É sabido que Nelson Mandela (1918) se encontra entre a vida e a morte e até um jornal inglês, para escândalo de muitos, titulou na primeira página: que o deixassem descansar. Parece-me justo - foi uma vida cumprida, pelas melhores razões e pelos mais humanos e nobres princípios.
Mas antes que o ciberespaço se encha de carpideiras e orações fúnebres, quando a sua morte acontecer, queria chamar a atenção para um aspecto lateral que não deixa de ser importante, para mim.
Há muita gente que confunde, em democracia, tolerância com fraqueza, liberdade com abuso, direito à diferença com o exercício de dislates, insultos e baixezas. Nem a ética nem a democracia se compadecem com isso, muito menos com a violência, seja ela verbal ou física. Na síntese de uma mudança tem sempre que existir um diálogo limpo e leal, e um consenso.
A África do Sul teve, em simultâneo, a sorte do encontro de dois homens justos, tolerantes e democráticos, na sua encruzilhada de Futuro. Por isso, ao falar de Mandela, não posso esquecer Frederik de Klerk (1936). Foi deste respeito mútuo que morreu o Apartheid e a nação Sul-Africana ganhou direito à sua razão de ser.