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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Esquecidos (6)



Na minha opinião, e de forma ligeira, foi um ar que lhes deu. Escritores neo-realistas, tão populares e lidos, nos anos 50, 60, 70 do século passado estão hoje sepulcralmente esquecidos. Das novas gerações, quem se lembrará (e menos lerá...) de José Loureiro Botas, J. Marmelo e Silva, Faure da Rosa, Leão Penedo, Romeu Correia, Ferro Rodrigues, Fernando Lopes... Escapam Alves Redol, Carlos de Oliveira (que inflectiu a sua obra, e bem) e talvez Fernando Namora, que a Bertrand lá vai reeditando.

Estar na moda e ancorado excessivamente no presente tem os seus custos. Nalguns casos, é uma pena que alguns destes prosadores estejam esquecidos para sempre.

 

Nota pessoal: chamo a atenção para a qualidade de algumas destas capas. De bons profissionais, claro!

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Reparar os erros?


Na última página, a cargo anónimo de J. C. (?), o TLS, nos meses mais recentes, tem vindo a dedicar, de forma aliás meritória, um pequeno espaço a escritores de língua inglesa que, tendo sido bastante conhecidos, estão hoje quase completamente esquecidos. Uma das últimas autoras referidas é Edith Hamilton (1867-1963).


O nosso amigo H. N., para a nossa amistosa tertúlia semanal, trazia há uns dias, e recentemente comprado, um livro usado de Rogério de Freitas (1910-2001), com dedicatória efusiva do autor a Etelvina Lopes de Almeida (1916-2004). O escritor, que foi também pintor, era lido e figura bem conhecida na segunda metade do século XX. Tenho e li várias obras suas.


Vendo a lista desta colecção da editora Arcádia em que a obra se inseria, verifico a quantidade de escritores que hoje já muito poucos leitores portugueses lêem ou muito menos conhecem...
Merecidamente?
Por mera curiosidade, informe-se que quem orientava esta colecção, da Arcádia, era Fernando Namora (1919-1989). Escritor médico que não sei se, hoje, ainda será muito lido. Pelo menos, já foi.


terça-feira, 12 de julho de 2016

(des)Colagem política


Não gosto de propagandear azémolas e vendidos, no Blogue, por isso raramente os faço representar em imagem. Como dizia o Namora, a publicidade, ainda que negativa, ajuda...
Este Bloem (significará flor, em neerlandês? Se é, não é tulipa, nem que se cheire...) Di(j)sse e tem dito várias coisas desagradáveis e autoritárias sobre Portugal. Nem sequer são inteligentes e, por isso, não as suporto.
Gelificado de cabeça, bastardo do ganancioso Blair e pau mandado do aleijadinho germânico, este boer anquilosado e cavernícola apenas ambiciona uma reforma dourada como o bovino luso-barrosão.
Deus, se existe, que não lha conceda!


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Geografia, intercâmbios, tribos e famílias


Há dias, em conversa cordial, veio à mesa o tema que titula este poste e, se um de nós preferia a palavra família, para caracterizar o agregado humano de proximidade, os outros dois interlocutores optavam pelo termo tribo, talvez pelo seu mais amplo significado antropológico. Porque o primeiro entendia que família era, antes de tudo, unidade, enquanto à tribo estariam associados sentimentos de inveja e rivalidade, fossem eles de cariz profissional, ou não. Ora, eu creio que, mesmo a família contém em si, também, factores de emulação, desacordo e até inveja que acabam, quase sempre, por existir em qualquer grupo humano. Mas também segregam sinais de semelhança, completude e inter-ajuda solidária, se não por afecto, pelo menos, por dever e regra social.
A geografia inicial destes grupos é a de proximidade. Lembro-me que, na infância-adolescência, e na minha rua, eramos três a coleccionar selos: E. dedicava-se à França e colónias francesas, Q. juntava selos da Bélgica e de Itália, e eu guardava, com particular agrado, estampilhas da Alemanha e da Holanda, preferencialmente. E, depois, entre nós, cedíamos os repetidos desses países, aos outros amigos.
O mesmo acontecia com livros e leituras: E. comprava todas as obras de Urbano T. Rodrigues, eu, os de Fernando Namora. E íamos emprestando, um ao outro, as obras que íamos lendo, fazendo anteceder os empréstimos de pequenos comentários de avaliação sobre as leituras já efectuadas.
Na actualidade, estes intercâmbios subiram de patamar. Com o meu bom amigo H., troco semanalmente, depois de lidos, o "Obs" e o TLS pelo Atual (do Expresso) e pelo "Le Monde". Para proveito de ambos, e da tribo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Redundâncias saloias


