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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Memória (116)


Iriam a meio os anos 60, aqui por Lisboa, quando um querido amigo meu, já falecido, me convidou para o acompanhar e  assistir a um recital de poesia, ali para as Portas de Sto. Antão, no Ateneu. Lá fui.
O ambiente era encasacado, algo decotado também, e do melhor: roupas boas e de marca, mas de muito mau gosto estético, no seu conjunto. Assistência oxigenada, perfumada, cheia de tentativas frustes de rejuvenescimento sobre o já caduco.
Deprimente e decadente, em suma, o recital. Havia em tudo aquilo um mofo espiritual.
A diseuse, então, nem se fala. Requebros lânguidos, refegos flácidos, transparências, tules a que presidia uma voz cavernosa, entre o delicodoce e o melodramático, que começou a entoar Florbela e acabou em poetas menores desconhecidos. O último soneto era dela, declamadora.
Às vezes, quando vou à deriva pela net, encontro montes de versinhos destes, muito felizes de si, dignos de recônditos e regionais semanários de província. Como também encontro, em comentários de alguns blogues, essa maneira forçada e pobrezinha de querer fazer prosa poética saloia, à viva força. Como, às vezes, me aparecem, em logotipos de blogues, fotos de senhoras pretensamente capitosas, loiras, diáfanas e de cabelos longos à Veronica Lake. De óculos escuros, quase sempre, a disfarçar a idade e as rugas nas comissuras dos olhos... Tudo isto me parece patético e, nessas alturas, vem-me à memória essa deprimente noite poética, no Ateneu de Lisboa, pelos idos de 60...

à memória de J. M. F. M..

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Bibliofilia 136


Vou referir vários poetas, tenham paciência...
A minha opinião sobre Teixeira de Pascoaes (1877-1952) foi sempre um pouco ambígua. E a leitura dos seus poemas poucas vezes me entusiasmou. Menos ainda a sua prosa. E, se Eugénio de Andrade pouco me falou dele, é bem certo que vários textos admiráveis escreveu sobre o Poeta do Gatão. Como alguns também escreveu Cesariny. Poetas que eu aprecio e cuja opinião costumo ter em conta.





Também Jorge de Sena lhe dedicou estudos com a sua habitual agudeza crítica, gabando-lhe o estro, com algum entusiasmo. Mas nem sempre podemos coincidir nas afinidades electivas. Também Sena estudou Florbela com devoção e eu nem por isso lhe consagro a minha adoração, muito embora, em arroubos de juventude eu gostasse de ler os seus apaixonados versos. Como a José Régio também, aliás. Ambos, ousaria eu dizer, devedores ou familiares, se não dos temas, pelo menos do tom exclamativo de Junqueiro que, na adolescência, muito frequentei...



Os livrinhos, que ora se apresentam, são o fruto da dedicação que o poeta vimaranense Guilherme de Faria tinha por Teixeira de Pascoaes, impressos em 1924 e 1925, com mimosos cuidados estéticos e pequena tiragem de muito boa qualidade. D. Carlos, em tiragem especial, custou-me, nos anos 80, Esc. 1.900$00. Os restantes fui-os comprando por cerca de metade do preço, em anos posteriores.


Por curiosidade, posso informar que a caricatura de Teixeira de Pascoaes, que encima este poste, é da autoria do também poeta, de origem moçambicana, Rui Knopfli.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Breve nota


Porque, hoje, falaram dela, fui ler alguns dos seus poemas. Nunca foi poeta de minha grande frequência, a não ser por breve tempo, à roda dos meus 20 anos, quando me ofereceram O Vinho e a Lira, cujo ritmo incendiário dos versos, por breve espaço, me provocou um momentâneo fascínio.
E acho também curioso que Jorge de Sena não a tenha incluído nas Líricas Portuguesas, 3ª série (Portugália Editora, 1958), que era na altura um passaporte para a eternidade literária. Ele que, até a Florbela Espanca - a antecessora natural - , dedicara um curioso ensaio.
Estou a falar de Natália Correia (1923-1993) que, se fosse viva, completaria hoje 90 anos.