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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fulgurações


Acabei de ler recentemente "Rencontres avec René Char" (ed. José Corti, 1991) de Jean Pénard. Com imenso agrado. É um livro em que um amigo fala, também, sobre a velhice de outro amigo: as debilidades físicas, o sofrimento pela morte do gato Tigron (que morreu 3 anos antes de Char), o regresso memorial à infância, o amor (já) saudoso pela Natureza, algum desânimo...
Retive algumas ideias de Char (para lá da minha surpresa do Poeta não gostar nada de J. L. Borges), retransmitidas por Pénard. Aqui vai, partilhando, em tradução, um pensamento de René Char:
"Não há poetas sem delírios. Alimentámo-nos deles, dominando-os. O nó do problema é o de saber quem vai ganhar, o poeta ou o delírio. Se o delírio domina temos Hölderlin, Nietzsche, Artaud e tantos outros em pintura, em música, ainda com algumas fulgurações, mas fulgurações enlouquecidas."

domingo, 21 de março de 2010

Para o dia da Poesia," in extremis"


Este "post" é, simultaneamente, uma lembrança a Paulo Quintela (1905-1987) que, não sendo poeta, traduziu, com escrúpulo profissional e sensibilidade de transmontano, alguns dos grandes poetas alemães (Rilke, Hölderlin...). "Die Rose", de Friedrich Hölderlin (1770-1843), antes desta minha versão, já fora traduzido, em 1944, pelo professor de Coimbra.

A Rosa

Doce Irmã!
Onde buscar, se for Inverno,
Flores em grinaldas para os deuses?
Como se ignorasse o que é divino
Já que de mim se foi o espírito da vida;
Quando oferendas para os deuses procurar,
As flores, no estéril campo,
E não te encontrar.

P. S.: Com agradecimentos à Renate, pela aguarela, e a HMJ.