Há sempre um traço inaugural, uma pincelada prévia sobre a tela branca, um primeiro verso, ou uma primeira palavra que se escreve, ao começar uma carreira. Como pode haver uma pedra na fotografia inicial que se tira, mesmo que ela possa convocar uma pintura, que até poderá ser de Magritte. Depois, esse objecto que tomou forma exterior a nós, ganha relevância. Tentamos vê-lo à distância, atribuir-lhe um valor. E será arte, ou não?
Gérard Castello Lopes (1925-2011) terá começado por fotografar uma pedra sobre mar, que se lhe impôs ao olhar. Vendo depois o resultado e dando-o a ver, ele ganhou cidadania artística, espaço. Terá sido assim que iniciou a sua carreira de fotógrafo, a partir do meio da vida. Como autodidacta, mas influenciado (é ele que o diz) por Cartier-Bresson. Mas as temáticas, eram suas.
E maioritária, genuinamente portuguesas.
E maioritária, genuinamente portuguesas.