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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Filatelia 156

 


Uma boa parte dos meus conhecimentos de cultura geral devo-os ao facto de ser filatelista desde os 9 anos de idade. E também porque grande número de países privilegiavam temas nacionais difundindo personagens que se impuseram pela sua vida, descobertas ou importância histórica.
Nesse aspecto a França distinguiu-se não só por isso, mas também esteticamente pela beleza dos seus selos gravados a talhe-doce. Vamos dar conta de uma série de 1955 dedicada a inventores notáveis franceses nascidos nos séculos XVIII e XIX. Seguem as taxas, nomes e invenções de cada um:

5 Ff. - Philippe Lebon (1767-1804) , Gás de Iluminação.
10 Ff. - Barthélemy Thimonier (1793-1859), Máquina de Costura.
12 Ff. - Nicolas Appert (1749-1841), Conservas Alimentares.
18 Ff. - Henri Sainte-Claire Deville (1818-1881) - Alumínio.
25 Ff. - Pierre-Émile Martin (1824-1915) - Aço.
30 Ff. - Hilaire Chardonnet (1839-1924) - Seda Artificial.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Filatelia 155



Entre coleccionadores de selos fala-se muitas vezes em selar filatelicamente a correspondência, de forma a valorizar os envelopes, tornando-os mais atraentes. De uma forma geral, isso implica o uso preferencial de selos comemoratvos em detrimento dos selos base ou comuns.



Se nem sempre isso acontece entre filatelistas ou empresas da especialidade, a minha experiência de largos anos com o Reino Unido, permite-me concluir que, de lá, era norma virem envelopes esteticamente atraentes, sobretudo quando traziam catálogos de leilões da Alliance Auctions.



E que, por isso, eu quase sempre guardei inteiros os envelopes.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Filatelia CLIV

 


São selos misteriosos estes, em imagem, e vieram à minha mão de um leilão, em Inglaterra, em 1976.
Contextualizando: em Setembro de 1891, o governo português concedeu a exploração, em Moçambique, a empresas privadas de dois territórios nomeados Companhia de Moçambique e Companhia do Nyassa. Este contracto vigorou até 1929 e foram emitidos selos próprios que circularam, alguns dos quais foram impressos a talhe doce pela companhia britânica Waterloo & Sons LTD, de Londres. Em seguida, estas regiões passaram a usar estampilhas da colónia de Moçambique.
Datados, ao que parece, de 1897 e intitulados "não emitidos" (rigorosamente, seriam não circulados), surgiram os selos com o motivo acima, com as taxas de 10, 20 e 50 réis, de Cabo Delgado, denteado 14 1/2, bem como não denteados. E ainda, pelo menos, 2 selos "Provisório" de 5 sobre 10 réis laranja, um denteado e outro não denteado.
Em Novembro de 1996, num leilão da Afinsa, o catálogo propunha uma estimativa inicial de venda de Esc. 5.000$00 para cada selo, individualmente.
A causa ou razão desta emissão e tentativa gorada de circulação é que eu não a consegui descobrir.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Filatelia CLIII


A carta, em imagem, pertencia a um arquivo de um estabelecimento comercial importante de Guimarães (Francisco Martins Fernandes), situado na rua de Camões, e que vendia tecidos e atoalhados.
Nessa altura (1871), os Correios portugueses gozavam de excelente fama de eficácia, profissionalismo e rapidez nas entregas de correspondência e encomendas, que veio a perder-se apenas em finais do século XX.
No que diz respeito à celeridade, podemos ver os carimbos: esta carta foi posta nos correios de Lisboa a 24 de Fevereiro de 1871, chegou ao Porto no dia seguinte (25/2) e foi entregue, nesse mesmo dia, em Guimarães, no armazém de FMF. Ou seja, apenas um dia para cobrir os cerca de 480 quilómetros do percurso.
Isto é que era trabalhar como deve ser!
E não como hoje...      

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Filatelia CLII


 
Terá sido em Agosto de 1973, ou no ano seguinte, que visitei, pela primeira vez, o Museu Postal Nacional inglês, em Londres, criado cerca de sete anos antes, graças ao contributo mecenático do filantropo, homem de negócios e filatelista Reginald Moses Phillips (1888-1977).



