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quarta-feira, 19 de junho de 2024

Circuito interno da boa e pequenina justiça à portuguesa

 


Lê-se no jornal Público de hoje, em subtítulo da página 13: "MP abre investigação a fugas de informação no inquérito, após CNN ter divulgado fotografias e resumo de escutas". E na página 10, em artigo de opinião de Alberto Pinto Nogueira, Procurador-geral da República jubilado, pode ler-se no final do seu texto: "Lucília Gago cala, não tem voz, nada ouve. Que faz no Palácio de Palmela?"
Eu diria que a dona senhora se pinta demais para ser verdade. E, como o seu apelido sugere, fala decerto mal... 

Sobre a primeira notícia, fico pasmado. Sendo as fugas originadas e passadas para o exterior pelo MP, a investigação será puramente corporativa e pode adivinhar-se, desde já e como é habitual, que o caso será arquivado, beatificamente e para sossego dos infractores. Uma autêntica vergonha nacional de corrupção às escâncaras. Como diria Fernando Assis Pacheco: "Não posso com tanta ironia".

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O supremo abuso



O oportunismo descarado vem da Quinta dos Termos, vinhos da Beira Interior, mas os novos proprietários da que foi a séria Livraria Sá da Costa colaboram na trapaça reles de usar a figura de poetas (Cruzeiro Seixas, Eugénio de Andrade...) para ilustrar rótulos de vinhos, pondo-os na montra. No dia da Poesia? Irra!
Como diria F. Assis Pacheco: "Não posso com tanta ironia..."

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Fernando Assis Pacheco (1939-1995), em sequência natural... e a Galiza


Não creio existir assim um testemunho português registado sobre FAP. Mas a Galiza, ao menos, não o deixou passar em branco, legando-nos esta pequena e viva gravação do poeta português, cujo avô era galego.

Lembrete 85



A editora manifesta-se pela qualidade do que edita. Os dois livros saíram em Julho e Agosto deste ano, respectivamente. Quanto aos autores, creio que não vale a pena enaltecê-los. É certo que não iniciei ainda a leitura de nenhum dos volumes, mas sei que não irei ser defraudado ou desapontado...
E ainda que eu não aprecie o futebol, tal como ele é praticado hoje em dia, recomendo ambas as obras, em louvor da boa disposição.



quinta-feira, 30 de abril de 2020

Título do dia


Não posso crer!? Privatizações, ou quase? Mundo às avessas, como Camões glosou?
Será um presente filantropo dos empresários aos trabalhadores, em vésperas do 1º de Maio?
Não me ocorre senão citar Fernando Assis Pacheco (1937-1995): Não posso/ com tanta ironia.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ideias fixas 10


Devemos ser gratos e benevolentes para com os loureiros e as oliveiras, até porque fortalecem a nossa muito louvada dieta mediterrânica.
Por outro lado, devemos ter uma cega confiança e complacência nesta nossa Justiça, à portuguesa. De forma a retribuirmos a sua cegueira.
( Altura para relembrar o final do poema "Não posso", de Fernando Assis Pacheco: Não posso/ com tanta ironia.)

domingo, 2 de abril de 2017

Yevtushenko


Faleceu, ontem (1/4/2017), o poeta russo Yevgueni Yevtushenko que, sovieticamente, tinha nascido a 18 de Julho de 1932, na então U. R. S. S..
A poesia panfletária ou, melhor dizendo, comprometida, tem a virtualidade de arrastar emocionalmente todos aqueles que estão predispostos a aceitá-la a priori, do ponto de vista ideológico, lendo ou ouvindo a sua mensagem, sobretudo, em anos de extrema juventude. E, se for bem dita, o milagre ainda é maior: uma espécie de Fátima poética, superior e transcendente. Estou a lembrar-me do nosso grande diseur, da sua própria obra, Ary dos Santos.
Eu creio, criticamente, que Yevtushenko não era um poeta maior, mas tinha carisma e muita qualidade na sua declamação. Teatral e emotiva.  
Tive oportunidade de o ver e ouvir no Teatro Capitólio (Lisboa), ao vivo, em 1967, graças a um convite e insistência amiga de Mário Castrim. Babi Yar e a " Entre a cidade Sim e a cidade Não" (?), não conhecendo eu a língua russa, eram um milagre litúrgico, ditos por ele. Fiquei convertido. Nunca cheguei, no entanto, a perceber como ele conseguia ser o embaixador literário da U. R. S. S. e sair do país dos sovietes, naquela altura. Mas também, apresentado que foi por Fernando Assis Pacheco, nunca entendi como é que ele conseguiu entrar em Portugal, nesses tempos estadonovistas...
Seja como for, tão cedo, não irei esquecê-lo.

