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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Pinacoteca Pessoal 154


Creio que terá sido o historiador de arte britânico Kenneth Clark (1903-1983) quem, em 1936, a propósito de uma exposição de pintura surrealista, designou para essa escola alguns precursores. Referindo, para o efeito, entre outros, os nomes de Bosch, Giovanni di Paolo e Agostino Veneziano. Bem como de Goya.


Se Agostino Veneziano (c. 1490-c. 1540) é conhecido sobretudo pela sua extensa obra de gravador, provavelmente, foi pela sua gravura Lo Stregozzo, ou The Carcass como a nomearam os ingleses, pertencente ao acervo do British Museum, que Clark se inspirou e fundamentou para a sua tese.


Quanto a Giovanni di Paolo (1403-1482), pintor italiano, quero crer que o Salvamento de um náufrago por S. Nicolau de Tolentino poderia ter sido um dos quadros que Kenneth Clark tinha em mente para fazer a sua polémica afirmação.
No domínio da Arte, tudo são meras hipóteses e nenhum artista está isento de dívidas. Quero eu dizer: de influências.

domingo, 25 de novembro de 2018

Militária


A panóplia temática da I Grande Guerra é vasta. As ilustrações podem chegar ao humor, à propaganda, mas também há toda uma iconografia inventariando os desastres e destruições provocados pela guerra, na senda do que Goya fizera, em arte, cerca de 100 anos antes.
Escolhi estes dois postais que, não deixando de ser bélicos, ilustram o vestuário militar de dois países: a Inglaterra e a Alemanha.


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Pequena história (51)


Sendo muito conhecido, o quadro Guernica, de Pablo Picasso (1881-1973), é talvez comparável, em notoriedade, à célebre Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Enquanto este último tinha, no entanto, um objectivo individualizado, como retrato, o primeiro foi executado (1937) para exprimir a revolta por um massacre colectivo, perpretado pela aviação nazi, em apoio de Franco.
Sem absoluta garantia de veracidade, há um pequeno episódio associado à pintura, referido por várias fontes, nomeadamente, pelo crítico literário inglês V. S. Pritchett (1900-1997), que o conta, num trabalho que escreveu, a propósito de Goya, incluido em The Complete Essays (Chatto & Windus, 1991).
Assim: durante a ocupação de Paris, em 1940, um oficial nazi, de visita ao estúdio de Picasso, ao contemplar Guernica, terá perguntado - Vous avez fait ça, n'est-ce pas? Ao que o Pintor terá respondido: Non, monsieur, c'était vous.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Galvarino Santibáñez (Chile, 1959)


19

A morte que visita as casas de repouso
tem os olhos vendados
como a prima feroz da nossa infância
que brincava connosco
à cabra-cega.


Galvino Santibánez, in Líneas de fuga (2011).



Nota pessoal: é, no mínimo, curioso que o jogo infantil da cabra-cega, em Espanha se chame Gallina Ciega e, na Alemanha, seja conhecido por: Blinde Kuh (Vaca cega). Mudam os animais patronos, mas o jogo é o mesmo. Para quem teve infância, quem não se lembra dele? Neste poema, através de uma insólita metáfora.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Maldades


Às vezes, e por maldade, a nossa alma fica em paz, com uma coscuvilhice, ou uma apreciação menos abonatória acerca de alguém, quando condiz com a nossa opinião.
Ora, eu nunca gostei dos quadros do pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664), quer os do Prado, quer os que vi em Portugal. A escuridão que deles emana, nunca me convenceu...
E, hoje, li o que Duncan Wheeler, no TLS, dele diz: "...ostensivamente um artista de segunda-divisão como é Zurbarán." (sublinhado na imagem). Fiquei em paz com a minha má consciência...

Nota: não confundir com o quadro que também aparece na imagem e que é um auto-retrato de Goya. Também não sou grande apreciador dos quadros de Goya, mas não deixo de reconhecer qualidade à sua obra.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Seamus Heaney, Madrid e Goya


