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sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Da leitura 59

 

Sempre me senti pouco à vontade com a leitura de filosofia. Se exceptuar porém os nomes de George Berkeley, Arthur Schopenhauer, Soren Kierkegaard e Friedrich Nietzsche, autores que li com agrado e proveito.
Concluí entretanto que a marca de posse e data que, antigamente, eu inscrevia nos livros que ia comprando me permite, hoje, situar a leitura que deles fiz. Este Para além do bem e do mal, li-o aos 22 anos de idade.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Citações CDLXXXVIII

 


A História é a filosofia ensinada através de exemplos.

Dionísio de Halicarnasso, in Antiguidades de Roma.


quarta-feira, 7 de junho de 2023

Rir



Assim começa Le Rire, de Bergson (1859-1941), pela minha despreocupada tradução:



Que significa rir? Que há na base do risível? O que é que se pode encontrar de comum entre a careta de um palhaço, um jogo de palavras, um quiproquo de revista ligeira, uma cena de fina comédia? Que resultado nos dará a destilação da essência, sempre a mesma, à qual tantos produtos diversos emprestam ou o seu indiscreto odor ou o seu perfume delicado? Os maiores pensadores, desde Aristóteles, enfrentaram este pequeno problema, que se desnuda sob esse esforço, desliza e se escapa, volta a encobrir-se, impertinente desafio ousando a especulação filosófica. (...)

Nota pessoal: não sou muito dado a filosofias, mas esta é a minha obra predilecta de um dos meus pensadores de referência. Mesmo em coisas simples, Bergson faz pensar.

 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Saber e filosofia



Cada homem sabe uma quantidade prodigiosa de coisas de que não se apercebe. Saber tudo aquilo que sabemos? Esta simples investigação esgotaria a filosofia.

Paul Valéry (1871-1945), in Mauvaises Pensées et Autres.

sábado, 21 de novembro de 2020

Pascal

A quem se interesse um pouco mais além do que pela espuma dos dias, ou por um trabalho arrumado, bem executado e claro sobre filosofia, acompanhando por uma bem escolhida iconografia de bom gosto, recomendo! Saiu recentemente.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Da vizinha mais próxima da filosofia


Se não nos dotaram, a nós portugueses, da capacidade inata de filosofar, deram-nos, em compensação, alguns bons poetas que sabem reflectir. E a Poesia é, algumas vezes, a parente mais próxima da Filosofia. Na sua forma essencial de interrogar a vida e o mundo.



Numa estreita linhagem que vem de Sá de Miranda, passa por Francisco Manuel de Melo, toca de raspão em Herculano e Quental, e desemboca na foz multímoda de Pessoa e algum Sena, a poesia de Fernando Echevarría (1929) não renega esse parentesco, que vem, dignamente, de longe.
Editado recentemente (Setembro de 2018), pela Afrontamento (Porto), Via Analítica, de Fernando Echevarria, vem pensar connosco.
Como neste poema sem título, na página 11, deste belo livro.

Pensar ajusta-se ao momento. Tenta,
sabendo que é preciso que o afecto
tome conta de toda a inteligência
para mobilizar o pensamento.
E a mobilização modula a empresa
conforme o ritmo se desprender, concreto,
do corpo maciço da matéria
para limpo o mover e transcendê-lo.
E, daí, alargar a transparência
a um mundo fecundando-se a si mesmo.
Feliz, por dar lugar a essa doença
que punge, e cresce por um azul sereno
de pautas perecíveis. Diligência
a expandir-se, cumprindo um universo
interior, a transferir a pena
da partitura para um fora aberto.

sábado, 9 de junho de 2018

Uma perspectiva


Com o declínio da religião e o crescente relativismo, é fácil acreditar que nós somos simplesmente um feixe (bundle) de impulsos neurológicos em busca de uma narrativa.

Julian Baggini (1968), filósofo inglês, citado, em paráfrase, por Stig Abell, no TLS (nº 6008).

domingo, 8 de maio de 2016

Do velho Liceu Martins Sarmento...


Do velho Liceu Martins Sarmento, que ainda inaugurei em 1962, aqui fica a fachada sóbria. Porque, na verdade, eu tinha-me iniciado, no ensino secundário, pelas vetustas paredes do Convento de Santa Clara, onde hoje funciona, em nobreza laica e democrática, a Câmara Municipal de Guimarães. Foi por aí que também passaram as aventuras mais importantes da minha adolescência. E me começaram os amores e suas desventuras. Como também me nasceram amizades imorredouras, muito cúmplices e felizes.

