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segunda-feira, 4 de março de 2024

Olisipografia



É vastíssima a temática sobre Lisboa, sob amplas perspectivas. E vem de longe, talvez anterior a Francisco de Holanda (1517-1585) com a sua Da Fabrica que falece à cidade de Lisboa (1571). Júlio de Castilho, Norberto Araújo e Pastor de Macedo são alguns destacados olisipógrafos. Marina Tavares Dias (1962), uma das mais recentes. Esta colecção, de que se apresentam duas imagens, acima, aborda as freguesias de Lisboa e o programa prometia abranger 53. De forma sucinta, em livrinhos quase de bolso e que permitiam guiar os viandantes de forma útil em passeios informados, a obra data dos anos 90 e teve a colaboração da Sociedade de Geografia de Lisboa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Uma louvável iniciativa 62



Estas coisas, normalmente, vendem-se mal e percebe-se porquê... apesar da magnífica apresentação da edição fac-similada, preparada pelo jornal Público. E foi assim que, tendo-me eu esquecido de comprar o livro na Sexta-feira, quando saíu com o jornal, consegui ainda hoje comprá-lo no quiosque, por 9,90 euros, que é um preço módico para a qualidade da obra. Tinham sobrado alguns.
O manuscrito original de Francisco de Holanda (1517-1585), que aborda o urbanismo lisboeta quinhentista, está guardado na Biblioteca da Ajuda e foi desse exemplar que se tirou cópia para esta edição fac-similada, em boa hora e a preço acessível para quem estime estas nossas antiqualhas...



quinta-feira, 22 de julho de 2010

Miguel Ângelo, polémico


Nem sempre nos lembramos que, em "Da Pintura Antiga", Francisco de Holanda (1517-1585) transcreveu nos "Diálogos de Roma" conversas que terá tido com Miguel Ângelo (1475-1564). Embora no tom empolado do diálogo renascentista literário, achei curioso recordar o que Miguel Ãngelo diz sobre a pintura flamenga, em contraponto à italiana.

"- A pintura de Flandres, respondeu devagar o pintor, satisfará, senhora, geralmente, a qualquer devoto, mais que nenhuma de Itália, que nunca lhe fará chorar uma só lágrima, e a de Flandres muitas; isto não pelo vigor e bondade daquela pintura, mas pela bondade daquele tal devoto. A mulheres parecerá bem, principalmente às muito velhas, ou às muito moças, e assim mesmo a frades e a freiras, e a alguns fidalgos desmúsicos da verdadeira harmonia. Pintam em Flandres propriamente para enganar a vista exterior, ou cousas que vos alegrem ou de que não possais dizer mal, assim como santos e profetas. O seu pintar é trapos, maçonarias, verduras de campos, sombras de árvores, e rios e pontes a que chamam paisagens, e muitas figuras para cá e para acolá. E tudo isto, ainda que pareça bem a alguns olhos, na verdade é feito sem razão nem arte, sem simetria nem proporção, sem advertência do escolher nem despejo, e finalmente sem nenhuma substância nem nervo. E contudo, noutra parte se pinta pior que em Flandres. Nem digo tanto mal da flamenga pintura porque seja toda má, mas porque quer fazer tanta cousa bem (cada uma das quais, só, bastava por mui grande) que não faz nenhuma bem."

(Clássicos Sá da Costa, "Diálogos de Roma" de Francisco de Holanda, pgs. 18/19)