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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Bibliofilia 55 : o "Agricultor Instruido..."



São sempre interessantes estes livros sobre Agricultura; mais ainda, os desta época das Luzes, em que coexistem sabedorias ancestrais, mezinhas populares e conhecimentos pré-científicos, para ajudar quem deles se servia. Este "Agricultor Instruido com as prevenc,oens(sic)...", de Fr. Theobaldo de Jesu Maria, editado em 1790, parece ser raro, e comprei-o este ano, em Lisboa, por 22,00 euros. E já o utilizei, aqui, em dois ou três postes anteriores.
Por outro lado, este título do capítulo XXII (Dos Rabos), dá que pensar... E até para concluir que a língua portuguesa foi ganhando pudicícia, e vergonha, com o tempo, substituíndo algumas palavras e nomes maliciosos, por outros mais anódinos sem resquícios de licenciosidade. Lembremos a Porcalhota que passou a chamar-se Amadora para maior dignidade dos seus habitantes. Ou Punhete, que ganhou o poético nome de Constância. Mais estes Rabos que se transformaram em Rábanos...Assim seja, portanto!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sobre as passas


Porque vem a propósito, está na altura de relembrar Fr. Theobaldo de Jesu Maria, autor de "Agricultor Instruido com as prevenções necessárias..." (1790), de quem já falamos aqui. Aí vai (pgs. 76/77) o capítulo X, intitulado "Do modo de guardar as uvas, e fazer as passas", sobretudo para quem queira "produzir" umas uvas passas artesanais. Segue:
"Antes de chover quando a uva não estiver demasiadamente madura, se colherão os cachos que estiverem sãos, doces, e rijos; e se dependurarão as résteas aonde corra vento de uma parte à outra, ou se porão sobre palhas de centeio postas sobre tábuas.
Para se passar se colherá a uva da mesma sorte em Agosto em minguante de Lua, e se colherá a uva grada e limpa antes que chova, e se deitará ao Sol sobre esteiras de funcho, e estando passada de uma parte, se voltará da outra."

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Em louvor da Hortelã


Num arroz branco, umas pequenas folhas de hortelã (Mentha spicata) dão-lhe uma garridice inesperada, e um aroma muito próprio. Bem retalhada, em tiras finas, as suas folhas dão às omoletas um sabor muito singular e agradável. Por si só, cheira bem. Mas também tem virtudes curativas. Senão, vejamos o que nos diz o Fr. Theobaldo de Jesu Maria:
"A Hortelã se planta de pedaços com raiz, e se conserva de hum para outro anno; tem virtude quente e dessecativa; pizada, e posta no estomago conforta: posta no nariz faz cobrar a respiração, e sentido perdido; suas folhas seccas, e bebidas em vinho branco matão as lombrigas."
(in Agricultor Instruido, Lisboa, 1790)