sábado, 12 de setembro de 2015

F. A. P.


As notícias têm destas virtualidades benéficas. A nova sobre a reedição dos livros de F. Assis Pacheco (ver poste anterior) fez-me revisitar a obra. Aqui:

E assim:

volto a pensar : que queria eu na infância
o sol ? outro nome sobre o meu tão frágil ?

amo-te mais à noite portanto
quando dobro as calças e começo
quando esse gesto útil quando
bate numas pernas e vê-se
de trinta e cinco anos

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Uma louvável iniciativa (41)


Esgotada há muito, grande parte da obra (poesia e prosa) de Fernando Assis Pacheco (1937-1995), foi com grande agrado que tive notícia de que os seus livros vão ser reeditados pela editora Tinta-da-China, já a  partir do próximo mês de Novembro. Data em que se completam vinte anos sobre a morte do Escritor.

sábado, 29 de novembro de 2014

E já que falei de F. A. P., aqui vai 1 poema...


Dueto com melro


Este anda toda a manhã às pêras
com uma musiquinha no bico
e ri-se muito quando eu abro
a janela em guilhotina
do escritório

ri-se do verso lambido
diz que o troque
por mais sólidos
apetites de aldeia
                          se pêras não
que posso enfim não gostar delas

vá por amoras ao Telhadouro
vá aos pinhais por camarinhas
e para que escreve o tipo à mesa
com ar tão sério diz ele
deu-lhe agora a terçã?


Fernando Assis Pacheco, 1979.

Marcadores 25


Já por aqui falei do acaso afortunado de, em livros usados que compramos, nos aparecer um marcador interessante, a meio do volume. Foi o caso deste, em imagem, que desentranhei das "Memórias para o ano 2000", de José Augusto França. Que reproduz o início de um poema de F. Assis Pacheco, inserto na página 117 de "Musa Irregular" (Hiena, 1991).

sábado, 1 de fevereiro de 2014

14 versos de F. A. P., pelo seu aniversário


Peso de Outono

Eu vi o Outono desprender suas folhas,
cair no regaço de mulheres muito loucas.
Cem duzentas pessoas num café cheio de fumo
na cidade de Heidelberg pronta para a neve
saboreavam tepidamente a sua ignorância.

Eu vi as amantes ensandecerem
com esse peso do Outono. Perderam as forças
com o Outono masculino e sangrento.
Os gritos a meio da noite
das amantes a meio da loucura voavam
como facas para o meu peito.

Alguns poetas li-os melhor no Outono,
certos amores só poderia tê-los,
como tive, nos dias doces da vindima.

Fernando Assis Pacheco (1937-1995), in Cuidar dos Vivos (1963).

domingo, 5 de janeiro de 2014

O gato pingado


1. "Presidente da República faz declaração sobre Eusébio, às 12h30, em Belém." - noticia a SIC.

2. "...Não posso/ com tanta ironia." - diria Fernando Assis Pacheco.

3. É por isso que eu não gosto de futebol. O digno e honesto Pantera Negra não merecia isto - digo eu.

Que Eusébio possa fazer, em paz, nos relvados do céu, aquilo que fez tão bem, nos campos verdes da Terra!

domingo, 27 de outubro de 2013

Campo de Ourique e F. A. P.


