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domingo, 11 de outubro de 2015

Uma fotografia, de vez em quando (70)


Em sequência do poste anterior, o meu Amigo AVP, teve a oportuna amabilidade de me remeter um conjunto de 15 fotografias, elucidativas, sobre o recente naufrágio da Figueira da Foz, que teve consequências lamentáveis na perda de vidas humanas. Do acervo, seleccionei 3, que me parecem testemunhar a força da Natureza, a temeridade talvez imprevidente e humana, e o desfecho trágico. O atraso de resposta no socorro e os insuficientes meios de salvamento contribuiram - parece - para o desenlace fatal e, decerto, evitável.




Nota: no desconhecimento do autor das fotos, não refiro o nome do fotógrafo.
Nota 2: em tempo, o nome do autor das fotografias é Paulo Octávio.

Divagações 98


Não tendo a espectacularidade dos tsunami, as marés vivas também ocorrem no mar, ciclicamente, pela oposição gravitacional que se estabelece, de tempos a tempos, entre o Sol e a Lua e a sua influência na Terra. O fenómeno tem o seu equivalente, oposto, nas chamadas marés mortas que raramente são referidas e que resultam numa aparente neutralidade ou harmonia das águas marítimas. A que damos pouquíssima importância. Ou que nem sequer notamos.
Lembro-me de as observar, às primeiras, quase sempre em finais de Agosto, nos meus tempos de juventude, no mar da Póvoa. O fenómeno, em si, despertava-me sempre desencontradas emoções de alegria, espanto e medo. Medo que, no entanto, não me impedia, pelo gosto do risco e aventura, de me lançar nas ondas furiosas do Atlântico, para ser arrastado, violentamente, quase até às barracas da praia, numa voragem vertiginosa e célere.
Pois voltei a vê-las ontem, às marés vivas, na praia da Areia Branca, pelo Oeste. E, desta vez, interpretei aquele ronco cavo e selvagem, como se fosse a cólera do mar que se expressava num enorme desagrado destruidor sobre a terra e suas gentes. Também me lembrei que o recente, trágico naufrágio na Figueira da Foz teve, de algum modo, origem nessa fúria natural do mar...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Viagens, gastronomia e emigração

Se nos apearmos na estação de metropolitano de Zülpicherplatz, desembocando no Hohenzollernring, vindo um pouco atrás, deparamos com a original, e única na especialidade, em Colónia, Livraria Gleumes. Há lá de tudo que se possa imaginar, em relação a viagens, sejam os destinos mais improváveis ou exóticos, até mesmo recônditos, os lugarejos. Até os minuciosos mapas do Exército Português lá poderemos encontrar... Convém é chegar um bom bocado antes das 18h30, porque o horário de encerramento é rigoroso, e a livraria muito bem fornecida.
Mas, às 19h00, subindo um pouco mais, pelo lado direito, mas em direcção à Clodwigplatz, aberto e já a servir jantares, o Bistro Pinot di Pinot recebe-nos gentilmente, com boas escolhas de peixe, carne e vinhos. Quem vier, nestes tempos mais próximos, há-de encontrar para atender uma espécie de Cabrita Reis, menos emproado, ou seu "clone", depois de uma cura de emagrecimento - e sem charuto, mas com aquela bem cuidada barba e bigode, muito bem aparados. É português, como 2/5 do pessoal do restaurante que, de italiano, só tem o dono venerando, alguns pratos e a magnífica garrafeira. O serviço é excelente.
Aconselho, vivamente, os filetes de Rodovalho, com molho de mostarda e salada a condizer. E, se ainda houver, recomendo um Montepulciano dos Abruzzo, de 2007, tinto, com 12,5º, que está no ponto, para uma noite fria. Poderão ter a sorte que o empregado português traga, depois do café, uma grappa destilada de Barolo, em cálice apropriado e alto, que deixe voar os eflúvios aromáticos -  uma especialidade!...
Se, à saída, o empregado luso, sósia do Cabrita Reis (emagrecido e elegante), porque reparou no SG filtro, Vos pedir, delicadamente, um cigarro português, não lho neguem. Porque ele é humano, e tem saudades. Do sol, do filho pequeno que está longe e da Figueira da Foz, neste frio de rachar, outonal, de Colónia.

terça-feira, 20 de março de 2012

Despojos


O azul já não é o anémico anil de há um mês atrás. Está mais firme, lá no alto, e o sol já nos aquece num débil ainda calor primaveril.
Vinha eu a pensar nos talheres do "Titanic" que, alguns, foram dar a Ílhavo, em casas de descendentes de pescadores bacalhoeiros. À deriva, um mês e meio depois do naufrágio do transatlântico, encontraram um móvel que tinha dentro vários talheres. Que vieram a ser distribuídos, depois, pelos pescadores do "Trombetas", veleiro da Figueira da Foz.
Vinha eu a pensar nisso quando, na Rua do Carmo, vejo três pessoas a arrumar volumosos pacotes de livros, numa carrinha Volkswagen. Depois, reparei donde vinham: da encerrada Livraria Portugal. Que ainda tinha, nas montras, letreiros a indicar descontos de 70%. O prédio já estava com andaimes e deve ir para obras. Os livros iriam, decerto, para fundos de alguma congénere.
Dos talheres do "Titanic", nem todos foram ao fundo. Há ainda facas, colheres e garfos de prata espalhados por algumas casas de Ílhavo - dizia o jornal.
Despojos...