Um blogue muito frequentado e visto (ao que parece) deu-se ao luxo espaçoso de reproduzir, em imagem, e num único poste, nada menos de 39 capas de livros, foleiras, como vem sendo hábito das nossas editoras, de outros tantos livros de conteúdo medíocre ou literatura dita light, para depois, em 72 linhas bloguísticas, incontinentemente, verberar o facto e dizer banalidades confrangedoras, espraiando-se em considerações fátuas de uma inutilidade atroz.
Este prolixo plumitivo da nossa praça não deve ter mais nada que fazer ou para dizer. E pratica, se calhar com imenso gosto, sempre que pode, "assassinatos por entusiasmo", num ardor imenso de se ouvir, muito infantil e bacoco. Mas, como tem 325 seguidores, é porque há muito português e portuguesa que se delicia e diverte a ler estas baboseiras. Que lhes faça bom proveito!
A publicidade, seja ela positiva ou negativa, funciona sempre a favor da difusão do produto - Fernando Namora, sabiamente, descobriu esse efeito.
Mas porque será que uma boa parte dos portugueses letrados são tão excessivos e verborreicos? Não conseguindo numa síntese sucinta resumir os conceitos e aquilo que querem dizer? Mistérios...

Nota: não!, esta capa, que encima o blogue, não consta das 39 do incontinente plumitivo sulista. Tem algo de neo-gótico, condizente com a época, e quadra bem com este romance de Camilo.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O circo


Nestes tempos mais recentes, tenho evitado, conscientemente, abordar a indigência da nossa política do dia a dia ou, até, fazer postes sobre alguns dos muito diversos aspectos ridículos e patéticos que vão ocorrendo, e que mereceriam, certamente, um sublinhado. Mas tenho as minhas razões.
Diziam (as más línguas?) que, dia em que não aparecesse o seu nome, pelo menos num jornal diário, mesmo que fosse a dizer mal, Fernando Namora ficava indisposto. Porque, se dissessem mal, ele podia contraditar. E o escritor sabia bem a força da publicidade.
Seguro cada vez mais se parece com Roberto Benigni, naquele seu ar de menino triste, desconchavado e banal; à pinóquia das finanças não lhe cresce o nariz, mas devia, e o maduro, para ter crédito, deveria perder aquela voz de cana rachada, que não ajuda nada.
Quanto aos palhaços, acho que já, por aqui, falei o suficiente...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A efemeridade do gosto



Quando, há dias, um jovem me argumentava com as excelências de também 2 jovens escritores portugueses, justificando e reforçando o seu gosto entusiástico com os prémios e traduções, no estrangeiro, das obras desses autores, eu, que os achava apenas de qualidade meã ou razoável, contrapunha-lhe o exemplo da antiga fama, prémios e inúmeras traduções que se fizeram da obra de Fernando Namora, hoje, esquecido e, que, dificilmente, passará à história literária do séc. XX português.
Adolescente e jovem, também eu li, com entusiasmo muitos dos livros de Namora, mas hoje não consigo explicar, para mim mesmo, porque apreciava tanto a sua escrita. A tentativa, aqui há três ou quatro anos atrás, para o reler e reavaliar, saldou-se por uma rotunda desilusão e fracasso. É evidente que, com a idade, vai crescendo o nosso grau de exigência, fui conhecendo e lendo obras maiores, começando também por ser mais selectivo no meu tempo de leitura e suas opções. Por outro lado a ficção portuguesa raramente foi "romance de ideias" (se exceptuarmos Vergílio Ferreira e pouco mais), e os factos têm duração efémera, a paisagem e sua descrição modificam-se, os sentimentos mudam, os conceitos de moda, perdem-se, rapidamente.
Falei ontem de Redol, aqui no Blogue, e de Marmelo e Silva, por acréscimo, entre outros escritores desvalorizados ou esquecidos, actualmente. Uma Amiga, em comentário, falou no eventual centenário deste último autor português. Fui ver: José Marmelo e Silva nasceu a 7 de Maio de 1911, na Covilhã. Há um ano, o seu centenário, portanto, e não me lembro de alguém ter falado nele, apesar de ser pai do poeta José Emílio-Nelson (1948) que também trilha caminhos literários.
Ora, Marmelo e Silva teve algum nome, nos anos 50, 60 e 70, era conhecido e falado, por quem lia, ou estudava literatura. O seu "Adolescente agrilhoado" entre 1947 (ano de publicação) e 1986, teve quatro edições - coisa não despicienda, na altura. Quem, hoje, com menos de 40 anos lhe saberá o nome e obra? É certo que os seus livros falavam de universos pequeninos, provinciais, de pecados de consciência, de matrizes excessivamente cristãs. Hoje, as vivências são outras, as mentalidades diferentes, os gostos deslocaram-se para outras paragens e mundos...
Mas, atenção!, o facto de estar obrigatoriamente à la page, ou no centro da moda e da mundanidade, não significa perenidade. Já Drummond dizia "Não faças poemas sobre acontecimentos..." - cito de memória. E, como eu dizia ao meu jovem interlocutor, que referi no início deste poste, não basta escrever bem, usar "piercings", ou falar de locais emblemáticos (Veneza, Trieste, a Índia, por exemplo) para deslumbrar o pio leitor, citando autores de culto e na berra, para passar no exame do Tempo. É preciso muito mais do que isso. Sic transit...

com agradecimentos a MR.