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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Do que fui lendo por aí... (6)


"...Bem galante, e certo proverbio he aquelle dos Gregos, que dis: Da guerra a pax, da pax a abundancia, da abundancia o ocio, do ocio a malicia, da malicia a guerra. Entre qualquer destas cousas me parecia a mim entremetter-se hum bom seculo de annos, mas os Portugueses querem-se parecer com Deos, querem em poucos dias faser muito, querem que o que havia de ser seculos sejão dias, porque na segunda feira ainda estavamos na guerra, na terça na pax, na quarta na abundancia, na quinta no ocio, na sexta na malicia, e no sabbado outra ves na guerra. Senhor, aquelle que aconselha guerra para lusimento da Magestade, não ama a Magestade, ama a guerra para lusimento proprio. ..."

Fr. Alexandre da Paixão, in Monstruosidades do Tempo e da Fortuna (pg. 174).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Velhos métodos


"Divulgou-se pela Corte que S. A.* dava títulos de Duques aos Marqueses de Gouveia, e Marialva; de Marqueses aos Condes de S. João, e Torre; de Conde a D. Rodrigo de Meneses. Também correo vox que Antonio de Mendonça tractava de ficar Inquisidor geral; o Bispo de Targa, Arcebispo de Lisboa; Sebastião Cesar, de Braga; pareceo aos entendidos, que a pretenção com artificiosa politica divulgou a nova, para que chegasse ao Principe da boca do povo, que até esta hora não sabemos que sahisse para a boca do povo da mente do Principe. Principes houve em Portugal que usárão deste ardil, para saberem pella approvação, ou reprovação do povo, se erão acertados seus intentos, querendo dar titulos, e postos; mas agora os pretendentes dos postos, e dos titulos, querião dar a entender ao Princepe, que o povo os escolhia por benemeritos delles."

Fr. Alexandre da Paixão, in Monstruosidades do Tempo e da Fortuna (pg. 99).

* este S. A. (Sua Alteza) refere-se ao regente D. Pedro (1648-1706), que foi rei (D. Pedro II) após a morte do irmão, D. Afonso VI (1643-1683).

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Do que fui lendo por aí... (4)


...que as leis erão teias de aranha em que se prendião moscas, e nunca ficavão aves, porque estas rompem a rede, para ellas fracas, e aquellas que por fracas não rompem, ficão. (pg. 52)

...; os testamentos servem para declarar a ultima vontade, mas sempre esta fica duvidosa, quando os testamentos se fazem no ultimo da vida, porque então as afflições do animo não deixão livre o discurso da rezão, e mais pode o querer de quem persuade, que o de quem testa, porque este obedece e aquelle ordena; que na morte, obra mais a obediencia, que o imperio. (pg. 60)

Fr. Alexandre da Paixão, in Monstruosidades do Tempo e da Fortuna.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Sonhos...


É raro eu entrar na FNAC, sobretudo desde que deixou de ter as últimas novidades em livros franceses e se parece, cada vez mais, com a Bertrand. Mas anteontem, acidentalmente, entrei. E fiquei fascinado com dois títulos, largamente expostos nos escaparates, de um casal de célebres e famosos escritores portugueses muito badalados. Ora, reparem na felicidade natalícia destes títulos:
- Não se engana o coração.
- Quero acreditar.
Quando eu for grande, e se tiver a sorte de publicar algum livro, vou querer dar assim um título feliz e inspirado à minha obra. Ou então plagio, adaptando, o nome do livro de Frei Alexandre da Paixão, sobre o tempo de D. Afonso VI. Que, como título, também é um achado precioso.