domingo, 26 de maio de 2024
Citações CDLXXXV
terça-feira, 27 de fevereiro de 2024
Citações CDLXXXIV
quarta-feira, 14 de dezembro de 2022
Citações CDXLIX
Uma certa qualidade de gentileza é sempre um sinal de traição.
François Mauriac (1885-1970), in Le Noed de vipères.
terça-feira, 4 de outubro de 2022
Citações CDXLII
Para muitas mulheres, o caminho mais curto para a pefeição é a ternura.
François Mauriac (1885-1970), in Asmodée (1937).
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
Adenda
terça-feira, 14 de setembro de 2021
Divagações 173
segunda-feira, 23 de agosto de 2021
Circunstâncias
sexta-feira, 6 de agosto de 2021
Antologia 3
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
Divagações 172
sexta-feira, 16 de julho de 2021
Mais 3 fragmentos (traduzidos) do "Bloc-notes IV" de F. Mauriac (1885-1970)
quarta-feira, 7 de julho de 2021
Lembrete 83
domingo, 20 de junho de 2021
3 fragmentos (traduzidos) do "Bloc-notes III" de François Mauriac (1885-1970)
sexta-feira, 11 de junho de 2021
Antologia (prosa) 2
Dimanche 13 janvier 1963
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Da leitura 43
De há uns tempos a esta parte, em relação a leituras de livros policiais, como tenho muitos e para não me perder, no final de os ler, na primeira página em branco escrevo, a lápis, a data em que terminei a sua leitura. Acabei hoje, entretanto, o II tomo de Bloc-notes (dos 5 que adquiri, em boa hora, através da Livraria Lumière, do Porto), de François Mauriac (1885-1970), volume que tinha principiado a ler a 19/3/21, conforme apontamento. Foram 49 dias (fiz também pequenas leituras paralelas) para 546 páginas (índice onomástico incluído), o que me pareceu um bom ritmo. E que se deve também à qualidade da escrita do romancista francês, que aborda sobretudo assuntos políticos (De Gaulle e a guerra da Argélia, principalmente), literários, pessoais e culturais. Irei iniciar, em breve, o tomo III (imagem de capa, acima). Antes de o fazer, vou transcrever uma passagem, muito singular (e desta vez vai no original...), da página 463, em que Mauriac divaga sobre a idade. Assim:
"La vieillesse? La cinquantaine, que vous avez atteinte, marque le moment où on l'aborde, il est vrai, et où peut-être on en souffre le plus. Voici le temps de ne plus être aimé et d'aimer encore. A partir de là, il faudra beaucoup marcher avant de pénétrer dans la région glacée où il n'y a plus rien à attendre de personne, plus rien même à donner. Quel désert! Oui, un désert, si pressé que nous soyons d'amis et de parents. Qui est aimé à cette age, ce qui s'appelle aimé? Et pourtant ce qui ne meurt pas, quand on en a été possedé au sortir de l'enfance, c'est précisément ce qui embrase cette admirable préface de Sartre: une tendresse avide, une tendresse irritée mais toujours jeune et vivante, et qui a échappé au temps, et qui (je le crois de tout mon esprit et de tout mon coeur) lui survivra."
segunda-feira, 3 de maio de 2021
Humor Negro 16
François Miterrand (1916-1996) era um grande apreciador de pequenas histórias (para além da História), de ironias subtis, de casos insólitos, que se divertia a contar aos amigos e próximos. É dele, contado a Franz-Olivier Giesbert (Le Vieil Homme et la Mort,* Gallimard, 1996, pg. 128), o seguinte episódio relacionando o romancista católico François Mauriac com o recém-falecido, também escritor, André Gide.
Ora, segundo Miterrand, logo após a morte de Gide, Mauriac teria recebido um telegrama com os seguintes dizeres, que passo a traduzir: "Não há inferno. Podes estar descansado. Avisa o Claudel. (Assinado: André Gide.)"
