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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os tiques gestuais dos políticos



Não tenho quaisquer dúvidas que os gestos físicos dos políticos, na maior parte dos casos, são estudados ao pormenor, premeditados e encenados para surtir um efeito mediático e, aparentemente, natural. Às vezes, servirão também para disfarçar uma contrariedade e melhor ocupar o espaço de um silêncio. Com certeza, quase toda a gente se lembrará do coçar das bochechas de Mário Soares ou do abrir dos olhos, bogalhudos, de Freitas do Amaral, e do posicionamento paralelo dos braços, em movimento oblíquo (de cima para baixo), de José Sócrates, ao discursar, em público - quando faz uma comunicação ao País, de S. Bento, é mais comedido.

Hoje à noite assisti, via tv, à comunicação do PR e ao 1º debate político, com vista às próximas eleições, entre Paulo Portas (CDS) e Jerónimo de Sousa (PCP), que foram ambos cordatos, inteligentes nos argumentos, e autênticos, creio. Da comunicação de Cavaco Silva, não tenho nada a dizer: foi igual a si mesmo. Disse o óbvio e previsível. E da sua gesticulação, que quase não existe, acho-a parecida com a dos manequins da Rua dos Douradores (ou será da Rua dos Fanqueiros, na Baixa lisboeta?), num dia de vento - apenas pequenas oscilações do corpo hirto.

Desta noite televisiva e política, apenas um facto novo. Na gesticulação de Paulo Portas apareceu, pela primeira vez (que eu desse por isso), a junção do dedo indicador com o dedo polegar (expressa no desenho que encima este poste), cuja patente pertence, do meu ponto de vista, a Santana Lopes que, ainda agora, mediaticamente, a usa com foros de originalidade. Pergunto-me: o que significará esta imitação descarada de Paulo Portas? O futuro o dirá. Sublinho também que o político do CDS abandonou, pelo menos hoje e no debate, o seu bordão repetitivo e já gasto, para chamar a atenção, do "Oiça!". Resta-me acrescentar que esta posição dos dedos, juntando o polegar ao indicador, tem um significado simbólico nas crenças ou mitologia indianas (andará por aqui mão de Narana Coissoró?). E por aqui me fico, hoje.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (VI)


A campanha de propaganda eleitoral para as Presidenciais de 1976 não foi isenta de peripécias e, até, de alguns incidentes dramáticos - a Democracia portuguesa era muito jovem...
No Alentejo, a caravana de propaganda do general Ramalho Eanes, foi recebida, em determinado local, a tiro. O General, ginasticado e corajoso, pôs-se de pé, na camioneta aberta, e ofereceu o seu peito, às balas soezes... Não foi atingido, e o tiroteio ficou-se por ali.
Não podemos esquecer que, dos 4 candidatos a Presidente da República, apenas um era civil: Octávio Pato, pelo PC. Todos os outros eram militares.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (II)


As Eleições Presidenciais de 1976 foram muito acaloradas quer na pré-campanha, quer na própria campanha de propaganda eleitoral. Houve até alguns incidentes dramáticos que lhes emprestaram alguma tensão. O candidato General Ramalho Eanes concitou o apoio dos 3 principais partidos: PS, PPD e CDS. O General tinha sido o nome e o rosto do operacional militar mais visível dos confrontos "bélicos", de contornos "pré-guerra civil", desencadeados em 25 de Novembro de 1975. Os líderes políticos estão representados, na imagem de Vitor Péon, por Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Freitas do Amaral. A propaganda oficial da campanha do Almirante Pinheiro de Azevedo insinuava que, através dos "seus mandantes" políticos, Ramalho Eanes iria ser o chefe de uma nova democracia musculada, próxima de uma disfarçada ditadura.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Museologias


Informações há, que lemos, mas não sendo relembradas, somem-se no esquecimento para sempre. Sobre este, chamado por alguns "delirante", desconhecido ou anónimo pintor vimaranense do séc. XVI, li algumas coisas, creio que por volta de 1996 ou 1997, mas tinha-o esquecido. Não fora a visita guiada (e muito bem guiada) ao Museu Alberto Sampaio, de Guimarães, e, tão cedo, não o recordaria. O Museu tem, no seu acervo, algumas (poucas) obras dele, vindas de igrejas e conventos dos arredores, e que permitem datar a sua actividade entre 1510 e 1550.
O intricado da vegetação, nos seus quadros ou frescos, bem como uma pessoalíssima simbologia utilizada, por exemplo, na figura de S. Jerónimo (flagelando-se e mutilando o corpo com uma pedra) permitem reconhecê-lo. Também a repetição do desenho das calças, às riscas (à "tudesca"), dos homens, marcam a sua autoria. A elegância estética das suas figuras humanas e trajes, em X para os homens e em S (barriga empinada, como se fosse de grávidas) para as mulheres, atestam os seus conhecimentos de pintura, pelas normas da época.
Na imagem das 2 obras, numa aparece a "Virgem do Leite" (terá vindo da Igreja de S. Miguel do Castelo, onde dizem ter sido baptizado D. Afonso Henriques) ladeada por S. Bento e S. Jerónimo. Esta obra integrou a exposição de Primitivos Portugueses de 1940, em Lisboa. A segunda, um fresco retirado da sala capitular do Convento de S. Francisco (Guimarães), representa a "Degolação de S. João Baptista". Ambas, portanto, do Mestre desconhecido vimaranense.
Registe-se, a título de curiosidade, que o Museu Alberto Sampaio incentiva o mecenato particular, e que este último fresco foi restaurado graças ao patrocínio do Prof. Freitas do Amaral, que nasceu em Guimarães.

domingo, 23 de maio de 2010

Nos 87 anos de um "Senador" da Pátria



Num país em que os "senadores" da Pátria se podem contar pelos dedos (arrisco: Adriano Moreira, Freitas do Amaral, José Mattoso e Mário Soares) relembro Eduardo Lourenço que hoje completa 87 anos. Com palavras suas de "O Labirinto da Saudade":
"Os Portugueses não convivem entre si, como uma lenda tenaz o proclama, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mútuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe..."