Mostrar mensagens com a etiqueta Francisco Louçã. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Francisco Louçã. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Palavras atrás...


Aqui há 45 anos atrás, eu ia ficando em jejum - estava tudo fechado. Eu e um meu amigo, só por milagre encontrámos 2 sandes ressessas, num café de um  foyer de um cinema, para mitigar a fome. Viviam-se os tempos idealistas do 25 de Abril, na sua forma mais pura e dura, sem transigências.
Neste ano da graça de 2019, tudo está mais relaxado e permissivo. Tirando as palavras corajosas do actual Bispo do Porto e o tímido anúncio de greve, para o 1 de Maio, nas grandes superfícies, a data parecia um mero domingo, pela quantidade de lojas abertas em que poderíamos exercitar a nossa gula de consumo. Em passeio estival, de tarde, passei por "dois sítios do costume", atulhados de clientes.
Qual greve, qual carapuça! Nem na primavera marcelista, que me veio à memória. Luta de classes? Só por miopia.
E, no entanto, as palavras de Louçã, aqui há uns dias (19/4/2019), no Expresso (que encimam este poste), têm toda a razão de ser. Só que os indignados de hoje refastelaram-se na comodidade de baixarem a cerviz e pactuarem, cobardamente, com a sua vidinha e o seu exíguo salário mínimo, ainda que precário. Claro que assim não vamos a lado nenhum. De melhor.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

As palavras do dia (31)


Francisco Louçã (1956), no jornal Público de hoje, chama-lhes "gerigonçólogos", eu preferia chamar-lhes: minudentes, ou qualquer coisa assim parecida.
São jornalistas e comentadores que, pouco ou nada tendo a dizer, se prendem a aspectos formais, secundários e decorativos, para ornamentar as suas palestras vazias, em jornais e televisões. Conheço vários.
Iria jurar que nasceram e se fizeram homenzinhos durante o consulado cavaquista. Começaram a desenvolver-se interpretando, quais adivinhos ou pitonisas, uns discursos presidenciais que não tinham nada para interpretar, porque eram de uma chateza lhana e total. Assim cresceram eles, os minudentes jornalistas e comentadores da nossa praça...
Vou transcrever uma pequena parte do texto de Louçã, mas aconselho a sua leitura integral, porque é uma das crónicas mais bem esgalhadas deste nosso político e conselheiro de Estado. Aqui vai, então:

...Calhou-nos portanto a sorte de ter de viver com esta casta especial, especializadíssima, que é dos peritos em decifrar o tom de voz, a catadura, a posição da mão, o andar, a cor da roupa e até, em desespero de causa, a palavra desta gente que arrombou a porta do palácio. São os "geringonçólogos". ...

domingo, 3 de agosto de 2014

Desabafos


Tenho de confessar que a sanha persecutória, durante anos, do sr. Louçã contra o sr. Salgado, às vezes me incomodava por uma insistência que eu achava exagerada, nos seus termos.
Tenho de dizer que, antes de ser nomeado para altos cargos no Banco de Portugal, eu não conhecia o sr. Costa, de lado nenhum. Nem dele tinha ouvido falar, apesar de comprar o jornal todos os dias. E o ler.
Tenho de concluir que sou um ignorante, ou um ingénuo. E, mesmo assim, atrevo-me a prever que a declaração do sr. Costa, logo, às 22h30, nas televisões e sobre o momentoso caso BES, será rodeada de dramatismo, pompa e circunstância, solenes...
Antes que seja tarde, expliquem-me, por favor, quem é esse tal sr. Moedas, que vai para Bruxelas!

sábado, 12 de novembro de 2011

Uma caracterização fradesca, de V. P. V.


Não sou, nem de longe nem de perto, um fã entusiasta de Vasco Pulido Valente. Mas aprecio a forma exemplar e escorreita da sua escrita, a fina ironia, desculpando-lhe o azedume, por vezes, excessivo. Com Medina Carreira, é talvez o maior produtor de "frases assassinas" e de raciocínios agressivos, mas correctos, em Portugal. Ontem, no "Público", caracterizava, argutamente, na sua crónica, três dos mais conhecidos e angélicos (ou fradescos) políticos portugueses. Segue a transcrição parcial:
"...Só falta a Seguro o chapéu e a sotaina preta para concorrer com o famigerado jesuíta (bom ou mau, como preferirem) do socialismo romântico. Com aquela voz doce e aquele ar pesaroso vai longe com certeza.
O dr. Cavaco, que anda mais pelo frade ascético, também nos disse duas vezes que os sacrifícios deviam ser «distribuídos» com «equidade» e com justiça e que era muito feio abusar dos mais pobres. Gostava ele que todos nós, mesmo no meio da crise, conseguíssemos viver em grande entendimento, doçura e caridade. ..."

terça-feira, 3 de maio de 2011

"Inconcluso desejo no limiar do transe"



O título que encima este poste não é meu, felizmente. Pertence a um plumitivo que, nos anos 90, assim intitulou um seu artigo de análise crítica, num defunto jornal literário. Usei-o, para não o esquecer, mas é, no meu entender excessivamente barroco, de mau gosto estético embora, quiçá!, possa ter alguma intenção erótica da parte do seu autor literato...isto, há gente para tudo, nestas coisas da literatura. Mas não é de literatura que eu queria falar, vamos, mas é, ao discurso: - Não percebo, hoje em dia, esta pressa política em comentar ou contraditar, de imediato e para os media, qualquer declaração do Governo. A prestação televisiva, cerca das 20,45 hrs., do Primeiro-ministro, que tinha a seu lado um Teixeira dos Santos patibular, para anunciar (parcialmente) o acordo com a Troika, mereceu incontinentemente e 10 minutos depois, uma declaração de Eduardo Catroga (pessoa, aliás, que respeito), pelo PSD, que foi, no mínimo, gaguejante, atabalhoada e infeliz. Seguiu-se, qual serial-killer, o comentário metralhado de Francisco Louçã. Assunção Cristas, do CDS, como teve mais tempo, foi também mais ponderada, prudente e medida. Porque que é que esta gente não pensa, antes de falar? E escolhe, friamente os argumentos explicando, claramente, as razões? Curiosamente, não ouvi nenhuma declaração do PCP. Ou se guardou para o fim sabiamente ou preferiu pensar antes, para falar de depois. Não é impunemente que se tem a honra de ser o mais antigo partido político da democracia portuguesa. 90 anos sempre dão alguma sageza...