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terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Pinacoteca Pessoal 191



A propósito da obra de Augusto Gomes (1910-1976), dizia o poeta Eugénio de Andrade que: ...antes que cante, o pássaro solar que todo o artista tem dentro de si exige uma longa, infinita paciência. Em Augusto Gomes a espera durou anos e anos...
Ainda que tivesse sido assim e a maturidade tivesse tardado, a sua obra é ampla, na minha perspectiva.




Nela podemos surpreender, desde uma frescura e um lirismo que nos pode aproximar de Florença e Botticelli, como no desenho a tinta da china "Jovem com dedo na boca" (1953); como também nos suscitar influências soviéticas da arte musculada realista nos seus pescadores e mulheres do norte beira-mar, dos anos 40, que nos irão encaminhar, talvez depois, para uma plena maturidade artística.








quinta-feira, 25 de julho de 2019

Livrinhos 26


O pequeno livro cujo título, de forma simples e doméstica, se poderia traduzir por "Dicionariozinho de Mitologia e de Cultura Clássica" foi editado em Florença, em finais dos anos quarenta. Com 168 páginas, tem as dimensões de 10,5 por 7,5 centímetros e, inicialmente, custava 5 liras. Em 30/3/1951, terá sido vendido por Esc. 10$00, em Portugal, ao sr. João Rodrigo Narciso Furtado, que nem chegou a abri-lo inteiramente. A obrinha teve como autor Enrico Bianchi, é ilustrada e foi impressa pelo editor italiano G. S. Sansoni, em reedição. A impressão original era de Outubro de 1917.




quinta-feira, 30 de maio de 2019

Últimas aquisições (14)


Como o tempo passa e as coisas saem de moda, ou se esquecem!...
Nos meus tempos juvenis de aprendizagem, Benedetto Croce (1866-1962) era uma figura cimeira, sempre citada em questões de teoria literária. Um dos papas e mestres nas lições de Costa Pimpão, em Coimbra. Mas também em Lisboa tinha um lugar imprescindível, nas bibliografias das Letras.
Quanto ao livro sobre Florença, de Piero Bargellini (1897-1980), que adquiri por abrir, recentemente, sei que estive várias vezes para o comprar, mas não me lembro por que razão nunca o fiz.
Arrisco dizer que são dois autores esquecidos e, hoje, talvez pouco procurados.
Assim se explica que tenha dado pelos livros, usados, apenas 7 euros.

sábado, 23 de maio de 2015

Pinacoteca Pessoal 96


Esta Tavola Strozzi, que integra o acervo do Museu de San Martino, de Nápoles, e que é atribuída a Franceso Rosselli (1445-1512?), tem para mim um encanto especial, uma espécie de magia. Parece, em si mesma, o cenário ideal para um conto de fadas.
Mas vamos aos factos, para além da beleza da obra. O quadro terá sido pintado por volta de 1472-73, tendo sido re-descoberto, no Palácio Strozzi, em 1901. Representa parte do porto de Nápoles, e a entrada da armada de Lourenço de Medecis, depois da batalha de Ischia.
Franceso Rosseli é conhecido, sobretudo, como um excelente cartógrafo e gravador. Nascido em Florença, trabalhou sobretudo em Nápoles. Na década de 80 do século XV, crivado de dívidas, fugiu para a Hungria, para escapar aos credores. Regressou mais tarde a Florença e abriu uma loja onde vendia as suas gravuras.

Nota: para ver melhor a pintura, bastará clicar sobre ela, para aumentar.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Marcadores (10)


De fina execução estética, os dois marcadores, em presença, vieram de Itália. Ambos reproduzem iluminuras. Um deles, representando S. Francisco, veio da Assis, oferta das Edizioni Daca. O outro, com simbologia do signo astrológico de Peixes, é um detalhe dum Livro de Horas do séc. XV, da Toscânia. E veio de Florença.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Anos 30 : para quem for a Florença


Até 27 de Janeiro de 2013, no Palácio Strozzi,  em Florença, uma mostra de Arte, intitulada "Anni 30", que ilustra bem as diversas correntes e escolas que coexistiam ou se afrontavam, na época inicial do Fascismo italiano. É curioso, pelo menos, verificar como algumas das esculturas da exposição apresentam semelhanças com obras portuguesas da mesma época. As coisas, por vezes e em simultâneo, andam no ar...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Retratos (4) : José J. C. G.


