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terça-feira, 11 de abril de 2017

Comic Relief (135)


Quando o aleijadinho alemão das finanças - segundo Der Spiegel - diz que, se fosse francês, votaria Macron, eu terei de concluir que a esquerda gaulesa está metida num molho de brócolos...

domingo, 24 de janeiro de 2016

A parte pelo todo


Foi moda, por cá, a partir do último quartel do século XX, começarem a aparecer obras completas de alguns poetas, que se encontravam ainda em pleno exercício da sua arte e a meio da vida. Nem Herberto Helder escapou a esta tentação, e andam por aí as suas Poesia Toda, que ciclicamente ia editando...
Não sei se haverá muita afinidade entre Política e Poesia, para além de serem uma vocação humana estimável. Mas é verdade que, ultimamente, vários políticos juniores portugueses se afanaram e esfarraparam em contribuir para a publicação das suas autobiografias, cujo interesse não deve sequer alcançar a região dos seus fregueses... Ânsia de protagonismo, com certeza.
Mortos, provavelmente, não inspirarão decerto nenhum posterior biógrafo autorizado e competente, até porque as suas vidas terão sido excessivamente rasteiras e desenxabidas, para deixar rasto e interesse. Quase nenhum  se aproximou sequer da altura política e da qualidade literária do autor de A Abelha e o Arquitecto, por exemplo. Mittérrand, quero eu dizer.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Recomendado : sessenta - dossiê Mittérrand


Não se peça a um político que seja ingénuo, ferreamente coerente, bondoso. Inteligência, visão de futuro, algum cinismo, o pragmatismo da frieza na res publica, alguma fidelidade, se não à coerência, pelo menos a alguns princípios - são imprescindíveis ou necessários.
Por isso, recomendo este fora-de-série da revista francesa L'Histoire, saído recentemente e dedicado a François Mittérrand (1916-1996). Vinte anos dão para fazer uma avaliação isenta e desapiedada. Se não fosse por mais, e em benefício de inventário do grande estadista francês, teremos de lhe reconhecer uma nítida e ampla visão da Europa. E a abolição da pena de morte, em França. Não serão coisa pouca...


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Pequena história (26)


Apesar de ter um valor meramente simbólico (cerca de 10 euros), o Prémio Goncourt é talvez o prémio literário mais prestigiado de França, pela isenção - fora dos circuitos editoriais - que preside à escolha do agraciado. O prémio criado  em 1896, por Edmond Goncourt, em memória do seu irmão Jules, foi atribuído, pela primeira vez, em 1902.
O júri, integrando os nomeados da Academia Goncourt, reúne-se nas primeiras terça-feiras de cada mês, almoçando no Restaurante Drouant, em Paris, onde discute as opções sobre romances publicados em França. E, no início de Novembro, é anunciado o nome do escritor escolhido. O livro vem a constituir, normalmente, um best-seller. Alguns dos autores premiados foram: Marcel Proust, Malraux, Simone de Beauvoir, Vaillant...
Ao que parece, os académicos da Goncourt resistiram, talvez por não apreciarem, ou por lhes parecer moda passageira, a destacar obras da escola dita do Nouveau Roman mas, finalmente, em 1984, resolveram atribuir o Prémio Goncourt a Marguerite Duras, pela sua obra L'Amante. Ao que dizem as más línguas, por interferência exterior de François Mittérrand.
Na altura, Robert Sabatier não resistiu a lançar a diatribe assassina: On a donné Duras à Goncourt.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Círculos


A menos de 30 páginas do final de "Le Noir et le Rouge" (Grasset, 1984), de Catherine Nay, sobre a ascensão ao poder de François Mittérrand (1916-1996), é com pena que vejo o livro a terminar. É um texto desapiedado (ou pouco elogioso, e isento - parece-me), mas rico e inteligente, sobre os defeitos e virtudes de um grande político e homem de estado, mas também o retrato das circunstâncias e vicissitudes francesas de uma época (política).
Um dos aspectos que mais me surpreendeu e interessou foi o facto de saber que Mittérrand, em relação às suas amizades, acabou por criar uma espécie de diversos círculos ou grupos humanos que, embora quase tangenciais, raras vezes se tocavam ou conviviam entre si. Compartimentos estanques, de fidelidade, que Mitérrand, sabiamente, geria e administrava, em equanimidade. De algum modo, era a sua forma de dividir para reinar, politicamente.
Na modéstia da minha experiência, e naturalmente, verifico também que, o discurso e temas que privilegio com os meus maiores amigos, têm, quase sempre, algo de específico e predominante. Se, com alguns, a abordagem da ética, em sentido abstracto, se destaca, já, com outros, os diálogos abordam, maioritariamente, a arte e a literatura, em geral. E, ainda para outros, são os aspectos políticos, ou de sensibilidade humana que são mais recorrentes.
Digamos, para concluir, que os seres humanos, e à sua medida, não são assim tão diferentes, entre si.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Citações CXIX : Mittérrand


