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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Mercearias Finas 140 (em louvor do frango assado)


As crianças começam por afeiçoar-se a sabores neutros: água, leite, blédines, pão branco, queijo flamengo simples, manteiga... O resto, só chega com o avançar da idade.
O tempo que eu demorei a habituar-me ao vinho!... Que o prazer da Canja me veio cedo, interrompido, é certo, por um osso inesperado que se me atravessou na garganta e demorou a sair, de uma vez. E me bloqueou, preventivamente, o gosto, por alguns meses.
O queijo, já holandês, e bem curado, mostrou-me que o neutro flamengo podia ser outra coisa melhor, mais tarde, inesperadamente, numa casa improvável de Vila Verde, paroquial. Quanto a doces, comecei pelas Broas de mel da confeitaria Colonial, vimaranense. Depois chegaram os Mil-folhas poveiros.
E foi pelo Dão que me converti às virtudes especiosas do vinho.
O frango foi atravessando várias fases quase sempre apreciadas, numa altura em que o "do campo" nem precisava de certificação. Eram todos rurais e criados a milho, mas a recordação mais amorável vai para os de Covas, saboreados em expedições nocturnas aos arredores de Guimarães, depois de jogatainas de poker nas férias grandes, quando saíamos de Urgezes, em grupo esfomeado, pela noite adentro.
Voltei hoje ao frango assado, que aqui estou a celebrar. De churrasco, competente e memorável.
Acompanhado por um branco (Tejo) Conde de Vimioso (2017), que nem passou pelo frigorífico.
Simples, económico e muito saboroso. O frango, claro!