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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Citações DV

 

A obsessão da morte, do tempo, é um veneno, direi eu que mortal, que destruirá toda a possível felicidade, se a felicidade existisse neste mundo e não fosse mais do que um desejo.

Georges Perros (1923-1978), in Papiers Collés I.

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Recuperado de um moleskine (42)



A felicidade não existe, tal como deus, é uma benévola ficção humana. Mas há aproximações, breves, e coincidências agradáveis que agem como paliativos úteis. Ou noções muito chegadas daquilo que parece ser o bem estar físico ou mental. No fundo, um certo equilíbrio.
Cruzam-se por exemplo, no tempo contíguo, um filme inglês (Glorious 39), não tanto pelo enredo, mas pela ambiência e sensações favoráveis que trasmite (ou desperta?). Uns anos familiares, ao longe. Inesperadamente se associaram, incontroláveis em si, factores orgánicos inconscientes, mas harmoniosos.
Disto se vai fazendo crença, ausência de dor, a estabilidade humana, de vez em quando. Para prosseguir docilmente a caminhada.

sábado, 26 de junho de 2021

Ideais

 


Estes cartazes publicitários de uma conhecida marca de gelados, e que proliferam em tudo quanto é esquina visual portuguesa, ilustram bem a pequenez de horizontes que dominam estes nossos tempos abaixo de cão. E tão rasteiros de ideais... Mas também a menoridade mental dos nossos publicitários de serviço.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Citações CDLXII



As pessoas não reconhecem a sua, mas a felicidade dos outros nunca lhes escapa.

Pierre Daninos (1913-2005), in Un certain monsieur Blot (1960). 

terça-feira, 23 de abril de 2019

Variações


Há o número e a excelência, quero eu dizer, por outras palavras, a quantidade e a qualidade. Pela sua frequência se podem conhecer os perfis de quem os usa e refere, de algum modo.
Podemos ir muito ao cinema, ou raras e escolhidas vezes. Podemos ler vertiginosamente e muito, ou ler de forma pausada, pouco e com critério. Há quem coleccione países e quem os frequente e repita, apenas por afinidades de exigência. Quem fotografe com frenesi tudo e nada, outros usarão de usura elitista, necessariamente, tentando fixar melhor a sua vida. Há quem adore facilmente, quem se arrase de coisas banais, quem desrespeite as palavras de forma debochada e perdulária, mas, por outro lado, há quem as use com excessiva usura, parcimónia reflectida e respeito. Há quem queira abarcar o mundo todo, mas há igualmente quem queira, com sucinta modéstia, conhecer bem e completamente a sua pequena aldeia. Ou a si mesmo, no fundo.
É tudo uma questão de tom ou de grau - a felicidade de cada um assume formas muito diversas. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Camus e a felicidade


Sob a chancela da Gallimard, saiu em 2017, um grosso volume contendo 865 cartas da correspondência trocada entre Albert Camus (1913-1960) e a grande actriz francesa, de origem espanhola, Maria Casarès (1922-1996), que terá sido - pese embora a relatividade da classificação - o grande amor, na vida, do romancista francês. O volume foi organizado por Catherine Camus, filha do prémio Nobel de 1957.
Neste caso, eu diria que é legítima, aquela que chamo a coscuvilhice nobre e, assim, ter a tentação de comprar e ler o livro...


Da intensidade desses afectos, de expressão mais intelectual nas cartas de Camus e mais fortemente terrestre, nas de Casarès, têm falado os críticos literários, que saudaram efusivamente a publicação do livro. Não resisto a transcrever, do penúltimo TLS, um retrato original, que dele traça John Fletcher: "Embora ele (Albert Camus) não fosse convencionalmente bonito, as suas feições - um cruzamento entre Fernandel e Humphrey Bogart - atraiam as mulheres."
E por onde andaria a felicidade, no meio destes dois seres humanos, que deram o seu melhor ao Teatro? Há que dar, naturalmente, a palavra final a Albert Camus...


Palavras estas que não deixam de ser acompanhadas por uma sábia e subtil ironia.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

As inefáveis felicidades


É certo que eu não sou versado em Economia e pouco sei de Finanças, mas confesso que dei tratos de polé à moleirinha para descortinar ou tentar imaginar o que seria este doutoramento "em Economia da Felicidade", que este cronista do jornal Público, de ontem (3/11/2015), ostenta, garbosamente.
Talvez haja por aí, no mundo, uma Faculdade Celestial, que eu desconheça.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013