Da minha circunstância lisboeta, Campo de Ourique sempre ocupou pouco espaço, até há pouco mais de dois anos, a esta parte. Até lá, chegava-lhe aos contrafortes, uma vez por outra, fui ao Cinema Europa (hoje derribado), e pouco mais. Nos últimos tempos, porém, passei a lá ir quase semanalmente. E afeiçoei-me bastante.
É um bairro "fechado" pela sua singularidade harmoniosa e própria de casas não muito altas, mas aberto a amplas espectativas. Liso para se poder andar a pé, com grande capacidade de ofertas (Livrarias, lojas de roupa, alfarrabistas, mercearias de qualidade e uma enorme gama de restaurantes bons com preços módicos). Ruas, normalmente espaçosas, jardins pequenos, mas agradáveis. Praças e esplanadas, onde apetece ficar. Além disso, é habitado por gente urbana e simpática, que parece feliz por lá viver.
Pessoa, que muito estimo e a quem agradeço, ofereceu-me, ontem, um recorte de uma pequena crónica de Fernando Assis Pacheco (segue em imagem, a encimar este poste), que seguramente lá deve ter vivido. Também ele se deve ter enamorado do bairro de Campo de Ourique.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Os Fariseus


O jornal Expresso online titula, hoje: "Pingo Doce: produtores pagam a fatura do 1º de maio".
Seguem-se declarações de João Paulo Girbal, presidente da Centromarca - Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca, prestadas numa entrevista à TSF, dizendo que o PD começou a "negociar" com os produtores um abaixamento de preços entre os 2% e os 3,5%, nas compras. Forma encapotada, segundo J. P. Girbal, de pagar "as promoções" caridosas do 1º de Maio de 2012, à carenciada população lusa.
Entretanto a Autoridade da Concorrência, recebido oportunamente o relatório da A. S. A. E., do alto da sua torre de marfim, aos costumes não disse ainda nada... Mas que grandes cómicos. Ou Tartufos, como lhes chamava Moliére. Acabo com Fernando Assis Pacheco: "Não posso com tanta ironia..."

sexta-feira, 2 de março de 2012

O fim dos Impérios


Tudo indica, por artigos nos jornais, livros e dossiês de revistas recentemente saídos, ou em destaque, que a França se prepara, após 50 anos da independência da Argélia (3 de Julho de 1962), para reavaliar o que representou, na sua História, o acontecimento, os traumatismos e o regresso dos pieds-noirs ao continente europeu.
O fim dos impérios teve para quase todos os países europeus, acontecimentos semelhantes, inícios parecidos ou paralelos, e fins praticamente iguais. O desastre de Diên Biên Phu, na Indochina francesa, em 1954, pode bem comparar-se à anexação de Goa, Damão e Diu, em Dezembro de 1960, pela União Indiana; o início da insurreição da Argélia, ao começo das hostilidades em Angola, no ano de 1961. O regresso dos pieds-noirs (200.000) à ponte aérea dos retornados (cerca de 500.000) de Angola, principalmente.
Não sei se alguma vez se fará, em Portugal, um debate alargado e profundo sobre o período e as guerras coloniais. Tirando o excelente programa televisivo de Joaquim Furtado, alguns (poucos) romances sobre o tema, além de muitos poemas de Fernando Assis Pacheco, reflectindo a sua experiência pessoal de guerra, não há muito mais - creio. Temos uma forma diferente de lamber as feridas. E não temos nenhum corajoso Baltasar Garzón, para questionar o passado, até às ultimas consequências. E valeria a pena?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Revivalismo Ligeiro LXVI : Paulo de Carvalho / Assis Pacheco


Há uma razão de ser para este vídeo. Vi, hoje, um documentário sobre Fernando Assis Pacheco. E soube, porque não sabia, que a letra da canção foi feita pelo Poeta.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

F. A. P.


Se fosse vivo, Fernando Assis Pacheco faria hoje 75 anos, mas morreu à porta de uma livraria, em Dezembro de 1995. Como poderia ter falecido na sede de um jornal, ou à mesa de um restaurante - porque era um amante sedento da vida, um grande jornalista, um bom poeta. Lembrêmo-lo com um dos seus primeiros poemas, intitulado Tentas, de longe

Tentas, de longe, dizer que estás aqui.
Com peso triste caminha na rua o Outono.
O meu coração debruça-se à janela
a ver pessoas e carros, e as folhas caindo.

