Épocas demasiado pródigas em artífices de grande qualidade prejudicam, no futuro, os artistas de segunda água que, muitas vezes, acabam esquecidos, por os maiores secarem tudo à volta. Será o caso da Renascença, em que só os grandes (Da Vinci, Miguel Ângelo...) são lembrados, com frequência.
De Francesco del Cossa (Ferrara, 1435?-1478, Bolonha) muito pouco se sabe. E da sua obra são sobretudo conhecidos os frescos que realizou para o Palazzo Schifanoia (Ferrara), em parceria com um colega pintor, por encomenda do duque Borso de Este. Reproduz-se, acima, o Triunfo de Maio, que terá sido executado por volta de 1470.
São 12 frescos, com motivos astrológicos, de que, seguramente, Del Cossa pintou três. Os frescos, restaurados recentemente, decoram a Sala dei Mesi do palácio de Ferrara. Em carta, que sobreviveu ao artista, este queixa-se ao Duque italiano, por ter sido mal pago. Na restante obra de Francesco del Cossa, cujo pai era um modesto pedreiro, predominam os motivos hagiográficos e um ou outro retrato, como este último, curioso e intrigante, denominado: Jovem com anel. Alguns quadros podem ser vistos no Museu Thyssen-Bornemisza (Espanha), como, por exemplo, o que representa S. Vicente Ferrer.