O que é a velhice? Antes de mais é perder a curiosidade.

François Mittérrand (26/10/1916 - 8/1/1996).

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Brel

Várias razões pessoais para incluir esta, e não outras, canção de Jacques Brel. E ainda mais um motivo: numa entrevista antiga (1977?), François Mitérrand destaca, do último disco de Brel, a canção "Jaurés".
Para quem queira ouvir as palavras de Mittérand: Youtube - "François Mitérrand,  l´homme de lettres parle de Jacques Brel, le poéte".

sábado, 5 de maio de 2012

Presidenciais francesas


Mais do que a sombra de François Mittérrand, parece ser a figura tutelar de Jean Jaurés (1859-1914) que se perfila atrás de François Hollande, nestas eleições presidenciais francesas. Em várias sedes de campanha há, nas paredes, uma frase simbólica: "Que faria Jaurés?" Porque não serão poucos os trabalhos de Hollande, se vencer, amanhã.
A única semelhança, entre os dois, é que nenhum deles teve funções governativas. Mas a influência dinâmica de Jean Jaurés, na Esquerda francesa, nunca se perdeu, e continua a ser presente e tutelar. Lembremo-lo: "Eu próprio peço aos socialistas para não me dizerem a data do triunfo do socialismo - é impossível determiná-la; eu digo-lhes para viverem cada dia num socialista estado de graça, que é trabalhar interminavelmente, cada minuto, cada hora para a chegada do socialismo, para  sacrificarem todos os esforços por ele, a força do seu pensamento e da sua vida."
E depois, François Hollande?

domingo, 29 de janeiro de 2012

Esquerda caviar


Com o sugestivo título de "O último combate de Jack Lang, o inoxidável", o jornal "Le Monde" (obrigado, H. N.) de 20/1/2012, dá notícia de que um dos últimos grandes dinossauros da era miterrandista, em actividade, aos 72 anos, se prepara para concorrer à 2ª circunscrição de Vosges (Saint-Dié), região onde nasceu em 1939. A sua imagem política de parisiense e cosmopolita, concorrendo para uma zona de província, de forte implantação de operariado, faz o jornal apelidá-lo de "gauche caviar". Mas o antigo ministro da Cultura de François Mittérrand que, com Melina Mercury, é responsável pela ideia notável das Cidades Capitais Europeias da Cultura, mantém uma cota de popularidade ainda invejável.
Por cá, a classificação de esquerda caviar, mediaticamente, salpica apenas o BE. Muito embora, do meu ponto de vista, há muito boa gente do PS que, mais rural e menos cosmopolita, contudo, pudesse ter direito à classificação. Abstenho-me de citar nomes porque alguns casos são óbvios e aparecem nas revista róseas, com frequência. Por outro lado, o que me importa destacar é Jack Lang (1939), político por natureza e convicção, que, depois de ter tido cargos bem importantes, não hesita em concorrer por um círculo eleitoral de província, no norte de França, aos 72 anos. Cargo que, se vencer nas urnas, nada lhe vai acrescentar ao curriculum e prestígio pessoal.
Quando a maior parte dos políticos portugueses, depois de exercícios ministeriais, se recolhem a mordomias chorudas, ou os "Indignados" se amodorram, de Inverno, nas aquecidas casas dos pais, à espera de tempo mais quente, para vir acampar nas praças principais das cidades, sabe bem, como exemplo, ver Jack Lang regressar à luta política, no inverno da idade, mesmo que seja pela conquista de um lugar de província e quase obscuro. É isto, no fundo, que faz a diferença nos homens. Entretanto, Mário Soares dá, hoje, na RTP2 e programa Câmara Clara, uma entrevista, cerca das 22,30 hrs., a propósito da recente saída de um seu novo livro. Não vou perder.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Perspectivas