Ora, no dealbar do 6º ano, quando os adolescentes começam a ser engraçadinhos e malandrecos, apesar de me ter iniciado nas aulas de Filosofia, calhou-me na rifa uma professora de nome Manuela que, para além de vir cheia de filosofias, vinha também muito grávida. A antipatia química foi recíproca e imediata, e no primeiro período tive logo o primeiro e único 7 da minha vida liceal. Que foi para aprender...
Felizmente, no segundo período, a professora Manuela teve baixa de parto e foi substituída por um sujeito bisonho, de má catadura, a quem demos a alcunha de Espiúca, já não sei bem porquê. O que é certo é que, no final, consegui passar na disciplina, rasando a trave dos 29 ou 31 valores (?).
A expectativa temerosa, no entanto, não acabou por aí, e na prova oral do 7º ano, para minha desagradável surpresa e sina, calhou-me o professor Conceição, marido da professora Manuela A. C.. Previ o pior. Enervado, quando ele me mandou falar do amor filosófico (em Platão?, em Aristóteles?, em Berkeley?) eu comecei a dissertar sobre o amor humano e real. Confundi "Germano, com o género humano"... (Mas como é que um adolescente de 18 anos, naquela altura, consegue falar da filosofia do amor!? Seria um castigo, para quem o começa a viver, em toda a sua plenitude de complexidade física e espiritual.)
Mas o professor Conceição era boa pessoa. E apesar de, mais tarde, ter vindo a ser deputado da U.N., na A. N., era, no fundo, um liberal. E, enquanto eu falava do amor humano, ele, quase cúmplice, ia sorrindo para mim. Corrigiu-me depois, e deu-me 13 no exame final. E eu fiz as pazes interiores com o casal Conceição.

Ora, acontece que o meu amigo António, que também os teve como mestres, num restaurante vimaranense, há dias, surpreendeu este casal de professores já reformados e, discretamente, fotografou-os e mandou-me o instantâneo para eu os recordar. Marido e mulher estão à esquina da mesa, sendo que, cada qual, fala para a senhora do lado. Folguei de ver que, passantes dos 80 anos, ainda bebem o seu vinhito branco. Verde, provavelmente.

abraço fraterno, saudoso e grato a A. de A. M..

sexta-feira, 4 de março de 2016

Mote e glosa, ou pensar para lá das palavras


Há muitas perspectivas para abordar as últimas obras de Wittgenstein, mas, fundamentalmente, a concepção Romântica da filosofia no seu cerne - que é uma luta pessoal, em busca de uma terapia contra a perversão do intelecto pela linguagem...

Este pequeno excerto de Tim Crane (TLS, nº 5891), que acabo de traduzir, a propósito da obra de Ludwig Wittgenstein (1889-1951), foi-me uma espécie de iluminação.
Eu sempre me dei mal com a filosofia, tirando Berkeley, Kierkegaard, Schopenhaur, Nietzsche (sobretudo, na minha juventude), embora frequente, com agrado, os pro-filósofos Cioran e Steiner, mais recentemente. Desisti, pura e simplesmente, de Espinosa, Heidegger e Adorno. Mas perdi uma boa parte dos meus complexos, ao saber que as leituras filosóficas de Wittgenstein, considerado um dos grandes filósofos do século XX, eram muito reduzidas. Por exemplo, nunca teria lido nenhuma obra de Aristóteles... Esta ignorância do filósofo austríaco terá assim contribuído para a singularidade do seu pensamento e uma maior liberdade da sua teorização.
Resta o mecanismo de aprisionamento que a língua (ou linguagem), por sua vez, exerce sobre a forma de pensar. Porque pensamos, sobretudo, através das palavras, por caminhos de contiguidade e atracção entre elas, numa espécie de círculo fechado da memória e do inconsciente. É, por aí, que a liberdade de poder pensar se torna mais difícil. E só pela criação de uma nova linguagem, será possível contornar esse fatal constrangimento. Como também na poesia, aliás... 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Mulheres e Filosofia


O primeiro artigo do último TLS (nº 5859) aborda, a propósito da recensão de um livro (Women in Philosophy, de Katrina Hutchison e Fiona Jenkins), o facto singular de haver tão poucas mulheres filósofas. Cumulativamente, as mulheres a ensinar filosofia são também poucas na Europa. Entre 20 a 25%, em média. 
Ocorreu-me uma das razões, pouco fundamentada é certo, para este fenómeno: ser a Mulher pouco dada a especulações, e ser mais pragmática do que a maioria dos homens. Mas não estou seguro de ser a razão maior.
De alguma forma, o artigo de David Papineau vai nesse sentido. E estabelece, ironicamente, o paralelo com o facto de tão poucas mulheres se dedicarem a jogar bilhar. Citando, em abono desse facto, Steve Davis que não negava a habilidade das mulheres para jogos, mas que considerava que elas deviam achar que jogar bilhar era uma pura perda de tempo, sem qualquer utilidade...

