Mostrar mensagens com a etiqueta Fundão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fundão. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Compota de cereja



Eram de Resende e ficaram muito boas. O conteúdo da pequena taça de vidro serviu de teste e prova.
Tenho ouvido dos produtores, quer do Fundão quer de Resende, que a safra de cerejas, este ano, foi excepcional em qualidade e quantidade. 
O preço das primeiras que apareceram é que não era muito convidativo: 12 euros, o quilo! Agora, felizmente, já baixou para cerca de metade... 

sábado, 10 de novembro de 2018

Exposição de Pedro Chorão


Inaugura-se hoje, da parte da tarde, n'A Moagem - Cidade do Engenho e das Artes (Fundão), uma exposição de novos desenhos do pintor Pedro Chorão (1945), que estará franqueada ao público até 3 de Março de 2019.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

As favas de Constância


Lá voltámos às favas, que vem aí o tempo delas. Dadivosas primícias de um casal amigo que as trabalham lá para os lados de Constância, terra que se arroga ao privilégio de ter acolhido Camões, em tempos de juventude e de desventura amorosa. Frescas, macias e temporãs, deram uma favada deliciosa, à mistura com uns enchidos pecaminosos de gula, mais uns bocados generosos de entrecosto, de reco luso.
Estava eu a guardar um vinho, que trouxera do Fundão, para um momento auspicioso. E isto porque era lotado com as duas castas tintas minhas preferidas: a Tinta Roriz (Aragonez) e a Jaen. Mas eu podia lá esperar, tanto tempo!?... E abri-o, para ver no que dava a companhia. Perfeita.
É um vinho capitoso, nos seus 8 anos e 14º. E não digo mais nada, porque o silêncio é de ouro e o almoço foi soberbo...

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Mercearias Finas 112


O arroz de carqueja minhoto pouco mais é do que um arroz branco, simples, levemente sombreado pelo combustível vegetal que lhe dá gosto. Mais um raminho de salsa fresca, por cima, para lhe dar cor e sabor. Mas na Beira Interior fia mais fino e é mais rico. É, por si só, uma refeição suculenta onde entra o fumeiro regional: farinheira, chouriço de sangue, presunto, toucinho, chouriço corrente de boa cepa. Se bem composto, é uma delícia de sabores, como aquele que eu comi num restaurante do Fundão, há duas semanas atrás. Caldoso, de preferência, como era o caso.
Quanto ao acompanhante vínico, eu tinha as melhores lembranças da Adega Cooperativa da Covilhã. Fora seu cliente fiel e obrigado, no final dos anos 70, num restaurante de uma rua paralela à Almirante Reis em que, por razões pessoais, refeiçoei, com frequência, em Março de 1978. Nunca me decepcionei com esse vinho tinto beirão. E foi por isso que, para acompanhar o Arroz de Carqueja, no Fundão, escolhi, sem pestanejar, um Piornos, lotado com Jaen e Trincadeira, de 2011.
Se a Jaen é uma das minhas castas fetiche, a Trincadeira nem sempre goza da minha preferência. Mas esta aliança, da Adega da Covilhã, é soberba. Há muito que não provava um vinho que me agradasse tanto. Na maturação, no aroma e no sabor. Este tinto leva uns meses em barricas de carvalho e sai de lá esplendoroso.
Afortunado será quem o puder provar...

domingo, 10 de abril de 2016

Em contraponto divagante, moral e coscuvilheiro


Não será frequente, mas também não é surpreendente, encontrarmos subitamente uma sumidade da capital a refeiçoar, tranquilo, o pequeno almoço, em buffet, num pequeno mas cómodo e bem situado hotel de província. Esta gente vem para dar cor às manifestações culturais das pequenas cidades do interior: o lançamento de um livro, um colóquio sobre um escritor local, uma celebração... E, como "santos da porta não fazem milagres", estas personalidades das grandes cidades são convidadas pela edilidade regional para abrilhantar e atrair mais gente aos acontecimentos. Não é coisa nova: foi assim que eu conheci e ouvi Gaspar Simões, Óscar Lopes, Cochofel, no início dos anos 60, pela primeira vez. Convidados que tinham sido pela Associação Académica de Coimbra. E a urbe universitária, até pelo seu espírito conservador, era, na altura, uma mera cidade de província (provavelmente, ainda hoje será). Estes colóquios, devo notar, não dispensavam a gravata aos conferencistas...
Ontem, sábado, matinalmente, surpreendi-me ao ver, em traje muito desportivo, uma destas celebridades da capital a tomar o seu abundante pequeno almoço, que bisou, num hotel da Beira Interior. Figura de proa de quanto é jornal e revista literária, o homem colabora em tudo o que seja Cultura (não sei é onde arranja tempo). Despenteado, de ténis, pareceu-me inicialmente vestir um pijama. Firmei melhor a vista e acabei por concluir que usava um fato de treino. Nem tudo se perdeu, de compostura, felizmente!...

sábado, 9 de abril de 2016

As virtudes da Província


Ora eu que nem sabia da saída, quase um ano depois, deste voluminho precioso de cartas de Eugénio de Andrade para Jorge de Sena!... Foi preciso ir ao Fundão, entrar no posto de Turismo da cidade, para HMJ dar por ele e mo apontar. Fiquei pasmado, como é que os jornais literários, as revistas da especialidade e quejandos o ignoraram, sem dele dar notícia, ostensivamente. Será que não era importante, no meio de tanta ninharia que é editada e recenseada?
Culpo também as Câmaras de Gondomar, Fundão e Santo Tirso, que em parceria publicaram o livrinho, em 2015, de não lhe darem a divulgação que merecia. Só por isso valeria a pena termos ido à Cova da Beira. A província tem destas virtudes escondidas, que é preciso descobrir, fora dos holofotes parolos das grandes urbes e das montras exibicionistas das correntes dominantes. Organizado por António Oliveira, com o precioso contributo de Dario Gonçalves, o livro foi-me de extremo proveito e grande prazer de leitura.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Fundamente


Pouco, ou quase nada se passa nestas terras interiores. O andar é comedido, o falar, tranquilo, pelas ruas parece nunca haver pressa de chegar, para que o tempo não sobre em demasia. Por aqui andaram o arquitecto Raúl C. Ramalho (1914-2002) e o poeta Eugénio de Andrade (1923-2005), nas suas juventudes inquietas; e deixaram obra: um, em pedra, outro, em palavras que ainda se podem ler. Mas a, hoje, cidade seria, na altura, estreita para os seus sonhos desmedidos. Talvez por isso, o primeiro rumou a Sul e o segundo, a Norte, para horizontes mais largos e propícios.
À entrada, fomos recebidos pelas cerejeiras já floridas. Nupcialmente - como diria o Eugénio. No horizonte e nos píncaros mais altos, a pedra recobria-se, nas covas, de puríssima neve residual e esparsa - predominava a brancura. Mas no edifício, projectado por Raúl Ramalho, era o cinzento granítico que pontificava, por contraste. Que me pareceu a ameaça de um  destino exíguo e futuro, para sempre. Salvem-se as cerejeiras primaveris na sua ânsia eterna de florir.