É minha convicção que as viagens só têm aproveitamento de aprendizagem e só ganham espessura, na memória, a partir da adolescência. Até lá poderão talvez ficar fiapos de recordações e imagens, não mais.
Madrid poderá ver-se de várias perspectivas, consoante o visitante, sendo que duas serão as mais claras: consumo e cultura. Tudo, também, depende da razão por que lá fomos, o estado de espírito da altura, a idade, o que vimos e comprámos. Há porém quem defenda que a memória das cidades resulta das experiências afectivas ou eróticas que lá tivemos. Será, porventura, uma forma poética ou psicanalítica de ver as coisas...
Era eu um infante, a primeira vez que fui a Madrid. Ficaram-me, da chegada, as imagens de prédios altos (que nunca tinha visto tão altos) iluminados, porque já era de noite. E ainda a lembrança de um detestável e enjoativo sorvete de baunilha, que não consegui acabar; bem como uma armadura perfurada por balas da Guerra Civil, num museu. As moedas, mais leves que as portuguesas e um vago quarto de hotel. Foi tudo. Vieram também comigo 1.000 selos de colecção: Hungria, Checoslováquia, do período da inflação alemã.
O poeta irlandês Seamus Heaney (1939-2013) esteve lá em 1969. Pouco menos de três anos antes da Bloody Friday, mas já a Irlanda do Norte fervilhava. Heaney viu Madrid através de algumas pinturas de Goya e, mais tarde, escreveu um poema, que intitulou Summer 1969. De que vou traduzir uma pequena parte dos versos finais:

Refugiei-me na frescura interior do Prado.
Os "Fuzilamentos do 3 de Maio" de Goya
Cobriam uma parede, as armas apontadas
E o espasmo do rebelde, os protegidos
E trajados militares, a eficiente descarga
De fuzilaria. Na sala adjacente os seus
Pesadelos incrustados na parede do palácio
- ciclones sombrios, sôfrego, recurvado Saturno
Enfeitado no sangue dos seus próprios filhos
O caos gigantesco em redor da barbárie
Sobre o mundo. (...)
Ele terá pintado de punhos cerrados, sobrancelhas
Franzidas, coração endurecido pelo peso da história.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Na Gulbenkian, até 25 de Janeiro


Um Goya monocromático, escurecido, pretextando a caridade de Santa Isabel de Portugal, duas muito belas imagens de estatuária religiosa, uma delas sobre a mesma Santa, com panejamentos delicados em movimento; e um Santo António mavioso no seu sono de bondade, sob a protecção do Menino. Retratos impressivos de Van der Hamen, que me lembraram o de Quevedo, magnífico. Tudo isto não será notícia, para quem já viu a exposição "Tesouros dos Palácios Reais de Espanha", na Gulbenkian.
Mas convém destacar o grande "Cavalo Branco", logo de início, visto pelo olhar único, e oblíquo para a esquerda, de Diego Velázquez, que, se não fosse um sacrilégio, eu diria que faz o contraponto (olhar oblíquo, para a direita) da púdica "Vénus ao espelho", único nu - de costas ainda por cima - que o grande pintor espanhol, de ascendência portuguesa, pintou em toda a sua vida. Foram estas, em breve inventário, as obras em que me detive, pela sua beleza. E que trouxe, na memória.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

3 fragmentos para um massacre


Le XXIe siècle sera religieux ou ne sera pas.

André Malraux (1901-1976).
...
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.

Eugénio de Andrade (1923-2005).
...
Por isso, não mandes perguntar
por quem o sino dobra,
que ele, também, dobra por ti.

John Donne (1573?-1631).

domingo, 3 de março de 2013

Pinacoteca Pessoal 47 : Goya


Não sendo eu grande apreciador de Goya (1749-1828), não posso deixar de reconhecer a importância marcante e decisiva da sua obra. Que justificou, na esteira de um Bosch, a sequência posterior de um Picasso, de um Soutine, de um Francis Bacon.
E, não sabendo explicar bem porquê, os "Caprichos" (de que se mostram 3, em imagem) parecem-me apropriados ao nosso tempo e aos dias de hoje. Num retrocesso ou num renascimento a que a Humanidade estará sempre sujeita. Ou condenada.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

À guisa de explicação ( e justificação )

