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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Humor negro (10)


Por aqui (imagem) se pode ver a alta qualidade da propaganda anti-tabágica. Tal como a indigência de pensamento e a proficiente capacidade profissional da agência publicitária que a produziu. A habilidade canhestra e paroquial do fotógrafo que foi contratado, para o efeito. Mas também a craveira mental, o inestético mau gosto e o lado foleiro dos elementos da comissão europeia que aprovaram ou deram origem a  esta campanha ridícula, politicamente correcta.
Quem quiser deixar de fumar, não é por aqui que chega lá, certamente...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Curiosidades 50


Será que Eça de Queiroz fumava? E Camilo? Ambos os escritores se referem a tabaco, nas suas obras, mas a ficção, nem sempre serve para testemunhar os usos e costumes dos seus autores. No que diz respeito a Almeida Garrett (1799-1854), eu estou convicto de que gostava de fumar. Nas "Viagens na minha terra" (1846), que é um livro com partes autobiográficas, há um passo que me faz pensar que Garrett apreciava o tabaco. Aqui fica a citação:
"...No entretanto, vamos acender os nossos charutos, e deixemos os precintos aristocráticos da ré; à proa que é país de cigarro livre.
Não me lembra que Lord Byron celebrasse nunca o prazer de fumar a bordo. É notavel esquecimento no poeta mais embarcadiço, mais marujo que ainda houve, e que até cantou o enjoo, a mais prosaica e nauseante das misérias da vida! Pois num dia destes, sentir na face e nos cabelos a brisa refrigerante que passou por cima da água enquanto se aspiram molemente as narcóticas exalações de um bom cigarro da Havana, é uma das poucas coisas sinceramente boas que há neste mundo.
Fumemos!
Aqui está um campino fumando gravemente o seu cigarro de papel, que me vai emprestar lume.
- Dou-lhe eu, senhor... - acode cortêsmente outra figura mui diversa, cujas feições, trajo e modos singularmente contrastam com os do «moçarabe» ribatejano.
Acenderam-se os charutos, e atentámos mais devagar na companhia em que estávamos. ..."

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Não aconselhável aos hipocondríacos, nem aos que se querem, eternamente, juvenis


Os mais novos não saberão e muitos outros, mais velhos, já não se lembrarão, com certeza, que, por volta de 1975, houve uma campanha nacional a aconselhar o consumo de óleo alimentar, em detrimento do azeite que, diziam os slogans, era prejudicial à saúde. O motivo de tanta bondade profiláctica era, no entanto, outro: havia grandes excedentes de óleo, em Portugal, nessa altura. E, hoje, sabe-se (até quando?) que o azeite, componente importante da dieta mediterrânica, é bom para a saúde.
Os medicamentos contra o colesterol fizeram a fortuna de alguns laboratórios farmacêuticos, por esse mundo fora. As modalidades profilácticas anti-tabágicas (cigarro eléctrico e quejandos) são um novo nicho industrial de vendas laboratoriais. Há dias, li que um grupo de cientistas norte-americanos tinha chegado à conclusão de que o tabaco e o meio ambiente adverso não eram a causa mais decisiva e importante para o aparecimento do cancro, no ser humano. O factor hereditário era muitíssimo mais significativo.
E talvez  tenham razão. Quem manda, são os mercados, até ver...

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Civilidade (27)


Da avisada palavra de Beatriz Nazareth, já por várias vezes aproveitei conselhos para esta rubrica, recorrendo às regras protocolares contidas no seu "Manual de Civilidade e Etiqueta" (1898). Abordemos, hoje, os modos decentes no uso e partilha do tabaco:
"...Na ilha de Cuba o caballero toma o charuto ou o cigarro entre os labios, accende-o assim, aspira  algumas fumaças e apresenta-o depois ao seu amigo para que accenda o que vai fumar. O mesmo modo de proceder em Hespanha.
Na Austria accende-se o cigarro e offerece-se ao companheiro o phosphoro ainda acceso; fazem isso para dar mais tempo ao ultimo.
Effectivamente se offerecermos o phosphoro acceso antes de nos servirmos, aquelle que o recebe apressa-se em devolvel-o, antes que se tenha apagado.
Na Inglaterra o gentleman offerece um charuto ou um cigarro ao seu fellow (companheiro), accende-o e faz outro cigarro para si, o qual tambem elle accende.
O francez offerece sempre o phosphoro ao seu amigo antes de se servir.
Em Portugal pratica-se de dois modos, offerecendo egualmente como os francezes o phosphoro antes de nos servirmos d'elle, ou apresentando o nosso charuto ao amigo para que accenda o seu.
O costume de fazer parar na rua as pessoas desconhecidas para lhes pedir fogo é de origem americana; só uma má educação póde permitir tal facto. Todavia, este serviço não se recusa, mas as pessoas bem educadas não o pedem nunca."
Estes fellow, caballero e gentleman fizeram-me lembrar a dialectologia de alguns actuais CEOs portugueses...Quanto ao uso de tabaco pelas Senhoras, Beatriz Nazareth não se refere. Não seria de bom tom, na época.