Mostrar mensagens com a etiqueta Fr. Agostinho da Cruz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fr. Agostinho da Cruz. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de março de 2014

Breves reflexões sobre Poesia, desenvolvidas a partir de uma ideia de Coleridge


Para S. T. Coleridge (1772-1834), a celebridade e importância de um poeta assentava em dois factores essenciais: solidez da sua fama, através dos tempos, e a contínua leitura da sua obra, apesar das modas; e ainda a sua influência sobre poetas posteriores.
A questão dos temas, mais constantes da obra, também terá uma importância fulcral. A poesia religiosa, pela dessacralização crescente da sociedade e cultura europeias, perdeu grande parte da sua actualidade e importância, quer nas leituras, quer em estudos.
Um exemplo português pode ajudar a perceber e corrobora essa ideia: a prevalência de interesse sobre a obra de Diogo Bernardes (1530?-1605), em detrimento da do seu irmão Fr. Agostinho da Cruz (1540-1619). Muito embora a boa qualidade dos seus versos seja muito semelhante.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Produtos Nacionais 10 : Arrábida


Quantos de nós, portugueses, nos deslocámos tanta vez ao estrangeiro, sem minimamente conhecermos a zona da Arrábida ou, mesmo, sem nunca lá ter ido?
E, no entanto, ela está lá desde sempre, com a sua extrema biodiversidade, as suas águas límpidas, ao fundo, a sua beleza enorme que já Fr. Agostinho da Cruz, em pleno séc. XVI, num soneto, cantava assim:

Dos solitários bosques a verdura,
Nas duras penedias sustentada,
Nesta serra, do mar largo cercada,
Me move a contemplar mais formosura.

Pois é esta Arrábida que se vai candidatar a Património Mundial da Humanidade (Unesco) e cujo vídeo de apresentação de candidatura, aqui deixo. Embora longo (cerca de 47 minutos), vale a pena vê-lo.

com os melhores agradecimentos a AVP.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A dieta do Ermita



Frei Agostinho da Cruz (1540-1619), que foi, no século, conhecido por Agostinho Pimenta, era irmão de Diogo Bernardes e terá nascido em Ponte da Barca. O rio Lima, o Tejo e, finalmente, o Sado aparecem referidos na sua obra, mas é a Arrábida o cenário mais marcante dos seus poemas. Foi na serra que viveu os últimos anos da sua longa vida, e aí morreu a 14 de Março de 1619. Tinha vestido o hábito de capuchinho em 3 de Maio de 1560. Teria escrito poesias profanas, antes. Mas o que dele se conhece é, grandemente, de índole religiosa. A sua curta obra foi editada, pela primeira vez, em 1771. Em 1918, Mendes dos Remédios juntou-lhe o chamado "manuscrito conimbricense", o "manuscrito portuense" da Biblioteca Municipal do Porto, e fez publicar as "Obras de Fr. Agostinho da Cruz", em Coimbra. Em 1971, Aguiar e Silva, no seu livro "Maneirismo e Barroco na Poesia Lírica Portuguesa", expurgou ou pôs, em dúvida, algumas das poesias que eram atribuídas ao frade capuchinho. Mesmo assim, o que dele fica, dá para perceber a fina sensibilidade de Poeta que foi, e o seu ritmo fluído, original e intenso. Da elegia V ("Ao fim da vida") retiramos alguns tercetos, onde também fala de vários mariscos, entre eles as perceves que, julgo, pela 1ª vez aparecem na poesia lírica portuguesa:


"...Tudo me cansa, já, tudo me peja,
E pouco basta já para suster
O pouco que da vida me sobeja.

A praia tem marisco que comer
Ameijoas, berbigões na branca areia,
Que facilmente posso revolver.

A pedra que dos mares se rodeia,
Cheia de lapas pardas aparece,
De negros mexilhões inda mais cheia.

A vermelha santola não falece,
Outro com seu pé curto revirado,
Seu não, antes de cabra me parece.

E, quando se mostrar muito alterado
O mar, que seu marisco me defenda,
O bosque está daqui pouco afastado.

Quer suba a planta nele, quer se estenda,
Escolherei no ramo o mais maduro
Fruto sem dano alheio e sem contenda..."