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sobre poesia portuguesa


Se haverá algum consenso sobre o facto de a filosofia portuguesa ser quase irrelevante no panorama do pensamento europeu, não deixa, também, de ser notório que a poesia de ideias ou reflexiva é uma corrente minoritária no carme nacional, se comparada com a poesia lírica, em sentido restrito.
Os cultores da primeira creio que se poderão contar pelos dedos. Em sequência cronológica: Sá de Miranda, Francisco Manuel de Melo, Alexandre Herculano, Antero de Quental, Pessoa e Jorge de Sena. Com a ressalva de nem todos serem poetas de primeira água - do meu ponto de vista.

domingo, 15 de março de 2015

John Gray (Inglaterra, 1948)


Estimulante, mas pessimista, o pensamento do filósofo inglês John Gray merece ser conhecido. Sobretudo pelos problemas que aborda e que assolam ou caracterizam o nosso tempo. O progresso e os seus mitos, a civilização e a barbárie, as crenças e o cepticismo, o comunismo e o capitalismo...
Este vídeo (cerca de 20 minutos) regista a apresentação que Gray fez, na África do Sul, do seu livro "The Silence of Animals". Para clarificar os temas que aborda, o filósofo parte de um conto de Joseph Conrad, em que este refere que, antes de visitar o Congo (Belga, na altura) e conhecer as condições das suas populações, era apenas mais um dos muitos "animais civilizados".

domingo, 5 de outubro de 2014

Heidegger, prós e contras


A figura de Martin Heidegger (1889-1976) continua a ser polémica e a despertar paixões, sobretudo pela sua adesão e ligação ao nazismo, durante os anos 30, que o filósofo alemão nunca explicou suficientemente, bem como pelos fundamentos das suas teorias filosóficas.
Este interesse apaixonado, que se acentuou recentemente com a saída dos seus "Cadernos Negros", em França, justifica que o jornal Le Monde (26/9/14) lhe consagre duas páginas inteiras, com depoimentos de cinco colaboradores e analistas.
Independentemente de eu não tomar posição, por insuficientes conhecimentos pessoais e próprios, não quero deixar de traduzir um pequeno excerto da análise de Jean-Marc Mandosio (1963), ensaísta e tradutor, que segue:
"...O problema principal é evidentemente que a filosofia de Heidegger é feita em grande parte de jogos de linguagem e revela-se de uma extrema pobreza: por trás do jargão heideggeriano, as suas interrogações, inçadas de citações poéticas, e as suas etimologias fantasistas que fazem derivar o alemão do grego, não têm muito de sério nem de consistente. ..."

domingo, 6 de julho de 2014

Da dificuldade de algumas leituras, ou o princípio de Peter


A verdade será, também, por entre as nossas dúvidas, confessar as nossas próprias deficiências. Ou perceber os nossos limites.
Nunca fui familiar próximo  da Filosofia e, aí, estou - creio - em consonância com a maioria dos portugueses. Porque também só com  extrema boa vontade poderemos assinalar dois ou três nomes de "verdadeiros" filósofos, ao longo de toda a história portuguesa.
Li, e creio que compreendi, G. Berkeley, Pascal, Descartes, Kierkeegaard, Schopenauer, Nietzsche, Bergson, e alguma coisa dos Pré-socráticos. Por aí me fiquei, de algum modo. Spinoza já me criou dificuldades ou, se quisesse justificar-me airosamente, diria: aborreceu-me...
Mas também em poesia, às vezes, me acontecem dificuldades de leitura: nunca consegui entrar nos poemas de Paul Celan, mesmo através de traduções francesas. A espessura - para falar de prosa - de Maria Gabriela Llansol, nunca se me desvendou em claridade de entendimento. E, voltando à Filosofia, também tenho extrema dificuldade em ler Heidegger, mas insisto. E se penso que os seus postulados e proposições são minuciosos e lentos no avançar, caminhando a passo de caracol, mas exaustivos, como se fossem explicados para crianças, também me acontece perder-me, algumas vezes, nesse labirinto de reflexão.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O número 3 em questão : considerações dispersas e inconclusivas