O nosso equivalente museu dos CTT, na altura, da parte da exposição e estantes, tinha um caricato aspecto artesanal. Que veio, felizmente, a melhorar depois. O acervo filatélico era porém rico e não desmerecia o confronto com o seu congénere britânico.


sábado, 29 de novembro de 2025

Filatelia CLI



O centro da Europa foi frequentemente objecto de mudança de fronteiras. A Checoslováquia, por exemplo, tinha sido anteriormente Boémia e Morávia e é, desde 1992, repartida em dois países: a República Checa e a Eslováquia. A Alemanha nazi que, na II Grande Guerra, ocupou os Sudetas, instituiu nessa área geográfica o protectorado de Boémia e Morávia, de 15 de Março de 1939 até 8 de Maio de 1945, altura em que foi derrotada. Durante o período fez cunhar moeda e imprimiu selos para essa zona ocupada.
Os selos tinham grande qualidade estética, como se pode ver por esta emissão de 26 de Outubro de 1941 que foi produzida para celebrar o 150º aniversário de Mozart (1756-1791), na imagem acima.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Filatelia CL

 

O estudo dos selos portugueses desde cedo suscitou o interesse de estrangeiros, sobretudo de filatelistas ingleses. A Portuguese Philatelic Society, sediada na Grã-Bretanha, teve também uma grande importância na difusão da filatelia nacional lusa, no último século.
Dos seus associados, há que destacar o comandante David Leslie Gordon por estas 2 obras fundamentais, de que reproduzimos as capas, acima, e que foram publicadas em 1985 e 1987, respectivamente.


Seleccionamos 5 selos de D. Luís com carimbos dos mais interessantes ou raros, da nossa colecção, que vem referidos nas obras citadas e que passamos a identificar. Da esquerda para a a direita, o primeiro ostenta a marca de "Posta Rural" (PR), o segundo, com perfuração em estrela, destinava-se ao pagamento da taxa de telegrama, o terceiro tem a identificação local de Golegã. O quarto selo, com o pouco frequente carimbo de Alvôco (Seia), é raro e tem uma valorização de 75, numa tabela de 100, referida por D. L. Gordon. Finalmente, o quinto e último tem o carimbo nominal de S. Domingos de Carmões (Torres Vedras).





segunda-feira, 14 de julho de 2025

Filatelia CXLV



É minhas convicção enraízada que a qualidade estética e beleza da produção de selos dos correios da maior parte dos países tem vindo a piorar substancialmente, nos últimos decénios. Talvez escapem as estampilhas da Alemanha, da Inglaterra e pouco mais.
Em geminação, e talvez para me penitenciar de um comentário desprimoroso que fiz num poste do Prosimetron, da MR, sobre uns selos actuais de França que apareciam em imagem, aqui deixo o testemunho de beleza de alguns selos dos anos 40 a 70 do século passado, em que o cuidado gráfico dos correios gauleses era soberano e digno de admiração, nessa época.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

25 de Abril

 


A célebre efeméride alastrou, com toda a propriedade e merecimento, a variadas temáticas. Entre elas a filatelia, cuja imagem feliz acima reproduz, um ano depois (1975), este acontecimento da nossa história.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Filateliia CXXIV


Desde cedo que a Suíça se apercebeu que os seus selos de correio poderiam ser uma óptima fonte de receita para os seus orçamentos, especializando-se, por isso, os seus serviços postais em temáticas (flora, fauna...) que atraissem o interesse de filatelistas nacionais, mas também estrangeiros.


A qualidade profissional da empresa helvética Courvoisier SA, que chegou a trabalhar para os CTT portugueses (séries heliogravadas do Presidente Carmona, 1945, da 2ª emissão de Costumes Portugueses, 1947, e Dinastia de Aviz, 1949) também contribuiu para o prestígio dos selos suiços e sua divulgação no mercado filatélico.




