Quando saí, por volta das 9h00, para comprar o jornal, o frio era lancinante e não havia ninguém na rua. No regresso, passei por uma pobre tola, aos saltinhos, que resmoneava, e por uma senhora muito composta e silente, de bengala e óculos, com um gorro na cabeça, que ia em direcção do pequeno centro comercial. Não havia carros em movimento, apenas automóveis estacionados e orvalhados.
Os acontecimentos, mais ou menos importantes, permitem fechar e abrir capítulos. No entretanto, acontece nada e nem mesmo os jornais inventam notícias. Por isso se lêem em dez minutos, ou nem tanto. Abra-se uma excepção para alguma morte despropositada, para a época. George Michael, por exemplo. Fora isso, de 26 a 30/12, é habitualmente um tempo neutro. Quase de ninguém.