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sábado, 18 de janeiro de 2014

Da Janela do Aposento 42: Em louvor da nossa linguagem



[para consulta em: BNP, purl.pt 120, ex. incompleto]

No meio de consultas várias somos, por vezes, obrigados a "sair da direita estrada", metendo-nos por "semideiros escusos", como dizia Fernão Lopes. Foi o que me aconteceu hoje.
Entrei pelos "semideiros" das Gramáticas e demorei-me, sobretudo nas duas primeiras. A de Fernão de Oliveira, de 1536, na imagem acima e, de seguida, na de João de Barros, na edição de 1540, impressa por Luís Rodrigues. 


[para consulta em: BNP, purl.pt. 12148]

Não resisti, pois, a reproduzir o início da Grammatica da Lingua Portuguesa, de João de Barros, porque reencontrei essa magnífica imagem do "iogo de enxedrez" para explicar a existência das duas classes, nome e verbo, comparando-as a dois reis. Aliás, o meu gosto pela leitura de Gramáticas reside, essencialmente, no prazer de encontrar métodos e formas diferentes para explicar a mesma matéria.
Confesso, no entanto, que prefiro as gramáticas antigas, porque têm o mérito de se cingir ao essencial, deixando para os especialistas o acessório.
Assim, da minha "janela do aposento" já posso olhar, distanciada, para uma deriva linguística com que pretendem encher a cabeça das pobres criaturas.
É pena que ninguém lhes fale da existência de dois reis, o nome e o verbo, "comque o nósso intendimento reçebe as mais das cousas" !

Post de HMJ