Correm, nos mentideros portugueses, histórias piedosas sobre o ex-homemdourado Sachs e sobre o agente Viegas da cultura. A primeira, de foro oncológico, o que justificaria o súbito emagrecimento da criatura; a segunda história, de foro fiscal, que explicaria a aceitação (pressionada de cima), para o cargo, do conhecido entertainer luso. No cepticismo temperado que me caracteriza, não acredito nos enredos. Penso que são meras manobras de contra-informação difundidas, expressamente, para que olhemos as duas criaturas com caridade, benevolência cristã, e atenuantes, em relação ao exercício político destas arrogantes e detestáveis criaturas. Ou seja, uma espécie de telenovela da coxinha infeliz ou folhetim do pobre ceguinho, postos a circular para que nos amerciemos deles e desculpemos as suas malfeitorias e oportunismos. Volto a dizer: não acredito.
E, mesmo que fosse verdade, não atenuariam, um milímetro que fosse, a sua responsabilidade cívica, ética e política, nem do ex-homemdourado Sachs, nem do agente Viegas.
Não é por ter sido corcunda e ter um braço inerte (segundo Shakespeare), que Ricardo III, com as suas atrocidades, teve absolvição. Nem Franco, já em agonia, terá merecido o reino dos céus, ao abandonar à morte, 2 etarras, sem lhes comutar a pena para prisão perpétua. O caudilho moribundo quis companhia, na morte...
Uma figura sinistra é, sempre, uma figura sinistra. Portadora, até ao fim, de uma responsabilidade moral, mesmo que tenha um cancro, em situação terminal. Ou que não tenha dinheiro para pagar ao Estado, o que deve, e seja encostado à parede. Há os ratos e há os homens. Lá por estar aleijadinho, o sr Schäuble, não tem direito a atenuantes humanas ou políticas, nem à nossa caridade cristã, pela sua intransigência anti-europeia.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Goya



Francisco Goya y Lucientes nasceu em Fuendetodos, próximo de Saragoça, a 30 de Março de 1746. O "Auto-retrato", em imagem, pertence à série de 80 águas-fortes intituladas "Os Caprichos", quase todas elas satíricas ou de crítica social. Terão sido executadas entre 1793 e 1798. Foram anunciadas, no Diario de Madrid de 6 de Fevereiro de 1799, através de palavras seguintes, escritas por Goya ou com a sua anuência: "Convencido de que a crítica dos erros e dos vícios, seja embora uma função da retórica e da poesia, também pode servir de tema à pintura, o artista seleccionou, das extravagâncias e loucuras comuns a toda a sociedade e dos preconceitos e fraudes, sancionadas pelo costume, a ignorância ou o interesse, aqueles que parecem mais adequados ao ridículo e estimulantes como imagens." Goya morreu a 16 de Abril de 1828.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Édouard Manet



Édouard Manet nasceu em Paris a 23 de Janeiro de 1832. Do seu quadro, porventura mais conhecido, Olympia (1863), cujo modelo foi Victorine Meurent, mostra-se um esboço prévio. A pintura remete, irresistivelmente, para a Vénus de Urbino, de Ticiano (1490?-1576), que se guarda nos Uffizi. E, de algum modo, para as Majas, de Goya (1746-1828), pintadas entre 1800 e 1803, de que se diz que o modelo terá sido a Duquesa de Alba. Edouard Manet morreu, em Paris, a 30 de Abril de 1883.

domingo, 25 de abril de 2010

Salão de Recusados XIV : Contra a cegueira ou ignorância



Na madrugada alta (talvez 4 da manhã) de 25 de Abril de 1974, o carro onde eu seguia, com o meu amigo E. S., guinou para a direita, em direcção ao Largo de S. Sebastião da Pedreira, para me levar a casa. Vi, então, uns vultos em ângulo quase recto, de metralhadoras aperradas, cosidos à parede, rodeando o Quartel-General. Eram soldados, e eu disse para o meu amigo: "- Olha!, devem estar em exercícios. A esta hora..." Depois, e a partir da manhã, foi o melhor ano e meio da minha vida.
Hoje, sintonizando alguns blogues, vejo o esquecimento, o "pudor e o cuidado", a cegueira, a ignorância, o "voluptuoso desejo de imobilidade" (de que fala Lampedusa), ou a excessiva juventude de alguns escritos, e fico perplexo. E apreensivo. Porque se não se põem a pau, esta "juventude", dentro de alguns anos, vai apanhar com ditaduras muito mais pesadas e sofisticadas do que aquela que eu vivi, durante quase 30 anos. Com a caturrice de velho, deixo 2 citações que talvez ajudem a reflectir. Pelo menos, para aqueles que ainda pensam. Livremente.

"É legítimo recear que a Revolução, como Saturno, devore sucessivamente todos os seus filhos."
Pierre Vergniaud (1753-1793)

"Façam da Revolução a base de uma estabilidade e não um berçário de futuras revoluções."
Edmund Burke (1729-1797).