Logo, outros pequenos países com menores capacidades financeiras, dando conta do sucesso, lhe seguiram o exemplo produzindo séries filatélicas que foram fidelizando coleccionadores a comprarem-lhe as tarjetas postais para os seus acervos. Destacaria, por exemplo, Mónaco, Vaticano, e S. Marino que deixo em imagem comprovativa, na imagem superior.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Filatelia CXXIII

 

Tirando as primeiras impressões filatélicas, de alguma qualidade, que foram produzidas nos E. U. A., os países da América do Sul, pela sua dependência económica, só mais tarde vieram a fabricar os seus próprios selos. São normalmente séries estampadas em papel de fraca qualidade e com desenhos, normalmente, muito toscos e, no geral, de estética que deixava muito a desejar. Argentina, Brasil, Colombia, por exemplo, estão aí para corroborar o que afirmo.


Estas características contribuiram também para a proliferação de muitas falsificações, umas melhores que outras na sua execução, que andam no mercado filatélico.
Em tempos já muito recuados, comprei a preço em conta e modesto o que seria um exemplar do nº 7 (Yvert) da Argentina (1862-64), novo sem goma. Apresentava aparentemente um erro (71 pérolas) que o classificaria como nº 7a (e ou 7d), atribuindo-lhe o catálogo francês de 1994 um valor significativo de 17.500 francos franceses (cerca de Esc. 525.000$00 portugueses, na altura).
Nunca acreditei muito nestes valores. E, aproveitando a ida de uns amigos a Buenos Aires, pedi-lhes que colhessem uma opinião abalizada numa loja filatélica da especialidade. Realmente, o selo era falso. E o seu valor era meramente residual.                                         

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Filatelia CXXII

 


A disposição de selos em álbuns e cadernos filatélicos tem a sua importância do ponto de vista de apresentação estética. Por sua vez, o estudo das estampilhas, quando aprofundado, pode valorizar o conjunto filatélico a nível pessoal, ainda que disposto de forma artesanal.
Tenho particular apreço por esta pequena colecção da ilha de Malta que organizei, catalogando, em 1996, os 144 selos que tinha, e colando-os, num pequeno caderno, um pouco tôsco, que arranjei para o efeito.


Os selos estão classificados e precificados pelos três mais importantes catálogos para países europeus: o Michel (alemão), o Stanley Gibbons (inglês) e o Yvert (francês).



domingo, 1 de dezembro de 2024

Filatelia CXXI


 

No Dia da Filatelia, aqui ficam em imagem, os 4 selos da primeira emissão portuguesa, de 1853, bem como uma carta que circulou de Elvas para Lisboa, em 1854. O selo de 50 réis de D. Maria II ostenta o carimbo numérico (48) de Angra (Açores). O selo de 100 réis é uma reimpressão de 1863, com goma.    

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Filatelia CXX

 

Muito embora, oficialmente, os envelopes com FDC (Carimbos de 1º Dia), em Portugal, tenham tido início apenas com a emissão do 16º Congresso Internacional de História de Arte, no ano de 1949, já em 1894, e com a série comemorativa do 5º Centenário do nascimento do Infante D. Henrique, tinha sido criado um carimbo próprio que obliterou uma grande parte dos selos circulados dessa série, na altura.


Fruto de experiências talvez particulares, existe também uma folha com carimbo original do início da Exposição do Mundo Português e a data 1/12/1940, da emissão do 8º Centenário da Fundação e 3º da Restauração de Portugal, na minha colecção. Que, com certeza, não será muito frequente aparecer.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Filatelia CXIX


Se, hoje em dia, os selos propriamente ditos são em menor parte usados na correspondência, em benefício neutro de etiquetas mudas de imagem ou carimbos inexpressivos, os CTT aumentaram, com o tempo, as suas "rendas" através de mil e um artifícios tentadores sobretudo para os filatelistas. E a exemplo de países estrangeiros, que já os usavam.



Estão neste caso, desde 1986, a emissão dos chamados Livros CTT que, com apuro gráfico, agrupam séries de selos já em circulação, com a mesma temática, acompanhados de textos competentes de especialistas da matéria. O primeiro destes livros foi dedicado aos "5 Séculos de Azulejos Portugueses".