É bem verdade que o que há de bom numa amizade de muitos anos, entre muitas outras coisas, é a possibilidade de reconstituir, com alguma exactidão, um acontecimento do passado, a partir das memórias parciais e pessoais de cada um. As perspectivas individuais reordenam e corrigem os detalhes, permitindo a visão do conjunto, com algum rigor objectivo. É assim entre amigos, será assim entre irmãos.
Em testemunho desta minha observação, vou referir, traduzindo, um episódio contado por Catherine Nay ("Le Noir et le Rouge, ou l'histoire d'une ambition", Grasset, 1984) sobre o ambiente político em casa dos irmãos Mittérrand (Robert e François). Segue:
"...«Quando eu tinha menos de 15 anos os nomes dos líderes socialistas e radicais eram sempre objecto de crítica em nossa casa, à mesa», lembra-se Robert, o irmão mais velho do Presidente. «Eu nunca ouvi, em casa, acusações sobre os socialistas ou comunistas», nota pela sua parte François Mitérrand." E a jornalista remata, apropriadamente: "Podemos ser irmãos e não ouvir as mesmas coisas entre a pêra e o queijo."
Neste caso, o politicamente correcto deve ter interferido, com certeza...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Esquerda e direita - a memória


É sempre com alguma expectativa positiva que inicio a leitura das crónicas de Rui Tavares, no jornal "Público". A de hoje intitula-se "Com que critério?", e aborda o recente anúncio de apresentação de uma moção de censura ao Governo, por parte do Bloco de Esquerda, a 10 de Março próximo. A isenção argumentativa da crónica é exemplar, se tivermos em linha de conta que, além de jornalista e professor universitário, Rui Tavares é também deputado europeu pelo BE. Mas não é ortodoxo.

E a questão de fundo, posta pelo cronista, reside no facto de a Direita não ter, normalmente, qualquer problema em coligar-se, enquanto a Esquerda portuguesa, no post-25 de Abril, nunca se associou para governar. É também uma das minhas interrogações de fundo, embora tenha algumas ideias para nortear a resposta.

Antes de mais, os reflexos post-traumáticos do PS em relação ao PC, decorrentes do PREC. Esquecem os socialistas, porventura, o "beijo de morte" de François Mittérrand, ao PC francês, quando integrou num seu governo (Mauroy) quatro ministros comunistas - foi o ponto de partida para a quase desaparição, na cena política francesa, do partido de Marchais.

Por outro lado, os partidos à esquerda do PS português parecem gostar de cultivar uma imagem de "enfants-térribles" que nunca os compromete, verdadeiramente, nem os obriga a compromissos ou responsabilidades pragmáticas, beneficiando, no entanto, de margem de manobra (para quê?) e de vantagens financeiras (de Estado) para o exercício da sua propaganda e acção política laboratorial (e limitada).

Em tempo, e por causa da memória (política), para lembrar: a perda de hegemonia do PS francês (até hoje) iniciou-se com o corte de subsídios, pelo governo, ao Ensino particular gaulês...


Post-scriptum de 30 de Março de 2011:

estimados visitantes, se pretenderem utilizar esta reprodução da obra de Angelo de Sousa, s.f.f., utilizem a cópia que repeti, hoje, 30/3/2011, porque está menos usada...

sábado, 8 de janeiro de 2011

François Mittérrand, há 15 anos


Esta fotografia que encima o poste é, para mim, emblemática. Helmut Kohl e François Mittérrand, de mãos dadas, em Verdun, no ano de 1984. Era no tempo em que a Europa se unia e se ia construindo, sob a chefia de estadistas de craveira superior; não a Europa de hoje, com chefes de estado medíocres, mesquinhos, a fazer contas de merceeiro e a defender a sua "vidinha " pequenina e nacional...
François Mittérrand (1916-1996) morreu, precisamente, há 15 anos, poucos dias depois de visitar, civilmente, o Egipto. Como Charles de Gaulle, também, tinha visitado a Irlanda, como simples cidadão, pouco antes de morrer. Eram pequenos gestos, talvez simbólicos ou de gosto, que marcavam percursos de vida. Mas que espelhavam, ao mesmo tempo, a universalidade do seu espírito.
Mesmo na intimidade (e li, muito recentemente, um livro de Michel Charasse, um íntimo de F. M., em que o autor nos dá, em pinceladas impressivas, um pouco do seu retrato de proximidade - 55 faubourg Saint-Honoré, Ed. Grasset), François Mittérrand é um dos últimos estadistas europeus com dignidade humana e horizontes universais, exemplares.

