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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Memória (112)


Por um acaso aparente, o nome de Mário Cesariny de Vasconcelos, nos últimos dois dias, cruzou-se várias vezes comigo. Inicialmente, e num Blogue amigo, em comentário, citei dele um pequeno poema. Depois, à noite, zapeando na TV, apanhei o falecido realizador Fernando Lopes, num programa antigo, a chamar-lhe Mago. Finalmente ontem, num jornal, vinha a notícia de que a Câmara de Lisboa lhe iria disponibilizar um jazigo individual, no Cemitério dos Prazeres. Lembro que ele tinha sido sepultado, anteriormente, no Talhão dos Artistas.
Há reconhecimentos que chegam tarde à nossa vida. Dei por Turner na meia idade, quando, por exemplo, comecei a gostar da obra de Soutine, na adolescência. Quanto a poetas, e surrealistas, sempre privilegiei mais, e desde cedo, Alexandre O'Neill, que tinha uma irreverência mais viva e criativa. Depois, não levei muito a bem que Cesariny tivesse trocado a poesia pela pintura (necessidades?) que, aliás, nunca me despertou grande interesse. Mas aqueles dedos trémulos, segurando o eterno cigarro, em dois leilões de livros, em que lhe fiquei ao pé, comoveram-me...
E, estando tão esquecido, há que lembrar que era um bom poeta.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Bibliofilia 87


Estas edições iniciais, com as capas em imagem, de "Uma Abelha na Chuva", de Carlos de Oliveira (1921-1981), não são muito frequentes em aparecer à venda - quem as tem, chama-lhes suas... Porque, além do Escritor fazer grandes revisões aos textos, foram ilustradas por dois dos maiores capistas portugueses. 
A 1º edição (1953), impressa na Coimbra Editora, tem capa de Victor Palla. A segunda edição, de 1960, publicada pela Editora Ulisseia, foi ilustrada por Sebastião Rodrigues sobre fotografia de António Sena da Silva. A terceira capa, a vermelho e dourado, pertence a uma edição especial de 1.600 exemplares ( o meu, assinado por Carlos de Oliveira, tem o nº 1.546), editada pela Limiar (Porto), em 1976, com 6 guachos de Júlio Pomar, concebidos para o efeito.
A título de curiosidade, lembro que Fernando Lopes (1935-2012), em 1971, realizou um filme homónimo, baseado nesta obra de Carlos de Oliveira.

domingo, 12 de agosto de 2012

Diversos planos, ou por outros olhos


Não é grande a minha experiência de tribunais. Creio que conheci, ao longo da minha vida, apenas 4 ou 5 salas de julgamento. A disposição do espaço obedece a, pelo menos, 2 níveis, que o arquitecto da obra, logo de início, deverá ter tido em consideração, ao fazer a maqueta.
Mas, até psicologicamente, a visão que têm o réu, a(s) testemunha(s), o juiz ou juízes, os advogados de acusação e defesa hão-de ser muito diferentes, entre si, em relação a este espaço de debate, decisão e justiça. Escuso-me a imaginá-los, ou avançá-los.
Agora, a visão que pode ter um cineasta é que pode ser única e muito singular. E não resisto a transcrever as palavras do realizador português Fernando Lopes (1935-2012) sobre como via esse espaço. Disse ele:
"...Uma coisa é curiosa: existem dois olhares num tribunal. Explico isto cinematograficamente: os juízes estão no topo, num palco. Do ponto de vista cinematográfico, os juízes têm o plangê, ou seja, têm o olhar de Deus por cima deles e olham para baixo, para os outros. Os advogados e os acusados olham de baixo para cima para os juízes. Nunca se olha à altura do homem. ..."

com agradecimentos a c. a..

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Fernando Lopes (1935-2012)


Fernando Lopes faleceu, ontem, com 76 anos. Mas deixou a sua marca, no cinema português, através de filmes importantes como "Belarmino" (1964), "Uma Abelha na Chuva" (1971), numa adaptação do romance homónimo de Carlos de Oliveira, e "O Delfim" (2002) baseado na obra de José Cardoso Pires, entre outros.