Quando re-acordei do traumatismo, no Santa Maria, a 1 de Novembro de 1973, cerca da meia-noite, o José J. C. G. (1937-1988) estava a meu lado, deitado numa maca térrea, o rosto ensanguentado, e a gritar: "- Tirem-me daqui!" A mim, o nariz doía-me terrivelmente, tinha partido a cana e, quando me assoei, o lenço ficou rubro. Tentei reconstituir tudo e foi difícil: só me lembrava, no automóvel, ao entrarmos no túnel do Campo Grande, de dizer: "- Começou a chover...", para o H. S. que ia ao volante e para o José, que ia sentado no banco de trás; eu ia no lugar do morto. Mas quem sofreu mais foi o meu Amigo da rectaguarda que foi projectado para fora da viatura, aquando do choque, e rojou vários metros pelo solo, até bater numa árvore. Mas, na altura do hospital, o tempo intermédio desvanecera-se por completo na cabeça, e uma branca nebulosa ocupara esse espaço. Só algum tempo depois, os três conseguimos reconstituir o acidente, como um puzzle difícil a que faltavam, para sempre, algumas peças. José teve duas fracturas expostas e só 3 meses depois voltou à empresa.
Eu tinha-o conhecido em 1972, já ele tinha 2 dedos a menos na mão direita - acidente da Guerra Colonial. Mas era folgazão, caloroso e solidário. O pai morrera-lhe cedo e José crescera e fizera-se homem, com um padrasto de nacionalidade italiana de quem herdara, provavelmente e por mimetismo, um gesticular frequente e um concentrado amor a Florença. Como eu, também gostava de vinhos velhos (lembro-me de um "Grantom", da Real Companhia Velha, anoso, que ele abriu e estava um espanto!) que compartilhava com alegria e generosidade. Mas depois desse segundo acidente do José, que eu partilhara, ficou-me um pressentimento irracional de que o meu Amigo tinha uma estrela maléfica a pesar-lhe no destino.
Depois da "Viradeira" de 76/77, o José, que assumira posições políticas no PREC, foi "emprateleirado", e resolveu sair da empresa. Fomo-nos encontrando, espaçadamente, para jantar. E eu sabia que ele estava com dificuldades financeiras. Falava-me de ir para Angola, para se aguentar melhor. Na última vez que jantei com ele, no "Rio Grande", veio acompanhado por uma Senhora jovem, a María de J., que conhecera em Cádiz, e por quem se apaixonara, perdidamente, rompendo um casamento de mais de 20 anos, e de que tivera  um casal de filhos. Quando me veio trazer a casa, de carro e na Ponte 25 de Abril, como vinhamos só os dois, sei que lhe disse: "- Não peças demais à María de J.!" Ele sorriu, e sei que andava feliz.
Acabou por ir para Moçambique, com a nova Mulher. E íamos trocando correspondência regular.
Uma noite do início de Outubro de 1988, a primeira mulher do José telefonou-me a dizer que o meu Amigo morrera e que a urna chegava no dia seguinte a Portugal. Tinha falecido na África do Sul, para onde fora de urgência, vindo de Moçambique, por lhe ter rebentado uma úlcera no estômago, fragorosamente. Os operadores já não o puderam salvar. Tinha pouco mais de 50 anos.
Cerca de dez dias depois, nascia no Maputo, um filho póstumo do meu Amigo, a quem María de J. pôs o nome de José J. C. G., Júnior. María de J. morreria cerca de 12 anos depois, em Cádiz. Nunca cheguei a conhecer o Júnior, mas sei que vive em Espanha.

sábado, 16 de julho de 2011

Pinacoteca Pessoal 14 : Paolo Uccello


Paolo Uccello, cujo nome de baptismo era Paolo di Dono, nasceu em Florença, em 1397. O apelido posterior (Uccello) veio-lhe do gosto que tinha em pintar pássaros. Mas também outros animais, como cavalos em cenas de batalhas, que têm o seu traço inconfundível. Paolo Uccello era filho de um barbeiro-cirurgião, mas cedo se inclinou para a aprendizagem de Pintura. Nos últimos anos da sua vida, um pouco insatisfeito com as suas obras, deixou de pintar e dedicou-se a estudar as leis da Perspectiva. Faleceu a 10 de Dezembro de 1475. O pormenor do quadro, em imagem, com o título "Luta de S. Jorge com o dragão" pertence ao acervo da National Gallery, de Londres.