* obrigado, H. N.
segunda-feira, 29 de março de 2021
Figurativo ou abstracto
Retratos de personalidades institucionais implicam sempre alguma contenção, mas denunciam também a vontade avançada ou retrógrada de quem os encomendou ou realizou. Se, na galeria presidencial de Belém, os Columbanos assinalam um presença coeva de qualidade e se o retrato de Mário Soares, pintado por Júlio Pomar, inaugura uma modernidade alacre, os quadros que se seguiram, de presidentes posteriores, sublinham algum retrocesso estético ou menor ousadia criativa, na minha opinião.
Em 1958, François Mauriac, então com 72 anos, posou para o pintor Édouard Mac'Avoy (1905-1991), conceituado retratista francês. No seu Bloc-notes II, Mauriac, a propósito, tece (pg. 129) algumas considerações interessantes sobre arte figurativa e arte abstracta, que passo a traduzir: Por estes dias, sessões de pose. Mac'Avoy faz o meu retrato. Este pintor tão atento às mãos do seu modelo e a este rosto, por que, acabada a juventude, nós somos responsáveis e que conta toda uma vida - este pintor retoma uma viva tradição. Ele escapa ao nada em que os «não figurativos», um após o outro, se absorvem. Será bom para a pintura, bem como para o romance, retomar o fio à meada, na altura em que ele se rompeu...
domingo, 14 de março de 2021
Do que fui lendo por aí... 42
... Vejo claramente a razão desta duplicidade: um político de direita e um político de esquerda, se são desprovidos da qualidade essencial de um homem de Estado: a imaginação criadora, são levados a praticar o mesmo tipo de política, porque eles são um e outro a marioneta do acontecimento que eles não dominam e os domina. (pg. 369)
... Esta geração mascarada de óculos escuros não suporta a luz. Ela mergulha directamente nas trevas. Apenas algumas velhas águias ousam olhar ainda o sol de frente. (pg. 377)
... Em relação a um ponto, os Franceses mudaram: já não se consideram o umbigo do planeta, o que os torna ainda mais obstinados a agarrarem-se ao seu interesse imediato e a procurarem a sua vantagem mais positiva. (pg. 381)
François Mauriac (1885-1970) in Bloc-notes I, 1952-1957.
quarta-feira, 10 de março de 2021
Mauriac sobre De Gaulle
8 de abril de 1954
Conferência de De Gaulle. E há quantos anos eu deixara de ver o homem. Mas nem por isso ele envelhecera. Basta ele abrir a boca e é o mesmo tom soberano de sempre. Os insucessos não lhe dizem respeito. O seu olhar sobre a França e sobre a Europa é simplificador, mas nunca simplista.
François Mauriac (1885-1970), in Bloc-notes I (pg. 139).
segunda-feira, 8 de março de 2021
Mimetismos...
Por muito diferentes que tenham sido os escritores duma mesma geração, eles terão admirado quase sempre os mesmos livros quando tiveram vinte anos.
François Mauriac (1885-1970), in Bloc-notes I (pg. 228).
Nota pessoal: o mesmo se poderia dizer dos leitores comuns. Ou das músicas cristalizadas e favoritas, à roda dos 20 anos, pelos melómenos de uma mesma geração.
terça-feira, 2 de março de 2021
Da leitura 41
Escritor assumidamente católico, François Mauriac (1885-1970) recebeu o prémio Nobel da Literatura em 1952. De um dos seus discursos de Estocolmo, em 10/12/1952, respiguei e traduzi este pequeno excerto, com o seu quê de bom humor:
"... A minha cor é o preto e julgam-me a partir deste negro, e não sobre a luz que o penetra e o queima de forma surda. De cada vez que em França uma mulher tenta envenenar o seu marido ou estrangular o seu amante, dizem: «Aqui está um tema para si...» Eu passo por ter uma espécie de museu de horrores. Sou especialista neste tipo de monstros. ..."