Mastigo esta solidão
como quando era pequeno e jantava
diante dos pais zangados:
devagar, ausente.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Uma história (natalícia) para criancinhas impúberes e mentecaptas


As andorinhas, antes da Primavera e inesperadamente, vieram chorar a sua morte, junto do seu memorial. As montanhas do país abriram uma fenda enorme entre si (para o recolherem?), por alturas da sua morte. Tudo isto contou uma pivot norte-coreana, com voz enfática, entre empolgada e comovida, pouco depois da morte de Kim Jong-il, na Tv do seu país. Faltou apenas que os norte-coreanos, além de carpirem fragorosamente, arrancassem os cabelos e dessem punhadas no peito.
Resta-me citar Fernando Assis Pacheco: "...não posso com tanta ironia." Fanatismo e estupidez humana.

domingo, 6 de novembro de 2011

Retratos (5) : M. Castrim


Não era alto, mas entroncado e de aspecto sólido. Óculos grossos, botas normalmente, e um sorriso ligeiro e amigável sempre a despontar nos lábios. Sabia ouvir. Nascera em Ílhavo a 31 de Julho de 1920, e eu sempre me dei bem com os nativos de Leão. O Mário (pseudónimo de Manuel Nunes da Fonseca) claudicava de uma das pernas - sequela de uma tuberculose óssea durante a adolescência -, e apoiava-se  numa pequena bengala, ao andar. Conheci-o em 1964 ou 1965. A minha memória obstina-se em situar, alguns dos nossos encontros, no Calhariz, ou porque ele viesse do elevador da Bica, ou porque se tivesse apeado do 28. Mas seriam coincidências a mais... No entanto ele dava aulas na Escola Ferreira Borges, e o local faz algum sentido.
De qualquer forma, percorremos ambos, algumas vezes, a Rua Luz Soriano, até chegarmos ao DL. Depois, com vagar, subíamos as escadas, até à sala do DL-Juvenil. Frequentemente nos cruzamos com o F. Assis Pacheco, a descer. As reuniões eram à segunda-feira, de tarde, e foram muitas vezes encontros angustiosos, porque a Censura tinha cortado quase tudo das provas do "Juvenil", que lhe eram mandadas previamente para o "nihil obstat". E, nestes casos, havia que seleccionar segundas escolhas (textos, poemas...) para que as páginas não ficassem vazias, no dia seguinte. De uma vez, foi um texto meu, inócuo, que foi riscado integralmente pela Censura, só porque tinha, em epígrafe, uma frase (ou verso?) de Sophia Andresen.
O Mário era de uma afabilidade extrema e ninguém o poderia imaginar, se o conhecesse apenas dos textos contundentes e aguerridos, que escrevia no "Diário de Lisboa", de crítica à televisão. No "Juvenil" houve, muitas vezes, reuniões tumultuosas lideradas pelo Nuno Rebocho, que se opunha à sábia moderação do Mário. O Nuno, em tenra juventude, literariamente queria atacar e destruir o regime (Estado Novo) através da poesia. Grande parte dos seus poemas, berrantemente, se intitulavam "Manifesto (I, II, III...)" e, aí, o Mário, paciente, prudente e moderado, procurava conter, racionalmente, a ira adolescente do Rebocho.
Eramos tratados por "amigos", na sua voz bem timbrada, suave e afável, que nunca se alterava. E, na sua justa medida, o Mário era um verdadeiro chefe, na tribo. E foi assim até 1968, quando fui para a tropa.
Ao Mário, foram chegando, primeiro a Alice. Depois, a Catarina e o André. Depois, a morte, em 2002.