1. As decisões indiscutíveis do Tribunal Constitucional alemão são notícia frequente, por cá. Na Alemanha, de forma definitiva e peremptória. Mas, na Alemanha, as deliberações do congénere português também são, por vezes, título de primeira página, embora de forma interrogativa.
Estranho que nunca tenha lido nada sobre o Tribunal Constitucional grego. Será que existe?
2. As idades somadas, do trio à mesa da esplanada, davam uma média de 49 anos para cada um. As opções foram: filetes de pescada, pescadinhas (as marmotas nortenhas) fritas e carne de porco à alentejana. Mas a última dose, por excessivamente generosa, ainda foi dividida pelos que tinham escolhido peixe.
3. Entre as duas Culturas, de que falava C. P. Snow, e uma terceira, neutra, mas ambivalente, alguém propôs, por ordem de grandeza das artes, esta sequência dogmática: Música, Poesia e Filosofia. Inexplicavelmente, a Ciência ficou de fora...  E da Justiça nem se falou.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Citações CI : Jennie Erdal


"Será que a filosofia atrai pessoas infelizes, ou existe alguma coisa na natureza do comprometimento filosófico que conduz à infelicidade?"
Jennie Erdal, in "The Missing Shade of Blue".

terça-feira, 22 de maio de 2012

Frederico II e Potsdam



Para celebrar os 300 anos do nascimento do Rei da Prússia, Frederico II, o Grande (1712-1786), Berlim e, sobretudo, Potsdam prepararam um programa especial para o evento. 
Do seu palácio de Verão, Sanssouci, em Potsdam, recebemos o postal reproduzido na imagem seguinte:


É conhecido o interesse de Frederico II pela Arte, pela Música e pela Filosofia. Relembramos que Voltaire viveu em Potsdam entre 1750 e 1753 e, para finalizar, um concerto de Flauta.


Post de HMJ

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ortega y Gasset


J. Ortega y Gasset (1883-1955), de que hoje passa mais um aniversário do nascimento, foi (creio que já não será hoje) um nome com importância no estudo das Humanidades, em Portugal, aqui há 50 anos. Fazia parte, quase sempre, das bibliografias universitárias e era citado frequentemente. O excerto, do filósofo espanhol, que iremos traduzir, tem uma particularidade adicional. Terá sido escrito em Lisboa, quando cá esteve, em 1943, e é retirado de "Origen y epílogo de la filosofía" (1960), uma pequena obra de cerca de 100 páginas, que só foi editada postumamente. Por ela se vê, justificadamente, o quanto a filosofia (bem como a poesia) está ligada à linguagem. Melhor, ao conhecimento profundo da linguagem. Qualquer destas disciplinas requer uma escolha de palavras , muito atenta, uma espécie de dialecto próprio no caminho da verdade e no trajecto pessoal do artífice.
Segue, então, o excerto de Ortega Y Gasset, em tradução para português:
"...O dizer é uma espécie de fazer. Que é o que há a fazer ao terminar a leitura da história da filosofia. Trata-se de evitar o capricho. O capricho é fazer qualquer coisa entre as muitas que há para fazer. A isso se opõe o acto e o hábito de eleger, entre as muitas coisas que se podem fazer, precisamente aquela que reclama ser feita. A esse acto e hábito do recto eleger chamavam os latinos primeiro eligentia e depois elegantia. É, talvez, deste vocábulo que vem a nossa palavra int-eligencia.
De qualquer forma, Elegância devia ser o nome que daríamos ao que torpemente chamamos Ética já que esta é a arte de eleger a melhor conduta, a ciência do que fazer. O facto da palavra elegância ser das que mais irritam hoje o planeta é, também, a sua melhor recomendação. Elegante é o homem que não faz nem diz qualquer coisa, mas apenas que faz o que deve fazer e diz o que deve dizer. ..."

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Filosofia e Poesia


Num pequeno artigo intitulado Poésie et philosophie jumelées à la source, o filósofo, poeta e crítico de arte, belga, Max Loreau (1928-1990) defende a tese da dependência destas artes do factor: linguagem. Para estabelecer, depois, a sua forma de exercício: "...A poesia fala, passando. O que ela ilumina, aceita também deixar fugir. (...) Pela sua parte, a filosofia explicita. Daquilo que constrói, nada abandona pelo caminho. ..."

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Schopenhauer



Não sendo, como não sou, grande leitor de obras de Filosofia (no que acompanho a larga maioria dos portugueses), o nome de Arthur Schopenhauer (1788-1860) ficou instalado na minha memória, desde a juventude. Não como obrigação académica, mas por gosto de leitura. Quando nasceu, a 22 de Fevereiro de 1788, e do facto tiveram conhecimento os empregados do escritório do pai, Heinrich Schopenhauer, um dos amanuenses terá comentado, para o colega do lado: "Se for como o Sr. Heinrich, há-de parecer-se com um bugio." Na verdade, Arthur Schopenhauer, fisicamente, não devia muito à beleza... Mas, isso, não o deve ter incomodado muito, ao longo da vida, embora fosse dado a melancolias.