, humanos e apoiados, por políticas e finanças ao serviço da comunidade.

HMJ