P.S.: para MR, que lembrou F. M., previamente, no Prosimetron.

domingo, 2 de maio de 2010

Tricentésimo : melros e hortulanas




Acontece que, por razões de local de trabalho, frequentei com certa regularidade, durante muito tempo, ao almoço, um restaurante que, com alguma fama nos anos 60 e 70 do século passado, se desactualizou um pouco. Manteve, no entanto, ao nível de cozinha e serviço, alta qualidade e saber gastronómico. Eram os marmelos em calda, de Outubro, as galinholas, as perdizes, a lebre com feijoca, na época da caça, os sonhos pouco antes do Natal. E um arroz de grelos malandrinho, feito na altura, quase verde, que acompanhava, lindamente, o bife de espadarte. Afora as gentilezas de que era alvo, por parte do Fernando que conheci, tinha ele cerca de vinte anos, e de quem me despedi com estima, há pouco, já quarentão, os empregados foram sendo substituidos ou reformados. O Ricardo ainda aparecia, septuagenário, com o cabelo pintado, mas sorridente, quando havia mais gente ao almoço - uma festa de empresa, um aniversário. Para ajudar. Ora, um dia (talvez há cerca de 4 ou 5 anos), quando cheguei, o Fernando disse-me logo:
"- Não perca o arroz de melros! Está óptimo..."
Eu fiquei perplexo e titubeei: "...Deixe-me pensar..." O Fernando trouxe-me o cinzeiro, os salgados em miniatura, ainda mornos. E eu, cheio de problemas metafísicos e ambientais, lembrava-me do arroz de borrachos, que tanta vez comera, em pequeno. Que era tão bom e nunca mais provara. E a tentação e a dúvida mortificavam-me, gastronomicamente: nunca eu tinha comido, na minha vida, um arroz de melros. Até que disse, de mim para mim: "Se não os comeres, tu, alguém os irá comer! Já não tornam a cantar..." E disse para o Fernando:"- Arroz de melros, com Quinta de Cabriz, tinto!"
Estavam magníficos e souberam-me muito bem. Ainda hoje, no entanto, me lembro e tenho remorsos. Porque eu gosto muito de melros, vivos, e a cantar logo pela manhã... Consola-me o facto de ter exemplos superiores, em relação ao meu remorso gastronómico.
Passemos à hortulana, também chamada escrivão ou escrevedeira (Emberiza hortulana). Este pequeno pássaro, migratório, de canto ou pio relativamente simples, da família do verdilhão, com cerca de 15cm. e um peso entre 20 a 25 gramas, tem o pescoço normalmente amarelo e o ventre alaranjado. É muito apetecido desde os tempos de Roma imperial. Mas é proibida a sua caça e venda, em França, dada a raridade. Porém, nas Landes, a proibição nem sempre é acatada. Os Gascões caçam hortulanas, preparam-nas e deliciam-se com elas. A avezinha é objecto de uma engorda forçada (gavage), antes de ser cozinhada. Metem as hortulanas em pequenas gaiolas que, por sua vez, são postas em locais escuros. Para alimentá-las colocam, no interior das gaiolas, alpista, pequenos figos e grande profusão de bagas silvestres e bagos de uva, além de pequenos insectos. Em cerca de duas semanas, as pequenas hortulanas quadriplicam de tamanho dado o excesso de alimentação, o pouco espaço de que dispõem e a falta de exercício. Nessa altura, as pequenas aves engordadas são, por fim, afogadas num copo de "Armagnac" e, depois de depenadas, as hortulanas são assadas ou estufadas na sua própria gordura, entretanto adquirida.
Pouco antes de morrer, o Presidente François Mittérrand - creio que para o jantar de Ano Novo - encomendou uma das suas últimas refeições, em conjunto, para cerca de 30 familiares e amigos. A refeição era composta de ostras de Marennes, foie gras, capões. E hortulanas embora, como já referi, fossem proibidas. Dois tipos de "Sauternes" acompanharam o foie gras e as ostras. Para os capões e hortulanas foram servidos "Château Lestage Simon", de 1990, e "Château Poujeaux" de 1994. O Presidente deliciou-se, dizem. Cerca de 10 dias depois, morreu. Este sinal de apego e amor à Vida, este despedir-se da Terra antes de morrer, colhendo-lhe ainda alguns dos melhores frutos (proibidos), mesmo que comporte um pecado, um infringir de regra, encontra em mim, pecador também, um coração fraco e compassivo. E sei entender.
Embora nunca tivesse comido hortulanas.
P. S.: Para o Luís, que lembrou, há dias, a arrozada de melros do abade de G. Junqueiro.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O absurdo e o mistério



