Mostrar mensagens com a etiqueta Feiras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Feiras. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Feiras


A palavra feira tem, à partida, um reflexo interior de oportunidade. Seja ela de gado, velharias, galináceos, livros ou vinhos, retinem-me, normalmente, no cérebro, campaínhas inefáveis, para não dizer celestiais. De fundição mourisca, judaica ou aciganada, elas fazem sentir o seu timbre.
Quanto a feiras, a minha maior desilusão foi a de S. Mateus, em Viseu. Andei anos desejoso de a conhecer, até que, há cerca de 10, por lá passei e me desiludi para sempre - um barrete aciganado de roupas e sapatos...
Feiras medievais, que hoje se fazem por todo o lado, também dispenso, embora tenha amigos embevecidos por elas que, sempre que podem as frequentam com religiosa devoção histórica. Mas eu já ando farto de ficção pindérica, disfarçada de literatura, como a que aparece pelas livrarias dos aeroportos, para contentar o vulgo pouco exigente.
Em tempos juvenis, às Terças-feiras e aos Sábados, já fui um assíduo cliente da Feira da Ladra, a Santa Clara, não prescindindo de subir a rua do Forno do Tijolo, por 2 alfarrabistas que lá havia pelo meio, mais uma loja repleta de discos de vinil que eu gostava de ver. E, por vezes, comprar.
Por agora, limito-me, quando me dá jeito, a frequentar aos Sábados, na rua Anchieta, a feira de livros dos pequenos alfarrabistas, alguns deles amadores. Se uns têm preços altos e irrealistas, outros são mais comedidos. E foi lá que adquiri, a preço razoável, estes três Luis Sepúlveda, recentemente. Que é também dos poucos autores de alguma qualidade que também aterram e aparecem nos escaparates dos aeroportos, no meio da tropa fandanga do costume.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Mercearias Finas 122


A Norte, em tempos imemoriais da minha vida, no Sábado de Páscoa, e depois de vermos a Queima do Judas, ao meio-dia, na rua da Rainha, antes de entrarmos na Praça vimaranense para ir comprar o cabritinho, no talho do Zé Bento, passávamos por duas ou três bancas onde se espraiavam, ao ar livre, sobre imaculados panos brancos, o Pão-de-Ló de Margaride, as Cavacas e uns bolinhos redondos pintalgados de açúcar que, vim a saber depois, se chamavam Bolos de Gemas, e que faziam as minhas delícias de infância com o café com leite do lanche, sorvido em pequenos goles demorados.
Bem os procurei, no Sul, mais tarde, mas em vão, por várias vezes.



Ora, ultimamente, aqui pelos subúrbios, tem havido, embora de forma irregular, umas feiras, aonde acorrem vendedores-produtores de viandas de província e outras guloseimas de fabrico artesanal e de boa qualidade. Vêm do Minho, de Trás-os-Montes, das Beiras. Trazem queijos, produtos de fumeiro, doces regionais, presuntos e, às vezes, vinhos de produção pequena e rótulos desconhecidos.
No antepenúltimo fim-de-semana, a Trafaria acolheu um grupo numeroso destes feirantes regionais, com grande diversidade de produtos. E lá consegui encontrar e comprar os meus apetecidos e saudosos Bolos de Gema nortenhos, com a sua macieza de pão-de-ló interior e a estaladiça cobertura de açúcar, esbranquiçada, por fora. Para matar saudades e  gula.