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sábado, 11 de agosto de 2012

O cinismo da Confederação Helvética (CH)


Não tenho, à partida, nenhuma aversão aos habitantes da CH, porque não os conheço. Os falantes de uma das suas línguas - o suiço-alemão - não os percebo, como não entendo certos dialectos do Sul da Alemanha. Deve ser a mesma sensação como um Português do Continente ser colocado, p. ex. como professor, numa escola em Rabo de Peixe, nos Açores. No papel, parece que falamos todos a mesma língua, mas na prática não percebemos patavina. Pelo menos eu.
No entanto, tal facto nunca impediu que gostasse, desde cedo, da obra de um Max Frisch, preferindo o escritor de Zurique a Dürrenmatt, para citar apenas dois suiços que, na altura, se recomendavam para leitura escolar e não só.
Com efeito, quando falo do cinismo da CH não me refiro a um universo linguístico-literário, mas, pelo contrário, ao "descaso moral" e político suiço, passado e presente. Vem isto a propósito de uma frase, cínica, da Ministra das Finanças Widmer-Schlumpf, afirmando que "não queremos fortunas estrangeiras não taxadas" (!) 


Ora, tal afirmação surge na sequência da compra de determinados dados - em formato cd-rom - sobre a fuga de capitais da Alemanha. Uma compra recente, por um dos Estados Federados da Alemanha, levantou a suspeita de lavagem de dinheiro e dinheiros desviados para praças da Ásia. 
Tanto os negócios ocultos que a Ministra suiça pretende negar como o seu apelido fizeram-me recordar um boneco - homónimo em alemão: Schlumpf (em Português: strumpf) - que se tornou objecto de colecção na Alemanha. Escolhi este que me pareceu adequado ao cinismo que encobre este como outros destinos de fuga dos capitais.

Post de HMJ

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mus, Muris

Ao ler a informação, veiculada ontem num jornal económico, sobre a fuga, no passado mês de Maio, das grandes fortunas de valores mobiliários portugueses, nomeadamente de seguradoras e outros, no valor de 5,3 mil milhões de euros, recordei-me da sapiência do nosso PR. No entanto, para não aduzir afirmações levianas, entrei na página oficial da PR com o objectivo de confirmar o que ouvira. Remeto, pois, os leitores interessados para o vídeo da PR, gravado durante um encontro da COTEC, para confirmar os excertos que me pareceram mais significativos.
Reafirmando o que os portugueses já conhecem do discurso do PR, exortava os cidadãos, perante "a situação explosiva" do país, a uma postura patriótica, a saber: a) consumir produtos portugueses; b) trabalhar melhor; c) exportar mais e importar menos.
Ora, então, as grandes fortunas não são patrióticas e solidárias ? Até são ! Exportam mais capital para importar menos prejuízos. Perfeito ! Os prejuízos ficam com os "cidadãos" - auto-excluindo-se os das grandes fortunas - para trabalhar melhor e consumir produto nacional.
Com efeito, torna-se imperativo ético saber o nome destas entidades seguradoras que fogem, como os "mus, muris", a fim de o "consumidor nacional" poder distinguir entre o "produto genuinamente português" e o importado que atiça ainda mais a "situação explosiva" referida pelo PR.
Parece que as fortunas da Grécia procederam de igual modo, com os resultados à vista na ruas de Atenas. Tem razão Carvalho da Silva, da CGTP, quando afirma, por analogia, que o PR - perante determinadas "situações explosivas" - fica "seráfico e calado".
Post de HMJ