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sábado, 5 de maio de 2012

Bibliofilia 63 : Camilo e Sarmento


O livro tem uma parceria notável, pelo menos para mim, de dois grandes amigos: Camilo e Martins Sarmento. E foi editado em 1887, na "Lithographia Portuguesa a vapor. Sta. Catharina, 146, Porto". Raramente o vi à venda em alfarrabistas ou leilões, muito embora se indique que teve uma tiragem de 5.000 exemplares, dos quais, os 100 primeiros, numerados e com a indicação do possuidor, começando pelo rei D. Luís. E o conde de S. Salvador de Mattosinhos "dignou-se aceitar 500 exemplares d'este livro, para promover a sua distribuição no Rio de Janeiro...".  A Comissão editora refere, logo de início, que: "O producto d'este livro é generosamente offerecido pelos illustres auctores ao Real Hospital de Crianças Maria Pia e à Créche de S.Vicente de Paulo para fundo da sua escola. ..."
O título, Obolo ás Creanças, tinha-me deixado uma impressão errada. Pensei-o apologético, caritativo e cristão - cheirava-me a sacristia, miserabilista e piedoso. Nunca o tinha folheado, nas poucas vezes que o vi à venda e o tive à mão. Mas estava errado na suposição preconcebida. É antes uma "coisa em forma de assim" (Alexandre O'Neill dixit), mas no melhor sentido, e lê-se lindamente e com agrado. Tem humor, informações históricas, poesia (fraquinha, valha a verdade!), lendas e variada colaboração valiosa. Camilo desdobra-se por vários capítulos, sob diversos pseudónimos. Nele, também escrevem Vilhena Barbosa, António Alves Martins, bispo de Viseu e outros nomes da época, conhecidos, para além dos promotores iniciais da publicação: Camilo Castelo Branco e Francisco Martins Sarmento.
A edição, do ponto de vista gráfico, e não só, é primorosa. O exemplar, que comprei, há dias, por 20,00 euros, está em óptimas condições de conservação e muito bem encadernado. E como disse atrás, é de leitura muito agradável e rico de informações culturais. Creio, no entanto, que nunca terá sido reeditado. Pena!...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Martins Sarmento, arqueólogo vimaranense



Francisco Martins Sarmento, nascido em Guimarães a 9 de Março de 1833, na mesma cidade veio a falecer, em 9 de Agosto de 1899. Por trás do monumento (em imagem) de discreta monumentalidade, que lhe construíram para celebrar o centenário do nascimento, fica meio escondido o Jardim do Carmo, onde eu brinquei, muitas vezes, nas primaveras e verões da minha infância. E, do lado esquerdo, ficava a casa onde o arqueólogo vimaranense faleceu, com 66 anos. Os desenhos, na pedra, imitam ou sugerem os arabescos da Pedra Formosa, uma estela funerária, ex-libris da Sociedade Martins Sarmento, que ele fundou em 1888, depois de ter posto a descoberto as citânias de Briteiros e de Sabroso. À Sociedade deixou todo o seu património, porque não teve filhos. Assim se construiu o Museu, arqueológico, e se dotou Guimarães de um foco cultural importante, ainda hoje.

para MR, em geminação com o Prosimetron.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Favoritos XXXII : o Colosso e a Pedra Formosa



Francisco Martins Sarmento faleceu a 9 de Agosto de 1899. Nascido em Guimarães, a 9 de Março de 1833, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, mas notabilizou-se, sobretudo, como arqueólogo. A ele se devem as escavações que puseram a descoberto as povoações castrejas da Citânia de Briteiros e de Sabroso. Martins Sarmento poetou, na juventude, e traduziu "Os Argonautas", de Apolónio de Rodes, e a "Ora Marítima" de Avieno. A ele se deve a criação da Sociedade Martins Sarmento (1888) que, hoje, se subdivide entre a Fundação e o Museu do mesmo nome do arqueólogo, em Guimarães. O Museu a quem este ilustre vimaranense, que não teve filhos, legou grande parte dos seus bens, integra duas peças de remota antiguidade: a chamada Pedra Formosa, provavelmente uma estela funerária, e que é o "ex-libris" do Museu; e o denominado Colosso de Pedralva, gigantesca estátua de três peças em granito, que estaria ligada ao culto fálico da Lusitânia. A última foi adquirida ainda por Francisco Martins Sarmento, em 1892.
Entre a primitiva filigrana decorativa da Pedra Formosa e a tosca rusticidade do Colosso de Pedralva, tenho uma particular preferência por este último.