Reproduzimos, em imagem, o volume que foi dedicado à "Pintura Portuguesa do Séc. XX", que tem texto alusivo de José-Augusto França (1922-2021), inserindo selos de Amadeo de Souza-Cardoso até José de Guimarães. Este Livro CTT foi editado em 1990, com estampilhas postais (em blocos) de 1988 a 1990.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Adenda a Filatelia CXLIX e aviso à Sra. Dª. Rosa P.

 À última da hora, surgiram-me impedimentos pessoais inadiáveis que não me permitem comparecer ao encontro amanhã, Quarta-feira, em Lisboa.

As minhas maiores desculpas pelo incómodo!

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Filatelia CXLIX



Não é todos os dias que recebemos uma remessa desta dimensão (em imagem fica apenas uma parte) composta por selos para a minha colecção. Maioritariamente da Alemanha, há também selos usados da Áustria, Eslovénia, Estados Unidos, França, Portugal... Agora, há que metê-los na água morna, para descolar, com 3 ou 4 pedras de sal, para não desbotarem as cores. Depois, secar e arrumar. 
Grato reconhecimento a R. J., que teve a lembrança e os enviou!

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Filatelia CXLVIII


(Ora vamos lá, humildemente, em nome da aliança velha e luso-britânica, contribuir para a mainstream do momento régio! O grande jubileu isabelino.)

São 70 anos em que o retrato, perfil ou efígie de Isabel II (1926) surge em tudo quanto é selo emitido pelo Reino Unido. Do acesso ao trono, em 1952, passando pela coroação a 3 de Junho de 1953, até hoje , é o mais longo reinado inglês, ultrapassando o da rainha Victoria (1819-1901). E, com certeza, a temática filatélica especializada mais frequente.


Se até aos anos 70 do século passado, de um modo geral, o número de emissões de selos britânicos era comedido, a partir daí a séries dispararam. Não só as comemorativas, mas também as emissões base, através das cores e tonalidades, selos fosforescentes ou não, e variações de produtos filatélicos para coleccionadores. Com o Platinium Jubilee, espero ainda o pior...



quinta-feira, 10 de março de 2022

Filatelia CXLVII


 

                                                       Em solidariedade para com a Ucrânia.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Filatelia CXLVI


Muitas vezes, a ganância ultrapassa o sentido da conveniência. E vê-se, ostensivamente.
Os correios, ao menos os portugueses, com a perspectiva desmedida dos lucros, perderam o sentido da proporção, no que diz respeito à filatelia. Claro que isto resulta de terem à frente da instituição pessoas cuja ignorância sobre a especialidade é grande, a rusticidade é robusta e a cultura geral é nenhuma. Talvez percebam alguma coisa de economia, mas de uma forma muito enviezada e canhestra quanto ao assunto.
Ao permitirem que qualquer particular pudesse criar selos, desde que pagasse, com fotografias do próprio, de familiares ou até de amigos, prolongaram até ao infinito o número de selos possíveis do país. Em teoria, perante esta enormidade, acabaram com as colecções de selos, no seu sentido clássico, pela infinidade possível de emissões a existirem... Qualquer filatelista que se preze, deixaria de juntar selos portugueses, a partir daqui.




O pequeno álbum de selos que se apresenta acima, em imagem, data de 1931, e o seu anterior proprietário, inglês, dava pelo nome de John Willi, e tê-lo-á adquirido, ou foi-lhe oferecido, pelo Natal desse ano. O filatelista teria chegado a ter 919 selos. Este bonito álbum, editado pela Stanley Gibbons, que era e é, ainda hoje, talvez a maior casa filatélica do mundo, tinha 200 páginas com casas para colar selos, em parte, de todos os países do mundo. Nesta altura, e para se ver, já a nossa tendência para o excesso ou incontinência era grande: Portugal já tinha emitido 542 selos. Enquanto a Inglaterra, sempre comedida e pragmática, pusera em circulação, até ao Natal de 1931, apenas 438 estampilhas. E a parcimoniosa e poupada Holanda calvinista contava 248 - pelos vistos, chegavam-lhe para as necessidades postais e para os seus coleccionadores de selos.
Por cá, como se vê, já era um fartar vilanagem!...