De há um tempo a esta parte, tenho observado que, ou seja pela idade ou pela instabilidade do mundo em que vivemos, uma boa parte das pessoas com quem mais convivo se preocupa, de uma forma mais intensa (lendo, interrogando-se e interrogando), com a religião, a morte, e o depois... Isso fez-me lembrar François Mittérrand (1916-1996) que, pouco antes de morrer, mas já com a morte anunciada, pelo avanço crescente do cancro da próstata, quis e promoveu diversos encontros e diálogos com várias personalidades, sobre o além. Uma das pessoas, com quem falou, foi Jean Guitton (1901-1999), escritor e filósofo francês, católico. Este diálogo deu origem a um livro, editado em 1997, sob o título "L'absurde et le mystére". O então ainda Presidente de França foi, de helicóptero, até à residência do filósofo e começou a conversa do seguinte modo: " Guitton, o senhor que é filósofo e tem fé, tem dez minutos para me dizer qual é o sentido da vida... Aparentemente, tudo é absurdo ou, então, tudo é mistério."

Ficcionalmente, João Guimarães Rosa terá escolhido a segunda. Não era ele que dizia que " as pessoas não morrem, ficam encantadas"? Também no seu magnífico conto "Cara de Bronze" ilustra uma situação afim que, resumidamente, passo a lembrar. Um rico fazendeiro, vendo a morte aproximar-se, encarrega três dos seus melhores vaqueiros a irem pelo mundo descobrir, para depois lhe contarem, qual era a razão da vida. Passa-se algum tempo, e dois deles desistem de procurar. O terceiro prossegue e, mais tarde, regressa à fazenda e, junto ao leito do moribundo, diz-lhe: " A noiva tem os olhos gázeos!" O resto é silêncio.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O leão, a águia, o galo de Barcelos, e a cabra (ou vaca de Míron)





Antes de mais, uma declaração de interesses: sempre fui mais anglófilo do que germanófilo, desde que comecei a pensar, politicamente. Em 1973, quando pela primeira vez fui a Inglaterra, um discurso de Harold Wilson, de cerca de 5/7 minutos, que vi e ouvi na BBC, convenceu-me de como em política se pode ser breve, lógico, verdadeiro e, racionalmente, conclusivo. Infelizmente, Blair com o seu virtuosismo "palhaciano" abalou-me, profundamente, nas minhas convicções pró-britânicas. Esperei muito de Brown, mas tem-me sido uma grande desilusão...
Por outro lado, Kohl ( aquela mão dada com Mittérrand, não me sai da memória!) e, agora, a Sra. Merkel, não sendo do meu quadrante político, têm-me convencido da sua "bondade" pragmática: realismo, solidariedade e razoabilidade de princípios.
Hoje, no "Público", Teresa de Sousa, jornalista que leio sempre com atenção e que, francamente, admiro a tratar as questões europeias, faz a pergunta : "O que quer a Alemanha da Europa?" No que escreve, estou em profundo desacordo, e acho que é a primeira vez em que tal acontece. Então a Alemanha é que tem de pagar os dislates, incontinência, gastos e consumo perdulários de alguns outros países europeus? Será que temos de ter sempre um "paizinho" protector e um guarda-chuva emergente e providencial para a nossa inconsciência e erros?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Memória 8 : François Miterrand



Completam-se, hoje, exactamente 14 anos sobre a morte de François Mittérrand (1916-1996). Homem de cultura, político "florentino", resistente e persistente na luta pelo poder, amigo do nosso 25 de Abril, é bom lembrá-lo, neste tempo de políticos menores e videirinhos.