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sexta-feira, 5 de março de 2021

Título do dia

 


Desde que portadores de alguma cultura, com experiências alargadas, reflectidos e com personalidade própria, teremos, muito provavelmente, ao longo de uma vida, 3 ou 4 ideias com alguma originalidade. Até poderão ser ovos de Colombo, mas revestidos de roupagem nova ou forma singular que os identifiquem como únicos e individuais. É também preciso saber apanhar a época, como este título consegue fazer, aliás.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Geografia, intercâmbios, tribos e famílias


Há dias, em conversa cordial, veio à mesa o tema que titula este poste e, se um de nós preferia a palavra família, para caracterizar o agregado humano de proximidade, os outros dois interlocutores optavam pelo termo tribo, talvez pelo seu mais amplo significado antropológico. Porque o primeiro entendia que família era, antes de tudo, unidade, enquanto à tribo estariam associados sentimentos de inveja e rivalidade, fossem eles de cariz profissional, ou não. Ora, eu creio que, mesmo a família contém em si, também, factores de emulação, desacordo e até inveja que acabam, quase sempre, por existir em qualquer grupo humano. Mas também segregam sinais de semelhança, completude e inter-ajuda solidária, se não por afecto, pelo menos, por dever e regra social.
A geografia inicial destes grupos é a de proximidade. Lembro-me que, na infância-adolescência, e na minha rua, eramos três a coleccionar selos: E. dedicava-se à França e colónias francesas, Q. juntava selos da Bélgica e de Itália, e eu guardava, com particular agrado, estampilhas da Alemanha e da Holanda, preferencialmente. E, depois, entre nós, cedíamos os repetidos desses países, aos outros amigos.
O mesmo acontecia com livros e leituras: E. comprava todas as obras de Urbano T. Rodrigues, eu, os de Fernando Namora. E íamos emprestando, um ao outro, as obras que íamos lendo, fazendo anteceder os empréstimos de pequenos comentários de avaliação sobre as leituras já efectuadas.
Na actualidade, estes intercâmbios subiram de patamar. Com o meu bom amigo H., troco semanalmente, depois de lidos, o "Obs" e o TLS pelo Atual (do Expresso) e pelo "Le Monde". Para proveito de ambos, e da tribo.

terça-feira, 15 de maio de 2012

O dia deles


Ao que indica a Wikipédia celebra-se, hoje, não só o Dia do Detective, como também o Dia da Família. Ora, quanto a mim, há aqui uma contradição prática na sobreposição. Porque não me lembro de nenhum detective de ficção que seja casado ou, pelo menos, tenha filhos e família alargada. São, normalmente, homens solitários, tirando Maigret e a sua Madame, que também não tinham filhos - que se saiba.
Assim, o Padre Brown (Chesterton), Dupin (Poe), Sherlock Holmes (Conan Doyle), Philo Vance (S. S. van Dine), Poirot (Agatha Christie), Nero Woolf (Rex Stout), Perry Mason ( E. S. Gardner), todos eles são solteiros, quando não misóginos. Há que concluir que, dedução policial com família, não joga.
Abra-se uma outra excepção para o anónimo detective criado por Graham Greene, em "The end of the Affair". O detective não só tem família, humildade e competência profissional, como até tem um filho, ainda pequeno, que anda sempre com ele e o ajuda nas investigações policiais. É a excepção, para confirmar a regra...